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Flavia Alemi

Flavia Alemi

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA. Trabalhou na Agência Estado/Broadcast e na S&P Global Platts.

compre bancão

Por que o Bank of America cortou o preço-alvo das ações dos bancos brasileiros, mas ainda recomenda comprar os papéis?

Resultados dos bancos no primeiro trimestre foram bons, mas a revisão tem mais a ver com a conjuntura macroeconômica global

Flavia Alemi
Flavia Alemi
18 de maio de 2022
17:28
pista de corrida entre bancos Itaú, Santander, Banco do Brasil; carreira
A "corrida" dos bancos - Imagem: Montagem Andrei Morais / Envato

Parece estranho escrever que o Bank of America (BofA) revisou para baixo o preço-alvo das ações dos bancos brasileiros, mesmo que eles tenham apresentado resultados consistentes no primeiro trimestre de 2022.

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Só que foi exatamente isso que aconteceu.

E, para provocar ainda mais dúvidas, o BofA continua recomendando a compra da maioria dos bancões.

Mas se os resultados do primeiro trimestre foram bons, por que o BofA cortou as estimativas de preço-alvo? A explicação tem menos a ver com os balanços e mais a ver com a conjuntura macroeconômica global.

Antes de mais nada, precisamos dar um passo atrás e detalhar um conceito da avaliação de empresas (valuation) chamado “cost of equity”, ou COE.

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O COE do valuation consiste no retorno que um investidor espera receber após aportar seu dinheiro em algum negócio. Neste caso, nos bancos brasileiros.

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(Nota: não confundir com o Certificado de Operações Estruturadas - COE, produto financeiro que mescla ativos de renda fixa e renda variável.)

Um dos componentes da equação do COE é quanto os investimentos livres de risco, como os títulos do Tesouro americano (Treasuries), estão pagando.

E, com o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos, esse parâmetro subiu - e isso eleva o COE como um todo.

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O COE, por sua vez, entra no modelo matemático do BofA para calcular os preços-alvo das ações.

E, assim, chegamos à revisão para baixo dos preços-alvos dos papéis dos bancões brasileiros:

BancoRatingPreço-alvo anteriorPreço-alvo novoPotencial de alta*
Banco do Brasil (BBAS3)CompraR$ 50R$ 4628,1%
Bradesco (BBDC4)CompraR$ 25R$ 2317,6%
Itaú Unibanco (ITUB4)CompraR$ 32R$ 3020,5%
Santander (SANB11)NeutroR$ 38R$ 3712,1%
Fonte: Bank of America
*Em relação ao fechamento de 18/05/2022.

Bancos: recomendação de compra

Conforme mostrado na tabela acima, o BofA recomenda comprar ações do Banco do Brasil (BBAS3), do Bradesco (BBDC4) e do Itaú Unibanco (ITUB4), mas não do Santander (SANB11).

O BofA revisou suas projeções para o lucro dos bancos levando em conta os resultados do primeiro trimestre.

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Assim, as estimativas para os números do Itaú e do Bradesco ficaram estáveis em relação às projeções anteriores. Ao mesmo tempo, as do Banco do Brasil subiram 7% devido a menores custos com provisões.

Por outro lado, a projeção para o lucro do Santander foi revisada para baixo em 4% por causa do aumento dos custos com provisões.

No total do setor bancário, o BofA projeta um aumento de 12% nos lucros em 2022.

No primeiro trimestre, o lucro médio dos bancos brasileiros cresceu 14% na comparação anual, acima das estimativas do BofA.

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O retorno sobre o patrimônio (ROE) médio também melhorou do quarto trimestre de 2021 para o primeiro trimestre de 2022, de 18,6% para 19,3%.

A boa performance nos primeiro três meses de 2022 foi resultado de uma combinação de fatores, segundo o BofA:

  1. Receita líquida de juros (NII) com clientes crescendo mais rápido que a carteira de crédito;
  2. Inadimplência e despesas com provisões sob controle;
  3. Crescimento das despesas abaixo da inflação.

Se essas premissas se mantiverem nos próximos trimestres, devemos ver resultados ainda mais robustos do bancos brasileiros.

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