A privatização da Eletrobras (ELET3) foi concluída com sucesso, com a demanda superando a oferta das novas ações da então estatal.
O investidor que reservou os papéis de maneira direta e também os acionistas levaram tudo o que pediram na oferta prioritária.
Mas a demanda de um grupo específico de investidores não foi plenamente atendida: a de quem usou o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na oferta.
De acordo com a Eletrobras, como os fundos criados para viabilizar o investimento por meio do FGTS excederam a alocação, foi feito um rateio.
A divisão seguiu uma proporção de acordo com o valor dos pedidos de reserva que cada fundo efetuou. No final das contas, os fundos puderam alocar só 66,79% do valor que foi reservado. Ou seja, um investidor que reservou R$ 1.000 do FGTS na oferta deve levar para casa R$ 667,90.
O governo havia estabelecido um teto de R$ 6 bilhões para as alocações na Eletrobras via FGTS. No entanto, a demanda chegou a R$ 9 bilhões, de acordo com apuração do Estadão.
Lembrando que as instituições financeiras criaram mais de 20 fundos mútuos de privatização (FMP) para atender à demanda de quem queria investir com o FGTS.
Trabalhadores buscaram melhor rentabilidade para o FGTS
O grande interesse dos trabalhadores em investir parte do seu FGTS na empresa se espelha nos retornos formidáveis obtidos nos últimos 20 anos por quem teve a oportunidade de investir parte do fundo de garantia em ofertas de Petrobras e Vale no início dos anos 2000.
A rentabilidade baixa do fundo de garantia motiva os trabalhadores a buscarem potenciais de retorno maiores para esses recursos que, de fato, estão "presos" no fundo até que eles atinjam os pré-requisitos para resgatá-los.
Quem conseguiu alocar uma parte do seu FGTS em um FMP-FGTS Eletrobras deverá agora permanecer com o investimento por 12 meses, no mínimo.
Após este prazo será possível resgatar os recursos, mas se o trabalhador não se enquadrar nas pré-condições que permitem o saque do fundo de garantia, o dinheiro resgatado apenas retornará ao FGTS.
A privatização da Eletrobras
Na noite de quinta-feira (9), a Eletrobras deixou de ser, oficialmente, uma empresa estatal. A elétrica concluiu a badalada oferta pública de ações que tinha como objetivo diluir a participação da União, resultando na privatização da companhia.
E a oferta foi um sucesso, terminando com a emissão, pela Eletrobras, de 627.675.340 novas ações e ADS na sua oferta primária, mais o lote suplementar de 104.621.528 papéis, a um preço por ação ordinária (ELET3) estabelecido em R$ 42.
Com isso, R$ 30,8 bilhões irão para os cofres da companhia, e a participação da União no capital votante cai de 72% para 40,3%.
Houve ainda uma oferta secundária de 69.801.516 ações feita pelo BNDESPar, que com isso embolsou R$ 2,9 bilhões.
No total, a oferta pública de privatização da Eletrobras movimentou R$ 33,7 bilhões, tornando-se a maior oferta de ações da bolsa brasileira em 2022 até agora.
O montante estimado, inicialmente, era de R$ 35 bilhões, mas a demanda chegou ao dobro deste valor, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Estadão.
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