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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

CALVÁRIO

No fundo do poço tem um alçapão? IRB (IRBR3) apresenta plano de grupamento e ação cai ainda mais

Direção do IRB propõe grupamento de ações na proporção de 30 por 1, sem alteração de capital social; votação é chamada para 22 de dezembro

Ricardo Gozzi
1 de dezembro de 2022
10:57 - atualizado às 12:04
Imagem de um celular com o logo do IRB (IRBR3) sendo exibido na tela | Ibovespa
Imagem de um celular com o logo do IRB (IRBR3) exibido na tela - Imagem: Shutterstock

Quando você pensa que o calvário do IRB Brasil (IRBR3) está perto do fim, vem uma notícia sugerindo que no fundo do poço tem um alçapão. Como IRBR3 encontra-se por período prolongado abaixo de R$ 1, a resseguradora vem sendo cobrada pelos reguladores a promover um grupamento de ações — e, assim, deixar a condição de penny stock.

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Ontem, IRBR3 encerrou a sessão cotada a R$ 0,75; hoje, a companhia apresentou uma proposta de grupamento das ações, na proporção de 30 para 1. O tema será votado pelos acionistas no dia 22 de dezembro, em assembleia digital.

A notícia não foi bem recebida pelo mercado: na primeira hora do pregão de hoje, IRBR3 figurava entre as principais perdas do Ibovespa. A ação recuava 4% por volta das 10h30, cotada a R$ 0,72.

Mas por que isso acontece? Propostas de grupamento de ações são eventos neutros para o preço de um ativo, ao menos em tese. O problema, no caso do IRB, é o grupamento provocar uma espécie de "armadilha de liquidez", já que o preço de tela do ativo será multiplicado por 30 se a proposta for aprovada.

Uma consequência imediata tende a ser a redução do volume negociado de um ativo que vem sendo contestado pelo mercado há quase três anos.

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As regras da B3 para inibir penny stocks

De qualquer modo, o grupamento não é uma estratégia do IRB. A proposta visa ao cumprimento das normas impostas pela B3. A operadora da bolsa brasileira estabelece regras para inibir a negociação de penny stocks, como são chamadas as ações cotadas abaixo de R$ 1.

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Além do preço baixo, essas ações costumam apresentar mais volatilidade do que o restante dos ativos negociados em bolsa.

A B3 estabelece entre suas regras que uma ação não pode passar mais do que 30 pregões cotada abaixo de R$ 1. Quando isso ocorre, a empresa em questão é notificada para que apresente um plano de adequação de preço.

O calvário do IRB (IRBR3)

As ações IRBR3 estavam entre as mais badaladas da bolsa brasileira até pouco antes da pandemia. O calvário do IRB teve início da primeira sessão de fevereiro de 2020: foi quando veio a público o alerta da Squadra.

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A gestora carioca foi a primeira a apontar a existência de inconsistências contábeis nos balanços da empresa de resseguros.

Executivos da companhia ainda tentaram salvar a imagem da empresa ao divulgar a notícia falsa de que a Berkshire Hathaway, holding de investimentos do bilionário Warren Buffett, teria “aumentando a posição em IRBR3”. E funcionou por um momento: os papéis recuperaram imediatamente parte das perdas.

Mas, assim como ocorreu com os balanços, o jogo virou quando a mentira foi descoberta. O IRB foi alvo de um vexame internacional depois que a Berkshire veio a público afirmar que nunca teve, não tem e não pretende ter ações da empresa.

Quase três anos depois do início da crise, o IRB vem acumulando sucessivos prejuízos e enfrenta dificuldade para se manter dentro do enquadramento regulatório.

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No fim de agosto, a empresa chegou a anunciar a venda da própria sede, um edifício histórico no centro do Rio de Janeiro, em meio aos esforços para se reenquadrar.

Desde fevereiro de 2020, quando teve início o calvário da resseguradora, IRBR3 perdeu 98% de seu valor de mercado.

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