Como a crise hídrica pode afetar sua carteira de investimentos?
A escassez de água afeta a população brasileira inteira e toca no bolso dos investidores. Neste vídeo, o analista Matheus Spiess aprofunda o assunto e entrega dicas de como se prevenir dessa crise. Confira
É certo dizer que o cenário externo afeta o preço de certos ativos, de forma indireta e direta. Sabendo disso, um dos assuntos que muito se vê estampado nas manchetes dos jornais atualmente é a crise hídrica e esse fator pode balançar alguns ativos na sua carteira de investimentos. Matheus Spiess, analista da Empiricus, explica tudo sobre o assunto neste vídeo, confira os principais pontos:
Contexto Histórico
A matriz energética brasileira é muito dependente de hidrelétricas. Nós entramos no ano de 2000 com 90% da nossa energia consumida proveniente de hidrelétricas. Esse fato fez com que o regime de chuvas sempre fosse muito importante para a realidade brasileira.
Hoje, o total de energia consumida que vem de hidrelétricas diminuiu para 60%. Mesmo assim, ainda somos bastantes dependentes da água.
Em 2012, a ex-presidente Dilma Rousseff baixou a tarifa de energia por meio da MP 579. A ideia era baratear a energia abrindo os reservatórios e subsidiando a matriz hidrelétrica. Entretanto, no longo prazo a consequência foi o desbalanceamento da matriz, na realidade, nós ainda não recuperamos o patamar estrutural dos níveis de reservatório verificados anteriormente.
Além de tudo, desde 2014, estamos vivendo períodos de secas relevantes. Os níveis de chuva estão abaixo de 75% da média.
Situação atual
É preciso sempre monitorar três fatores: nível de chuva, nível de despacho e o crescimento da demanda. Matheus Spiess conta que, desde o final do ano passado, a equipe da Empiricus já estava com pé atrás em relação ao setor de energia por conta destes pontos.
Leia Também
- Nível de despacho
Em outubro de 2020, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já havia começado a utilizar unidades térmicas e, por causa disso, instaurou a Bandeira Vermelha.
- Crescimento da demanda
Esse cenário mostrou que a produção de energia pelas hidrelétricas já estava bem enfraquecida enquanto a demanda vinha aumentando consideravelmente.
- Nível de chuva
Outro ponto que levantou suspeitas de uma crise energética foi a queda do nível de chuva entre abril e julho deste ano. A porcentagem em que ficamos abaixo da média histórica de volume da chuva foi de 56%.
Como isso afeta os seus investimentos?
Nós já estamos vendo consequências diretas e indiretas nos investimentos da população brasileira como um todo. Já é possível observar respaldos na inflação - é inclusive uma das explicações para a alta do IPCA e vemos a conta de luz cada dia mais cara.
Além disso, o aumento do preço afeta todas as companhias que utilizam energia elétrica em seu meio de produção.
Uma boa estratégia do Brasil está sendo diversificar a matriz energética. Matheus comenta sobre dois nomes de boas empresas que podem se beneficiar nesse caminho: Eneva (ENEV3) e Alupar (ALUP11):
- ENEV3 é uma geradora de energia térmica à gás, integrada a jazidas de gás. O core da empresa pode ser um ótimo motivo para sua valorização, segundo o analista.
- ALUP11 é do segmento de transmissão dentro do setor elétrico. Matheus comenta que é o segmento mais perene em termos de previsibilidade.
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