Localiza, Unidas e Movida vão a mercado em busca de R$ 5 bilhões com emissões de debêntures
Locadoras de veículos se recuperaram rapidamente da crise da covid-19 e buscam recompor o caixa em meio à escassez de componentes no setor automotivo

O setor de aluguel de veículos decidiu sair em busca de recursos no mercado com o objetivo de recompor o caixa. As empresas do ramo estiveram entre as mais afetadas pelos impactos iniciais da pandemia, no ano passado, mas têm demonstrado rápida capacidade de recuperação.
Ainda assim, o setor sofre os efeitos do choque na oferta de semicondutores, que encareceu os insumos e estagnou a produção de veículos, de um lado, e o preço elevado dos combustíveis, que reduziu a demanda, de outro.
Diante disso, os acionistas da Localiza (RENT3), da Movida (MOVI3) e da Unidas (LCAM3) decidiram nesta semana pela emissão de debêntures para reforçar seus respectivos caixas.
Confira os valores das emissões anunciadas nesta semana:
- Movida: R$ 1,75 bilhão
- Localiza: R$ 1,5 bilhão
- Unidas: R$ 1,1 bilhão
- Localiza Fleet: R$ 500 milhões
Escassez de semicondutores impacta resultados de locadoras
Somadas, as emissões chegam a quase R$ 5 bilhões. Apesar do montante, não é o endividamento que chama a atenção, mas sim o momento vivido pelo setor, que encontra dificuldade para renovar suas frotas por causa da falta de semicondutores entre os fabricantes de automóveis, observa Ruy Hungria, colunista do Seu Dinheiro e especialista em bolsa e opções na Empiricus.
A escassez de semicondutores é um fenômeno global e não se limita aos fabricantes de carros. O uso cada vez mais intensivo dos semicondutores pela indústria como um todo aumentou dramaticamente a demanda, mas uma sucessão de eventos inesperados nos últimos meses desequilibrou a oferta e atingiu em cheio a capacidade de produção do setor automobilístico.
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“Isso está atrapalhando o crescimento da frota e da receita das companhias”, disse Hungria.
De acordo com o analista, as locadoras precisam recorrer à emissão de debêntures para financiar o crescimento de suas atividades por se tratar de “um setor super intensivo em capital”, já que os carros são caros.
A recente escassez de semicondutores, porém, surge como um fator adicional de impacto sobre os resultados dessas empresas, avalia Hungria.
“Elas têm precisado deixar carros mais tempo do que o normal em atividade, o que também acaba impactando os resultados com mais gastos com manutenção, já que os carros acabam rodando mais tempo do que o de costume.”
No fim da manhã, as ações da Movida operavam em alta de 0,6% enquanto os papéis da Localiza e da Unidas recuavam cerca de 1% na B3.
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