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Avanço da vacinação, revisões de crescimento para a economia brasileira e balanços do primeiro trimestre puxam Ibovespa; mercado vê contexto favorável para novas ofertas, com seis empresas oficializando neste mês intenção de abrir capital na B3
Seis empresas oficializaram em junho a intenção de abrir capital na B3 até esta quarta-feira (9), com ao menos a minuta do prospecto da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) protocolado na CVM.
Entre as novidades está gigantesca oferta da Raízen, mas o tom dos IPOs segue majoritariamente de empresas de porte mais modesto. Completam a lista de novas ofertas Trocafone, Brisanet, Tópico, Clear Sale e Oncoclínicas.
A decisão das empresas de abrir capital na B3 é oficializada em um momento em que o Ibovespa, o principal índice da bolsa, testa níveis nominais recordes, após semanas de dificuldades para as novatas que abriram capital em meio a um mercado mais volátil.
O CEO da corretora Planner, Alan Gandelman, diz ver as próximas ofertas de ações beneficiadas pelo contexto de otimismo, com o avanço da vacinação contra a covid-19 e revisões para cima do crescimento da economia brasileira, após o PIB do primeiro trimestre surpreender analistas.
O especialista cita ainda o dólar em queda e os resultados positivos das empresas no primeiro trimestre como fatores que podem contribuir para atrair os investidores. "Será uma janela [de oferta de ações] interessante porque existe apetite um pouco maior", diz
Gandelman lembra que é preciso analisar "empresa por empresa" antes de embarcar no negócio, mas diz que a diversidade de setores indo à bolsa por si só é positiva.
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Com as novidades de junho, a CVM já soma 37 empresas na lista para realizar o IPO na B3. No início do ano, a XP chegou a estimar até 100 ofertas públicas iniciais em 2021.
Em um curto prazo, o mercado espera que as ofertas movimentem até R$ 30 bilhões em negócios, depois de a janela terminada em maio ter movimentado R$ 18 bilhões. No ano passado, os IPOs movimentaram pouco mais de R$ 110 bilhões.
Veja os destaques das ofertas oficializadas em junho, que devem seguir nos próximos meses:
Um dos principais destaques do segundo semestre, a Raízen deve movimentar entre R$ 10 bilhões e R$ 13 bilhões, no que deve ser um dos maiores IPOs da história da B3.
A empresa, uma joint venture entre a Cosan e a Shell, pediu registro no Nível 2 na B3, com a venda de ações preferenciais — sem direito a voto, mas com preferência no pagamento de dividendos.
A companhia diz ser líder mundial em biocombustíveis e uma referência global em sustentabilidade, "na vanguarda de importantes tendências internacionais em transição energética, desenvolvendo soluções com baixa emissão de carbono".
Estão entre os planos da Raízen a aposta em etanol de segunda geração (E2G), em biogás e na produção de "pellets" de cana-de-açúcar para a exportação. O grupo também quer expandir a geração de energia solar e aumentar a rede de lojas de conveniência em postos de combustíveis.
No exercício anual encerrado em março, a Raízen teve lucro líquido de R$ 1,5 bilhão, queda de 35,4%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançou R$ 8,3 bilhões, baixa de 7,5%. A receita somou R$ 114,6 bilhões, em uma redução anual de 5%.
O setor de saúde na B3, que tem protagonizado ofertas gigantes e aquisições importantes para a consolidação nacional, vai ganhar mais uma companhia: a Oncoclínicas.
A empresa, no entanto, atua especificamente como rede de clínicas de tratamento contra o câncer. Criada em 2010, em Belo Horizonte (MG), a companhia diz ter a maior receita entre os pares privados do setor na América Latina.
A estrutura da companhia inclui 69 unidades, com clínicas e laboratórios em 20 cidades brasileiras. A Oncoclínicas tem ainda um laboratório de bioinformática nos Estados Unidos.
No ano passado, a rede de clínicas registrou receita líquida de R$ 2,04 bilhões, alta de 20,4% sobre 2019, com a margem Ebitda de 15,36%. A empresa quer usar os recursos da oferta de ações para financiar sua expansão, que deve envolver a aquisição de outras empresas.
A operação tem coordenação do Goldman Sachs, que é controlador indireto da companhia, Itaú BBA, Citi, UBS-BB, Santander e JPMorgan. Fundos de investimento Josephina venderão uma fatia no negócio.
Outra frente que deve seguir dando as caras na B3 é a de tecnologia. Trocafone, Brisanet, Tópico e Clear Sales deixaram clara a intenção de vender uma tese "tech" em suas ofertas.
A Trocafone tem uma plataforma de compra e venda de aparelhos celulares seminovos. A companhia atua por meio de parcerias com varejistas, empresas de telecomunicações e Original Equipment Manufacturers (OEMs) e pelo canal C2B (para consumidores).
No ano passado, a companhia teve receita líquida de R$ 199 milhões. Com os recursos do IPO, a Trocafone quer acelerar fusões e aquisições, investir em marketing, reforçar o capital de giro e expandir a atuação na América Latina.
A empresa também planeja uma oferta secundária. A operação tem coordenação de Itaú BBA (líder), BTG Pactual, Goldman Sachs e UBS Brasil.
Criada há 22 anos, a empresa tem sede no Ceará e quer usar os recursos do IPO para expandir sua rede própria e para aportar capital na Agility. A oferta também deve permitir a saída de 11 sócios pessoa física. A coordendação da operação é de Santander, XP, BTG Pactual e UBS-BB.
A companhia é especializada no segmento de venda e locação de galpões, tendas e coberturas em lona ou zinco, atendendo diversos segmentos econômicos, mas com forte presença no agronegócio e nas indústrias de fertilizantes e açúcar.
No ano passado, a empresa teve lucro líquido de R$ 23,3 milhões, com margem bruta de 45%. O resultado, diz a companhia, reflete um plano estratégico iniciado em 2014, após a aquisição da divisão de armazenagem da Nautika Coberturas.
Fundada em 2001, a empresa tem escritórios nos EUA e no México, mas diz analisar transações de mais de 160 países. No ano passado, a receita líquida da companhia foi de R$ 345,6 milhões, ante R$ 208,5 milhões em 2019.
Gandra Participações, Innova Capital e outros 49 acionistas pessoa física devem vender os papéis na oferta. Os recursos da oferta primária devem ser usados para crescimento orgânico, inovação e fusões e aquisições.
O coordenador líder é Itaú BBA, com Bank of America, Banco Múltiplo (agente estabilizador), Santander e BTG Pactual.
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