O que é a estratégia de Barbell? Analista da Empiricus explica como ela pode fazer você ganhar dinheiro em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia
Às vezes, o mercado se comporta de forma imprevisível. Por isso, é importante estar preparado e ter um portfólio diversificado para atravessar momentos de turbulência na bolsa

O Brasil é conhecido por encontrar oportunidades para brilhar mesmo nos piores cenários, e com a bolsa brasileira não seria diferente. Em plena guerra acontecendo no Leste Europeu, bolsas mundiais caindo, mercado cripto desabando, a B3 se torna cada vez mais atraente aos olhos dos estrangeiros.
Para Felipe Miranda, CIO e estrategista-chefe da Empiricus, a bolsa está barata e muito pesada em commodities e bancos tradicionais.
“O Brasil é o par emergente da Rússia, está dentro do Bric. Aqui há grande produção de commodities e, como a Rússia está complicada, o dinheiro migra para cá”, disse o analista.
Mas os gringos estão correndo em direção às commodities energéticas e agrícolas, e uma concentração elevada de investimentos nesses segmentos pode ser perigosa, uma vez que não dá para projetar com certeza os próximos capítulos dessa crise geopolítica e seus efeitos nos mercados.
É aí que entra a estratégia de Barbell, considerada por Felipe Miranda a melhor opção para os investidores atravessarem o contexto atual na bolsa brasileira. O analista fala mais sobre na série Palavra do Estrategista.
Estratégia de Barbell
A filosofia Barbell, chamada de barra de halteres, foi criada por Nassim Taleb, conselheiro de fundos de investimentos. Taleb também é criador do conceito ‘cisne negro’, atribuído a eventos imprevistos, raros e compreensíveis depois que ocorrem.
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A estratégia entende que o mercado se comporta, muitas vezes, de maneira aleatória. Ou seja, nessas situações, não é possível prever o que vai acontecer.
Por isso, é importante ter um portfólio de ativos que estão nos extremos de uma escala de risco – conservadores e mais arriscados. Isso é, uma barra de halteres, com pesos nas duas extremidades.
O que ter na carteira de investimentos?
Os analistas da Empiricus acreditam que não é hora de agir de forma impensada ou intempestiva.
Seguindo a estratégia de Barbell, também é essencial ter uma carteira diversificada entre várias classes de ativos.
Que tal misturar ações, fundos imobiliários, renda fixa e até uma parcela pequena de criptomoedas? Além disso, é importante incluir no seu portfólio alguns ativos de proteção (hedges) como ouro, prata e moedas fortes.
“Defendo uma posição em commodities, mas também, alguns cíclicos domésticos na carteira. Portanto, um pé em cada canoa, a estratégia Barbell”, disse Felipe Miranda.
Para o analista da Empiricus, ainda que o conflito lá fora gere um rali de commodities, não se pode menosprezar que o mercado está cheio de ações small e mid caps de qualidade, “com operações eficientes e gerando lucro, com valuations descontadíssimos”.
Ações descontadas e de commodities
A guerra está mexendo com os mercados, isso é fato. As movimentações saem da aversão ao risco às esperanças de negociações entre Rússia e Ucrânia e de um provável fim para o conflito.
Agora, a busca por ativos descontados de variados segmentos se faz presente. Em alguns dias, as ações de empresas ligadas a commodities dispararam; em outros, devolvem os ganhos.
Na última quarta-feira, as maiores altas registradas foram CVC (CVCB3), com 16,97%, e Natura (NATB3), que avançou 16,25%.
Já as petrolíferas e mineradoras protagonizaram as quedas do Ibovespa, com a PetroRio (PRIO3) recuando 6,44%, acompanhada por 3R Petroleum (RRRP3), com baixa de 4,35%, e Vale (VALE3), que caiu 6,24%.
“Por exemplo, veja o que aconteceu ontem, a CVC subiu 17%, uma metonímia de cíclico doméstico. E hoje já está diferente, com fluxo para commodities. Então, a mensagem é essa diversifique os investimentos em ações”, destacou o estrategista da Empiricus, Felipe Miranda.
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