A Warren quer crescer e aparecer — e ganhou um cheque polpudo para essa missão
A corretora Warren, liderada por Tito Gusmão, recebeu um aporte de R$ 300 mi e, agora, quer se expandir; potenciais aquisições estão no radar

Uma das máximas de Warren Buffett — o homem chamado de oráculo por boa parte de Wall Street — é a de que "você não deve investir num negócio que não consegue compreender". Uma mentalidade que se aplica aos homônimos brasileiros: afinal, a corretora Warren, liderada por Tito Gusmão, acaba de receber mais um aporte milionário.
É o maior cheque já recebido pela fintech brasileira: R$ 300 milhões, vindos de um grupo liderado pelo GIC, o fundo soberano de Singapura. Ribbit Capital, QED Investors e Kaszek Ventures, além de outros velhos conhecidos da Warren que fizeram aportes no passado, também participaram dessa rodada.
Um sinal de que, de fato, há bastante compreensão quanto ao modelo de negócios da Warren. Ao oferecer produtos personalizados e carteiras que se adequam ao perfil e aos objetivos dos clientes, a plataforma rapidamente ganhou espaço na concorrida arena dos investidores pessoa física.
Serviços financeiros diversos, contas remuneradas e ausência de taxas de corretagem são outros atrativos da Warren, que já tem mais de 200 mil clientes em sua base. E, com o cheque de R$ 300 milhões, a empresa quer dar continuidade aos planos de expansão.
"Queremos mudar a indústria de investimentos no Brasil", disse Tito Gusmão, CEO da Warren, em entrevista ao Seu Dinheiro. "A turma lá de fora acredita nesse futuro".
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Essa é a terceira — e maior — rodada de aportes na corretora. Em 2019, foram R$ 25 milhões; no ano passado, outros R$ 120 milhões. Aliás, o ano de 2020 marcou um salto para a Warren: com uma oferta maior de produtos e serviços financeiros em seu portfólio, o total de ativos sob gestão passou de R$ 500 milhões para R$ 5 bilhões. A expectativa é chegar aos R$ 10 bilhões até dezembro.
O sonho de Tito, assim como de várias plataformas de investimentos fora dos grandes bancos que surgiram nos últimos anos, é conquistar o lugar que hoje pertence à XP, pioneira e líder desse mercado — o executivo, aliás, trabalhou por quase 10 anos ao lado de Guilherme Benchimol antes de fundar a Warren.
O mercado de corretoras com foco na pessoa física está particularmente aquecido no Brasil — dados da própria B3 mostram que o total de investidores com esse perfil ultrapassou a marca dos 3 milhões no ano passado, quase o dobro do que era visto em 2019.
Assim, nesse ambiente altamente competitivo, o acesso a recursos para expansão é fundamental: a XP abriu capital na Nasdaq em 2019; a Modalmais tem planos para um IPO; Empiricus e Vitreo negociam o aporte de um investidor para a holding Universa; e a Warren levantou mais R$ 300 milhões.
E tais recursos, segundo Tito, serão usados em quatro frentes: time, marketing, parcerias, e fusões e aquisições — o plano é oferecer um ecossistema cada vez mais completo e acessível aos clientes.

No front dos recursos humanos, Tito explica que, hoje, a corretora tem cerca de 400 profissionais — uma equipe que precisa ser ampliada, especialmente na área de tecnologia. "Estamos quietos, queremos fazer mais barulho", diz o CEO, ao falar sobre os esforços de marketing a serem empreendidos com o novo aporte.
O estabelecimento de novas parcerias também está entre as prioridades da Warren, que atua tanto no segmento B2C (focado no consumidor final) quanto no B2B (entre empresas) — atualmente, a corretora tem mais de 340 instituições afiliadas.
Por fim, há a fronteira do crescimento inorgânico, com o executivo não descartando potenciais fusões e aquisições no futuro para dar mais estofo ao ecossistema da corretora. "Seja para acelerar a base de clientes ou agilizar a entrega de produtos importantes", diz Tito.
Em time que está ganhando...
O CEO também ressalta que a nova rodada de aportes e o crescimento da corretora não implicam num desvio de proposta: a vertical de investimentos continua como a espinha dorsal da Warren.
Estamos aqui para ajudar as pessoas, para que elas atinjam seus objetivos — Tito Gusmão, CEO da Warren
Quanto às outras iniciativas e serviços financeiros — como a conta-corrente e a oferta de crédito —, Tito as classifica como complementares, uma vez que o objetivo primordial de quem chega à empresa é o acesso aos investimentos.
Uma postura que lembra mais uma máxima de Warren Buffet: "o risco vem de não saber o que você está fazendo". E a corretora brasileira e os investidores que assinaram o cheque de R$ 300 milhões parecem ter certeza do caminho a ser trilhado.
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