Como a compra da corretora Ideal pode fazer o Itaú partir para o ataque e abrir um novo filão em investimentos
Banco viu na Ideal uma forma de complementar a oferta para os investidores que não são clientes do banco, diz Carlos Constantini, diretor do Itaú

Em mais um lance na disputa pelos seus investimentos, o Itaú Unibanco (ITUB4) surpreendeu com o anúncio da aquisição da Ideal. O maior banco privado brasileiro investiu R$ 650 milhões para ficar com 50,1% do capital da corretora.
Criada em 2019, a Ideal logo chamou a atenção do mercado ao ficar entre as líderes no ranking de volume de negócios na B3. A corretora cresceu rapidamente graças ao foco em tecnologia para atender grandes investidores institucionais, como fundos de investimento.
Mas não foi esse público que interessou o banco, e sim a possibilidade de usar a corretora para complementar a oferta para os investidores pessoas físicas, me disse hoje pela manhã Carlos Constantini, diretor que lidera a área de Wealth Management & Services (WMS) do Itaú.
À primeira vista, o negócio pode ser interpretado como uma volta do Itaú ao mundo das plataformas independentes de investimento após a venda da participação na XP.
Mas Constantini diz que o movimento é uma continuidade do trabalho que o banco vem desenvolvendo desde 2017, quando tomou a decisão histórica de abrir a prateleira para oferecer produtos de terceiros aos clientes.
Um novo filão para o Itaú
Na prática, para quem é cliente do Itaú nada muda, até porque a Ideal não atua hoje no varejo. O banco também segue investindo nas iniciativas internas, como o aplicativo Ion.
Leia Também
O que o Itaú deseja é alcançar de alguma forma os investidores que hoje não se relacionam diretamente com o banco. “Estamos acelerando de formas possíveis e essa [a aquisição] é mais uma”, afirma o diretor.
Com a Ideal, o Itaú pode partir para o ataque e avançar em um novo e promissor filão: o de broker as a service. Em outras palavras, a estrutura da corretora pode ser usada por qualquer empresa que queira oferecer serviços de investimentos aos clientes, como por exemplo uma grande varejista ou uma distribuidora de energia elétrica.
A Ideal vai seguir operando de forma independente do Itaú. A aquisição ainda depende do aval do Cade e do Banco Central, mas Constantini não espera problemas na aprovação como aconteceu com a XP.
“O que fizemos foi a aquisição de uma peça importante para construir uma estratégia maior. É diferente de adquirir uma base de clientes, onde pode haver uma preocupação de concentração.”
Agentes autônomos do Itaú vêm aí
A Ideal também pode ser uma peça importante para o Itaú avançar em outro modelo de oferta de produtos de investimento, via agentes autônomos. Esse foi o modelo que permitiu a corretoras como a XP baterem de frente contra os grandes bancos.
Os agentes autônomos são os profissionais responsáveis por oferecer os produtos de investimento disponíveis na plataforma, mas eles não possuem vínculo empregatício — como um gerente de banco, por exemplo.
Constantini diz que faz parte dos planos do banco formar uma base de agentes autônomos, e que essa estratégia não tem relação direta com a compra da Ideal.
Mas não custa lembrar que o Itaú foi um dos críticos ao modelo dos agentes autônomos, mesmo nos tempos em que foi sócio da XP.
Isso porque 100% da remuneração dos profissionais vem da comissão pelos produtos vendidos, o que pode levá-los a oferecer as opções mais vantajosas para eles, e não necessariamente para os clientes.
“Existe espaço para essa relação ser aprimorada, para que os incentivos do agente autônomo estejam alinhados com os do cliente”
Carlos Constantini, Itaú Unibanco
Ele diz que a estratégia de operar com agentes autônomos não muda os planos do Itaú de seguir expandindo a rede própria de profissionais de investimento, que deve chegar a 2 mil pessoas neste ano.
