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Somada a esse cenário, a cautela prevalece com a proximidade da decisão de juros do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro
O mau humor dos investidores com o cenário internacional coloca pressão sobre as bolsas por mais um pregão seguido. Os responsáveis por esse panorama são os mesmos dos últimos dias: covid-19 na China, guerra na Ucrânia e Federal Reserve nos Estados Unidos.
Em Nova York, os índices futuros buscam uma recuperação das perdas da última sessão; enquanto isso, a Europa amanheceu no vermelho, mas também tenta reverter as perdas dos últimos dias após balanços locais. Já as bolsas da Ásia fecharam sem uma direção única.
Se, por um lado, os lockdowns em cidades chinesas começam a afetar os resultados de alguns indicadores, por outro, o lucro das grandes empresas do país teve uma expansão de 8,5% no primeiro trimestre do ano, o que limitou as perdas em Xangai.
Mas uma desaceleração econômica da China pode afetar significativamente o Brasil, o que gerou aversão ao risco por aqui. Dessa forma, o Ibovespa teve um dia de fortes perdas e fechou o pregão de terça-feira (26) em queda de 2,23%, aos 108.212 pontos.
Do lado oposto, o dólar à vista disparou com a depreciação do real e a moeda norte-americana teve alta de 2,36%, encerrando as negociações a R$ 4,9905.
Somado a isso, o dia deve ser de mais cautela para o investidor brasileiro. A agenda internacional mais vazia conta com balanços de empresas de tecnologia após o fim da sessão. Assim, as atenções se voltam para a divulgação do IPCA-15 de abril, que deve avançar mais uma vez.
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Confira o que movimenta a bolsa, o dólar e o Ibovespa hoje:
Enquanto a agenda do exterior permanece sem grandes indicadores pela frente, quem dá as caras no noticiário é a Rússia. O país está em guerra com a Ucrânia desde 24 de fevereiro e já sofreu diversas sanções internacionais — e agora, o império contra-ataca.
Assim sendo, a Gazprom — estatal russa de gás natural — anunciou que suspenderá hoje as exportações de gás para a Polônia e a Bulgária.
O corte do fornecimento do gás russo aos países europeus deve-se à falta de pagamento. Polônia e Bulgária teriam se recusado a pagar pela matéria-prima em rublos.
Moscou exigiu o pagamento em moeda russa, o que desagradou países da Europa e leste da Eurásia. Mesmo com a proximidade do verão na região e consequentemente uma menor dependência do gás russo no período, os países devem sentir o avanço das punições da Rússia contra o Ocidente.
Em números, cerca de 40% do gás importado pela União Europeia vem do país governado por Vladimir Putin. Há um temor de que a interrupção do fornecimento pressione ainda mais a inflação, devido tanto à escassez quanto ao uso em larga escala pela indústria.
E os negócios começaram a esquentar por lá: só hoje, os preços do gás na Europa subiram mais de 20% durante a manhã.
De volta para terras brasileiras, o investidor local acompanha a divulgação da prévia da inflação oficial nesta quarta-feira (27). O indicador, medido pelo IPCA-15, deve avançar mais uma vez.
Segundo apurado pelo Broadcast, a mediana das projeções aponta para uma nova alta de 1,82% na comparação com o mês anterior. Dessa maneira, o índice anualizado deve avançar 12,14%, também na mediana.
A volta da divulgação do Boletim Focus também trouxe uma deterioração do cenário inflacionário para 2022. Desde a última publicação, as projeções do IPCA avançaram quase 1 ponto percentual:
| 25/03 | 01/04 | 08/04 | 15/04 | 22/04 | |
| IPCA | 6,85% | 6,97% | 7,43% | 7,46% | 7,65% |
| PIB | +0,50% | +0,52% | +0,53% | +0,56% | +0,65% |
| Dólar | R$ 5,25 | R$ 5,20 | R$ 5,16 | R$ 5,10 | R$ 5,00 |
| Selic | 13,00% a.a. | 13,00% a.a. | 13,00% a.a. | 13,05% a.a. | 13,25% a.a. |
A próxima semana ainda conta com a divulgação da decisão de juros do Banco Central brasileiro e do Federal Reserve, seu equivalente americano.
O BC local deve acelerar a Selic em 100 pontos-base, e o cenário alternativo declarado pelo presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, se torna cada vez mais real. Para ele, a “desancoragem das expectativas com a inflação” pode fazer a instituição aumentar os juros além do esperado.
O mesmo acontece com o Fed, que acabou ficando atrás da curva inflacionária e agora corre atrás do prejuízo. Jerome Powell, presidente da instituição, voltou a falar que uma alta de 50 pontos-base nos juros pode não ser suficiente para conter a alta nos preços.
Por fim, a cereja do bolo para preocupação dos investidores com a alta dos juros deve vir apenas na sexta-feira (29), com a divulgação do índice de preços ao consumidor (PCE, em inglês).
Confira o calendário completo de balanços aqui.
Antes da abertura:
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