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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Mudança radical

Não foi por moralismo: por que o site OnlyFans decidiu banir a pornografia da sua plataforma

Startup decidiu proibir o conteúdo sexualmente explícito que a tornou conhecida e muitos usuários se sentiram traídos. Entenda a estratégia.

21 de agosto de 2021
18:06 - atualizado às 22:44
OnlyFans
Imagem: Shutterstock

O site OnlyFans, que cresceu e ganhou notoriedade durante a pandemia de covid-19, acabou se tornando sinônimo de "nudes" e pornografia - o que os americanos costumam chamar, puritanamente, de "conteúdo adulto".

Mas na última semana, a plataforma tomou uma decisão polêmica, que revoltou uma grande parte dos seus usuários e que, à primeira vista, pode ser interpretada como moralista: decidiu banir o conteúdo sexualmente explícito.

O que é o OnlyFans

Com 100 milhões de usuários registrados e mais de 1 milhão de criadores de conteúdo, o OnlyFans permite que criadores sejam financiados por seus seguidores ("fãs"), por meio de pagamentos diretos, de gorjetas a assinaturas, em troca de conteúdo exclusivo.

A princípio, era para ser uma plataforma que fornecesse um serviço como o Patreon, que permite aos fãs fazerem doações para seus criadores favoritos em troca de algum conteúdo exclusivo; ou o Skillshare, que os usuários assinam para poder aprender determinadas habilidades com seus influencers preferidos.

Mas como não tinha barreiras para nudez e pornografia, o OnlyFans acabou se tornando o refúgio de trabalhadores sexuais, desde aqueles que atuam apenas online até os que se viram sem a possibilidade de trabalhar presencialmente durante a pandemia, como strippers e garotos e garotas de programa.

Mesmo pessoas que não eram trabalhadores sexuais, mas perderam seus empregos durante a pandemia, viram na plataforma uma "tábua de salvação" para fazer algum dinheiro com conteúdo sexualmente explícito.

Além disso, tanto o fundador do OnlyFans, Tim Stokely, quanto outro dos seus sócios majoritários, Leonid Radvinsky, têm histórico de empreender com conteúdo adulto para a internet.

Nem toda nudez será castigada

Na quinta-feira passada, porém, o OnlyFans anunciou a decisão de banir a pornografia a partir do dia 1º de outubro, deixando para trás o tipo de conteúdo que o tornou famoso. O anúncio despertou a fúria dos criadores de conteúdo adulto, que se sentiram traídos.

O motivo é que o OnlyFans tem tido dificuldade de conseguir aportes de investidores para continuar crescendo. Mas sexo vende, não? Então qual é o problema?

A questão aqui não é a nudez ou o sexo em si - na verdade, a "nudez simples", sem conteúdo sexualmente explícito, continuará permitida. O problema é a possibilidade de haver conteúdos relacionados à exploração sexual, inclusive de menores, e tráfico humano, o que eleva substancialmente o risco do negócio.

De fato, conteúdo publicado no OnlyFans já chegou a ser investigado por essas práticas criminosas, e uma reportagem recente da BBC mostrou que a repressão a conteúdo ilegal na plataforma não é tão rígida quanto deveria ser.

Além disso, os investidores se preocupam com o fato de que muitas marcas possam não querer associar sua imagem à do OnlyFans enquanto este for um site majoritariamente de pornografia, o que cria restrições para parcerias, anúncios e outras fontes de receita. Os próprios meios de pagamento têm resistência a prestarem seus serviços a sites desta natureza.

Vale a pena investir na ação da Sinqia (SQIA3)? O repórter Victor Aguiar responde no vídeo a seguir. Assista:

Já é unicórnio

Apesar de ser uma startup, o OnlyFans já é lucrativo e foi avaliado em US$ 1 bilhão. O site cobra uma taxa de 20% das receitas dos seus criadores, que no ano passado tiveram um faturamento total de US$ 2 bilhões. Ou seja, a plataforma teve US$ 400 milhões em receita.

No entanto, seus concorrentes "mais comportados" estão melhor posicionados ante os investidores de startups de tecnologia. É o caso da Cameo, que permite a celebridades vender mensagens personalizadas a seus fãs. A startup foi avaliada em mais de US$ 1 bilhão em março, depois de receber aportes de US$ 100 milhões numa rodada de captação da qual participaram investidores como o SoftBank.

Agora, a intenção do OnlyFans é se tornar mais palatável junto ao grande público e explorar conteúdos produzidos por celebridades, atletas e influencers. A grande questão é se o site conseguirá fazer essa virada, ser bem-sucedido na mudança de imagem e ainda fazer dinheiro.

O Tumblr, por exemplo, fez um movimento similar, sem muito sucesso. No Brasil, a plataforma ficou mais conhecida como uma rede social de memes temáticos engraçados, mas no exterior ela se tornou famosa pelo conteúdo sexual.

Em 2018, porém, o Tumblr decidiu banir a postagem de conteúdo adulto na sua plataforma. Mas apenas conseguiu irritar seus usuários e criadores. Um ano depois, a companhia viu uma forte queda no número de downloads e no seu valuation.

*Com informações do Business Insider e da Bloomberg.

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