Leia também:
- Após vender XP, Itaú faz nova aposta em corretoras e investe R$ 650 milhões na Ideal
- Exclusivo: Itaú demorou a reagir contra a concorrência das fintechs, mas aprendeu a lição. Quem reconhece é o próprio Itaú
- XP e Modal ‘juntos e separados’: o que está por trás da compra e o que muda para o investidor
DÍVIDAS
Mais uma: Fertilizantes Heringer S.A. (FHER3) pede proteção na Justiça contra credores
28 de agosto de 2026 - 10:34A ALEGRIA DUROU POUCO
Ações da Braskem (BRKM5) disparam 19% com ajuda da Petrobras (PETR4), mas DPU cobra R$ 5 bilhões no fim do dia
27 de agosto de 2026 - 19:56ARRUMANDO A CASA
Advent ganha cadeira na Natura (NATU3): acionistas aprovam entrada da gestora e dispensam OPA
27 de agosto de 2026 - 19:14POR TRÁS DA TESE
Virada de chave da Nvidia (NVDC34) após o balanço: ação sobe mais de 8% e grandes bancos dizem que é hora de comprar
27 de agosto de 2026 - 13:45AMBIÇÃO GLOBAL
Votorantim S.A. faz troca de ações que a deixa mais perto da Nasdaq — mas não é a que você pensa
27 de agosto de 2026 - 13:03OFERTA PÚBLICA DE AQUISIÇÃO
O bilhete premiado de ONCO3 é para todos? Entenda decisão da CVM sobre oferta que exige preço quase 8 vezes mais que o valor atual
27 de agosto de 2026 - 11:15BALANÇOS
Salesforce dobra lucro e ação dispara 14% em Nova York; Nvidia supera projeções, mas investidores castigam papéis
26 de agosto de 2026 - 18:13LISTA NÃO ACABA
Mais uma: dona do Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill entra em recuperação judicial com dívida de R$ 265,2 milhões
26 de agosto de 2026 - 18:05O QUE VEM AÍ
C&A (CEAB3) liga o modo “Full Power”: varejista planeja abrir até 80 lojas e acelerar investimentos até 2030
26 de agosto de 2026 - 16:15FOI ÀS COMPRAS
Desktop (DESK3) engorda portfolio com a compra total de outra empresa de internet, mas ação cai forte na bolsa
26 de agosto de 2026 - 13:00BANHO DE LOJA
O risco da blusinha: roupas da Shein estão ainda mais baratas, e desafio para Renner (LREN3), C&A (CEAB3) e Riachuelo (RIAA3) fica maior
26 de agosto de 2026 - 12:36ADOCICOU
Peso do El Niño na São Martinho (SMTO3) é menor do que parece: XP eleva recomendação e vê valorização de mais de 50%
26 de agosto de 2026 - 11:30SOB NOVA DIREÇÃO
O que a Ecopetrol reserva para a Brava Energia (BRAV3)? Executivo fala em diminuir dívidas, pagar dividendos e crescer
26 de agosto de 2026 - 10:47CONTRATOS PÚBLICOS RELEVANTES
O que sobrou da Oi (OIBR3)? Serviços terão fase de transição até o fim definitivo
26 de agosto de 2026 - 9:15VAI PINGAR NA CONTA?
Dividendos da Vale (VALE3): o gatilho que ainda passa despercebido, mas pode colocar mais proventos no bolso de quem tem as ações
26 de agosto de 2026 - 6:01AINDA NÃO É DESSA VEZ
R$ 12 bi fora da mesa (por enquanto): Bradesco nega acordo para compra da Amil, mas não fecha as portas para o negócio
25 de agosto de 2026 - 20:04SD EXPLICA
Crise das Casas Bahia (BHIA3): o que realmente aconteceu para levar a varejista à recuperação judicial?
25 de agosto de 2026 - 18:45QUEBROU
De novo: Oi (OIBR3) tem falência decretada pela Justiça pela segunda vez
25 de agosto de 2026 - 15:59VEM COISA BOA POR AÍ?