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Divisão de metais básicos foi o principal destaque do relatório da Vale (VALE3), que cogita vender fatia minoritária do negócio

A semana começou agitada para a Vale (VALE3): a mineradora informou na noite de ontem que sua produção de minério de ferro aumentou 21% no terceiro trimestre na comparação com os três meses anteriores e chegou a 89,7 milhões de toneladas.
Com alta também no segmento de metais básicos, a Vale caminha para atingir sua meta anual de produção, indo além do que os analistas do mercado previam. A produção de níquel aumentou 51% na comparação com o trimestre anterior, para 51,8 mil toneladas.
O volume de vendas da Vale também foi positivo, mostrando a resiliência da companhia apesar da desaceleração da demanda pela commodity: no total, foram vendidas 77,6 milhões de toneladas (Mt).
Como reflexo, as ações da mineradora operam em alta no pregão desta terça-feira (18): nas máximas do dia, VALE3 subiu 2,40%, cotada a R$ 72,40. É também o ativo mais negociado da bolsa.

De acordo com o relatório divulgado pela companhia, já foram produzidas 227 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro neste ano, enquanto a promessa da mineradora é de entregar entre 310 (Mt) e 320 (Mt) até dezembro.
De maneira geral, a produção maior reflete a estação seca no Sistema Norte e maiores compras de minério de terceiros no Sistema Sul.
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A atual situação da empresa e, especialmente sua recuperação no segmento de metais básicos, foram bem avaliadas pelo mercado, já que essa divisão estava com dificuldade para entregar a produção prevista nos últimos trimestres.
Em relatório, o Citi destaca essa unidade, já que o níquel superou as estimativas do banco em 20,9% com suas 52 mil toneladas. Para os analistas, o fim de algumas manutenções ao longo do segundo trimestre e a recuperação na produção em Salobo e Sossego ajudaram a impulsionar esses números. Eles citam, ainda, a "disciplina na produção" da Vale.
O Citi tem recomendação de compra para Vale, com preço-alvo de US$ 16 para os ADRs (recibos de ação) — potencial de alta de 20,4% se considerado o fechamento de ontem.
Os analistas do Bradesco BBI também elogiaram os dados de metais básicos, afirmando que “parece que o pior já passou, dada a forte recuperação sequencial do cobre e do níquel no trimestre.”
A equipe manteve a recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de US$ 18, justificando que hoje eles são negociados a 3,8 vezes o múltiplo de EV/Ebitda (valor da empresa sobre o Ebitda), abaixo das 5 vezes consideradas como ideal pelos analistas.
É importante lembrar que o bom desempenho da área de metais básicos da mineradora vem em boa hora, já que há algum tempo a Vale busca destravar valor da divisão e cogita vender uma fatia minoritária dela.
Ainda que alguns números tenham deixado os investidores animados, parte do mercado é menos otimista com os resultados da Vale, especialmente porque os impactos financeiros de todos esses dados só serão conhecidos na semana que vem com a divulgação do balanço e a China deixa um sinal de alerta.
O Itaú BBA, por exemplo, disse estar "confortável" em manter suas projeções para a companhia, prevendo um Ebitda de US$ 4,5 bilhões para o terceiro trimestre. Eles atentam para a menor demanda por minério de ferro e também menores prêmios de qualidade mercado, que caiu para US$ 6,6 por tonelada no trimestre.
O banco mantém recomendação neutra para o papel e preço-alvo de US$ 15 para 2023 — potencial de alta de 13%.
O Goldman Sachs, por sua vez, observou que as vendas de minério de ferro ficaram 12 milhões de toneladas abaixo da produção e houve aumento nos estoques transitórios. Ainda que esse efeito seja esperado por conta da sazonalidade, os analistas acham difícil que o quadro seja revertido no quarto trimestre.
A equipe afirma também que a mineradora tem gasto boas quantias em provisões adicionais por conta da Samarco, além de possuir uma dívida líquida que merece atenção. Com isso, dificilmente a companhia pagará dividendos altos demais aos acionistas.
O Goldman Sachs tem recomendação neutra para a mineradora, com preço-alvo de US$ 13 para os ADRs — desconto de 2,10% de acordo com o fechamento de ontem.
Já o Safra atenta para as vendas, apontando as condições de mercado bastante adversas que devem continuar afetando a demanda por minério de ferro e, por consequência, sua cotação. Na China, mercado fundamental para a Vale, a crise imobiliária e a política de covid zero trazem certa cautela no curto prazo.
Ainda assim, o banco mantém recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de R$ 91 — potencial de alta de 29%.
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