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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

E AGORA, MUSK?

Ação da Tesla capotou? Empresa de Elon Musk perde 68% do valor de mercado em 2022 e é uma das maiores perdedoras do S&P 500

As ações TSLA desabam mais 11% na Nasdaq nesta terça-feira, após a montadora estender o prazo de suspensão da produção de automóveis na fábrica de Xangai

Camille Lima
Camille Lima
27 de dezembro de 2022
13:33 - atualizado às 18:23
Elon Musk, CEO da Tesla e atual homem mais rico do mundo, compra participação no Twitter
Elon Musk, CEO da Tesla - Imagem: Flickr/Daniel Oberhaus (2018)

As ações da Tesla sofreram uma verdadeira derrocada em 2022. Depois de perder a coroa de maior vendedora de carros elétricos do mundo para a chinesa BYD neste ano, a empresa de Elon Musk agora ocupa posição privilegiada no ranking de papéis do S&P 500 com os piores desempenhos no ano.

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A companhia, que acumulou ganhos extraordinários nos anos anteriores e fez de Elon Musk o homem mais rico do mundo, perdeu 68,1% do valor de mercado em 2022. Em termos numéricos, isso representa uma queda de US$ 183 bilhões.

Somente no pregão de hoje, as ações TSLA desabaram 11,41% na bolsa norte-americana de tecnologia Nasdaq, negociadas a US$ 109,10. Na mínima do dia, os papéis chegaram a ser cotados a US$ 108,55.

A queda mais recente das ações da empresa acontece após a montadora estender o prazo de suspensão da produção de automóveis na fábrica de Xangai, sua maior unidade mundial. 

A paralisação na fábrica da Tesla em Xangai

De acordo com cronograma interno acessado pela Reuters, a produção de carros da Tesla na Gigafactory de Xangai deverá durar 17 dias em janeiro, entre os dias 3 e 19 do mês. 

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A partir do dia 20 até 31 de janeiro, a fabricação dos automóveis será interrompida em uma pausa prolongada para o Ano Novo Chinês.

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A paralisação segue uma desaceleração recente na demanda global por veículos da Tesla e ocorre enquanto a fabricante de veículos elétricos enfrenta uma onda de infecções por covid-19 entre seus trabalhadores e fornecedores na China.

Tesla: a perdedora do S&P 500

A ação da Tesla está em queda-livre desde o começo do ano — e a desvalorização foi tamanha que, atualmente, os papéis da empresa encontram-se entre os maiores perdedores do S&P 500 — o índice que reúne as maiores empresas das bolsas norte-americanas.

Como mostrei anteriormente, as ações da Tesla recuaram 68,1% neste ano — sendo que, desde outubro, quando Elon Musk fechou a compra do Twitter, os papéis acumulam desvalorização de 49,3%.

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Por que a ação da Tesla está em queda-livre?

Na visão de analistas de Wall Street e de políticos norte-americanos, a queda das ações da Tesla na bolsa tem relação direta com a gestão de Elon Musk no Twitter.

Isso porque, além de ter vendido bilhões em ações da fabricante de veículos elétricos para pagar a conta da compra bilionária do Twitter, Musk chegou a convocar talentos de seus outros empreendimentos para trabalhar na rede social.

Desde que o bilionário ocupou o trono na rede do passarinho azul, os investidores da Tesla também passaram a reclamar do tempo passado por Musk na sede da empresa de mídia social.

A gestão de tempo do executivo em cada um de seus empreendimentos preocupa os analistas de Wall Street — e, segundo relatórios, a Tesla pode sofrer o impacto do excesso de tempo passado pelo bilionário no Twitter.

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A casa de análise Oppenheimer &Co afirmou que a chefia de Musk no Twitter “prejudicou gravemente” o sentimento do mercado sobre a fabricante de carros elétricos do bilionário.

O que diz Elon Musk

Apesar do que dizem os especialistas do mercado financeiro, para Elon Musk, o verdadeiro culpado dos declínios da Tesla na bolsa de valores é o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

A justificativa do bilionário é que a estratégia agressiva de aperto monetário do Fed para conter a inflação galopante no país impactou o apetite dos investidores por ações.

Isso porque os juros elevados costumam chamar a atenção dos investidores para a renda fixa, uma vez que os retornos das aplicações conservadoras e títulos do governo são beneficiados pela alta das taxas. Consequentemente, investimentos de risco como ações perdem apelo. 

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Na visão do CEO da Tesla, agora que a inflação mostrou desaceleração, não existe mais necessidade de o banco central manter o ciclo de alta dos juros.

"Continuo dizendo que a taxa do Fed é insana, porque os dados que estou vendo dizem que já estamos em deflação ", tuitou Musk.

"Em termos simples: à medida que as taxas de juros das contas de poupança bancárias, que são garantidas, começam a se aproximar dos retornos do mercado de ações, que não são garantidos, as pessoas vão cada vez mais transferir seu dinheiro das ações para o dinheiro, fazendo com que as ações caiam", acrescentou o (ainda) bilionário.

*Com informações de Insider e Reuters

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