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A fuga de capital e a busca por ativos de proteção fez com que o dólar à vista fechasse o dia em alta de 2,53%, a R$ 5,3814. A valorização da moeda americana pressionou o petróleo e ajudou o Ibovespa a registrar um recuo de 2,33%
Não é de hoje que o mercado financeiro pesa o risco de que a economia global enfrente uma grave recessão como efeito colateral das medidas para o controle inflacionário, mas nos últimos dias os investidores aumentaram as apostas de que esse é, de fato, um caminho inevitável.
A preocupação que antes estava quase que restrita à resposta da economia americana, agora também ganha força na Europa.
Enquanto o bloco europeu enfrenta uma guerra sem fim na Ucrânia e corre o risco de enfrentar uma grave escassez de energia durante o inverno, levando a uma revisão para baixo do crescimento dos países da UE, o Reino Unido apresentou um novo pacote de estímulos fiscais que deixou um frio na espinha.
Para muitos economistas, o corte de impostos proposto pelo governo da recém-empossada Liz Truss pode colocar o país em uma situação fiscal complicada — o que fez com que a curva de juros britânica embutisse um risco-país mais elevado do que o visto na Itália ou na Grécia, consideradas economias mais precárias dentro do Velho Continente.
A reação negativa não termina por aí. A libra esterlina se aproxima da sua mínima histórica, próxima de perder a paridade com o dólar, e as projeções para a economia são cada vez piores. Alguns dirigentes do Federal Reserve também contribuíram para a cautela generalizada ao afirmarem que a inflação segue sendo um problema e que é preciso monitorar de perto a situação nas ilhas britânicas.
A fuga de capital e a busca por ativos de proteção fez com que o dólar à vista fechasse o dia em alta de 2,53%, a R$ 5,3814. A valorização da moeda americana pressionou o petróleo e ajudou o Ibovespa a registrar um recuo de 2,33%, aos 109.114 pontos.
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A primeira-ministra do Reino Unido, Liz Truss só ocupa o cargo há 20 dias, mas já coleciona uma lista invejável de situações complicadas de se atravessar.
A mais recente é a reação negativa do mercado ao seu pacote de estímulos fiscais e a forte desvalorização da Libra que se seguiu.
A moeda oficial do Reino Unido, a libra esterlina, está vivendo um pesadelo nas últimas 24h, com a divisa atingindo a sua menor marca histórica desde o início da era decimal — a US$ 1,03.
O vilão responsável pela forte desvalorização da moeda é o pacote de estímulos anunciado na última sexta-feira. A nova primeira-ministra, Liz Truss, defende um pacote que irá reduzir impostos para cidadãos e empresas, visando incentivar o consumo. O mercado, no entanto, não acredita que as medidas serão capazes de resolver o problema que se instalou no país no pós-coronavírus.
Para alguns economistas, o pacote traz novas incertezas sobre a saúde fiscal do Reino Unido, principalmente após a curva de juros voltar a se inclinar com força.
Ao longo do dia, se especulou que o Banco da Inglaterra (BoE) pudesse realizar uma reunião de emergência nos próximos dias para elevar os juros, mas a instituição negou essa possibilidade.
A corrida em direção a um ativo de proteção afundou a libra e levou a uma forte valorização do dólar — principalmente após alguns dirigentes do Federal Reserve mostrarem preocupação.
Com a fuga dos ativos de risco, apenas duas empresas fecharam o dia no azul no Ibovespa:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| QUAL3 | Qualicorp ON | R$ 8,94 | 0,22% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 18,04 | 0,17% |
Na ponta contrária da tabela, os piores desempenhos ficaram com os setores de consumo e de commodities — principalmente as ligadas à cotação do petróleo. Confira:
| CÓDIGO | NOME | ULT | VAR |
| PETZ3 | Petz ON | R$ 10,36 | -7,17% |
| RRRP3 | 3R Petroleum ON | R$ 34,72 | -7,04% |
| NTCO3 | Natura ON | R$ 14,51 | -6,63% |
| BPAC11 | BTG Pactual units | R$ 23,72 | -6,58% |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | R$ 4,33 | -6,48% |
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