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Investidores esperam por dados importantes sobre empregos nos EUA, se preparando também para a temporada de resultados corporativos
Bom dia, pessoal. Entramos no último trimestre de 2022 com inúmeros fatores de risco para acompanharmos.
Lá fora, as ações caíram na Ásia nesta segunda-feira (3), enquanto os investidores esperam por dados importantes sobre empregos nos EUA, se preparando também para a temporada de resultados corporativos que muitos temem destacar o impacto do aumento da inflação e das taxas de juros.
A abertura do mercado na Europa também não é positiva, refletindo preocupações persistentes sobre uma recessão e as perspectivas negativas para o mercado de petróleo.
Chama a atenção também os ruídos envolvendo o Credit Suisse e a crise que paira sobre o banco.
Os futuros americanos inauguram o dia de forma mista, sem uma única direção.
O Brasil pode se descolar desse movimento tímido, repercutindo a eleição de um legislativo composto predominantemente pelo centro e pela direita. A ver...
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Chamou a atenção os erros dos institutos de pesquisa, que vão precisar se reinventar nos próximos anos se quiserem se manter relevantes.
Lula e Bolsonaro vão para o segundo turno, mas com uma margem muito diferente do que se apontava nos levantamentos de intenção de votos.
O segundo turno é uma nova eleição e tudo pode acontecer, inclusive uma virada de Bolsonaro, ainda que pouco provável (precisa trabalhar bem Minas Gerais e os espólios dos demais candidatos).
Ao mesmo tempo, ainda que Lula seja favorito para ganhar no segundo turno (teve mais de 48% no primeiro turno), terá que caminhar para o centro.
Nas condições atuais, um segundo turno geralmente é positivo para o mercado, forçando uma moderação de tons (há necessidade de negociar com outros partidos).
Enquanto isso, o bolsonarismo deveria comemorar, apesar de Bolsonaro ter ficado em segundo lugar.
A eleição de um Congresso predominantemente composto por figuras de centro, centro-direita e direita, deverá impedir eventuais aventuras petistas muito heterodoxas.
Os dois desfechos agora me parecem positivos para o mercado local:
Nos EUA, os investidores esperam virar a página depois da pancada que foi experimentada em setembro, se voltando para o calendário de outubro.
Nesta semana, acompanhamos uma vasta lista de membros do Federal Reserve Bank que falam com o mercado em diferentes ocasiões, embora a expectativa geral seja de que a autoridade monetária mantenha o tom duro em direção à meta de não retroceder prematuramente na política monetária restritiva (taxas de juros mais altas).
Ao mesmo tempo, também ficamos de olho nos relatórios de empregos sobre o mês de setembro no final da semana.
Na semana passada, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) mostrou uma aceleração maior do que a esperada, o que provavelmente convencerá ainda mais o Fed de que deve manter sua postura agressiva em relação a aumentos futuros de juros.
Se os dados de emprego vierem fortes, a tendência será mantida.
Já há alguns anos o Credit Suisse vem passando por momentos ruins. Agora, os investidores globais têm pela frente o desafio de enfrentar a crise do Credit Suisse (da máxima em 2018, as ações do banco já caem mais de 80%).
O sentimento negativo contamina o mercado europeu nesta manhã, diante do nervosismo do mercado sobre a posição de capital do banco suíço.
Na sexta-feira, o CEO do Credit Suisse, Ulrich Koerner, disse aos funcionários em um memorando interno que o capital e a liquidez eram robustos, mas as coisas mudaram no final de semana — o CDS (custo de proteção contra um default) aumentou em 15% e já está em um patamar semelhante ao de 2009, depois da crise do subprime.
Agora, a instituição pediu mais 100 dias para apresentar uma estratégia de recuperação.
Além da questão financeira também há o choque de credibilidade junto aos negócios de investimentos e private banking.
Há pouco espaço para uma salvação verdadeira aqui, uma vez que tentativas anteriores de reestruturação também foram frustradas.
Uma atualização sobre a nova estratégia deverá ser divulgada até o final do mês, no dia 27 de outubro, mas os caminhos são escassos.
Estima-se que sejam necessários algo entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões para endereçar a reestruturação, com o enxugamento da companhia e a demissão de funcionários.
Uma aquisição por outro player não seria improvável, mas ainda há muito por acontecer e vários processos para lidar.
Uma quebra completa teria consequências desastrosas para a Europa e poderia sinalizar o começo de um processo maior…
No final da semana passada, a Rússia anexou 15% da Ucrânia (uma área do tamanho de Portugal) ao aceitar a adesão à federação de quatro regiões ucranianas.
O movimento de Putin é a maior apropriação forçada de terras na Europa desde a Segunda Guerra Mundial e mostra como ele vê a guerra na Ucrânia como uma luta existencial entre seu país e o mundo ocidental.
Haverá retaliação, claro. O presidente Biden disse que as anexações territoriais de Putin não têm legitimidade e os ministros das Relações Exteriores do G7 as consideraram uma ofensa à soberania ucraniana.
Ao mesmo tempo, a Rússia não ocupou totalmente nenhuma das quatro regiões que anexou, o que ficou bem claro quando as tropas ucranianas em uma dessas províncias cercaram as forças russas.
Dessa forma, os países ocidentais desencadearam uma nova rodada de sanções, inclusive contra o presidente do banco central da Rússia.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky respondeu solicitando formalmente a adesão à OTAN em um cronograma acelerado, embora não esteja claro se será aprovado.
A situação russa é delicada: sofreu perdas embaraçosas com o contra-ataque ucraniano e centenas de milhares de russos deixaram seu país para evitar serem convocados para o serviço militar.
Um possível enfraquecimento de Putin não é impossível.
Os contratos futuros de petróleo Brent e West Texas Intermediate (WTI) decolaram da última sexta-feira para cá, repercutindo os relatos de que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (OPEP+) está considerando um corte na produção de petróleo de mais de um milhão de barris por dia.
Tal medida seria a maior tomada pela organização para lidar com a fraqueza na demanda global desde 2020, quando o grupo reduziu a produção em um recorde de 10 milhões de barris por dia por conta da pandemia.
Com uma reunião esperada para o dia 5 de outubro, surpresas são possíveis, empurrando o preço da commodity para cima, de modo a neutralizar a excessiva baixa no mercado.
Ao mesmo tempo, estima-se que qualquer corte de produção abaixo de 500 mil barris por dia deverá ser ignorado pelo mercado.
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