Alívio para Minerva (BEEF3): Sinal verde para acordo entre UE e Mercosul abre portas depois de a China cortar asinhas do Brasil
Analistas veem impacto positivo para a cadeia de carnes com a abertura do mercado europeu, mas alertam que o acordo não é suficiente para substituir a China no curto prazo

Depois de quase três décadas de negociação, a União Europeia aprovou um acordo comercial histórico com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura — já na próxima semana — de um dos maiores tratados de livre-comércio do mundo.
O avanço deve gerar impactos relevantes para setores-chave do agronegócio brasileiro, com destaque para a cadeia da carne bovina, apontada como a principal beneficiada por analistas com quem o Seu Dinheiro conversou.
E, logo de cara, a Minerva (BEEF3) pode se beneficiar, depois de sofrer com os limites de importação impostos pela China. A ação está em alta de 1,74% por volta das 12h40. No mesmo horário, o principal índice de ações da B3 avançava 0,66% segundo dados da B3, aos 163.850,07 pontos.
Isso porque o produto é destaque importante na pauta exportadora para o bloco europeu. Entre janeiro e novembro de 2025, o volume de exportações para o continente bateu US$ 820,15 milhões, um salto de 83,2% em relação ao mesmo período de 2024. A UE fica atrás só da China quando o assunto é esse.

Mercado premium
“O setor de carnes é um dos que mais vai se beneficiar, até por questões que envolvem o mercado europeu, que tem visto um declínio amplo na produção interna. Esse acordo ajuda muito na diversificação da nossa pauta exportadora, que é muito dependente da China e sofreu bastante com as salvaguardas impostas pelo país asiático”, afirmou Fernando Iglesias, analista de proteína animal da Safras & Mercado.
Iglesias também destaca que o acordo é atrativo para o setor não apenas pelo volume exportado, mas sobretudo porque envolve um mercado que remunera melhor.
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Cabe lembrar que, no caso da carne bovina, é preciso fazer uma distinção: os cortes do dianteiro, que vêm da parte da frente do animal, são mais baratos e acessíveis e hoje dominam a pauta de exportação brasileira, ainda concentrada em produtos de menor valor agregado.
Já os cortes do traseiro, provenientes da parte posterior do animal, têm preço mais elevado — como alcatra, filé-mignon e picanha — e são os mais valorizados pelo mercado, especialmente na alta gastronomia.
Iglesias ressalta que o acordo deve fomentar um impulso na exportação desses produtos com maior valor agregado, remunerando melhor tanto a indústria quando os frigoríficos. “É esse tipo de produto que o Brasil pode conseguir começar a colocar dentro de um mercado que é muito mais exigente”, diz.
Alívio para a Minerva (BEEF3)?
A notícia pode servir como um alento para as ações da Minerva (BEEF3), que vêm sofrendo na bolsa desde que a China impôs limites ao volume de carne bovina que o Brasil pode exportar para lá no final de dezembro.
Os papéis vêm sendo os mais afetados pelas salvaguardas chinesas porque a companhia opera no Brasil — um dos países mais atingidos pela medida, ao lado da Austrália. Mais da metade das exportações brasileiras da empresa têm como destino a China.
No terceiro trimestre de 2025, cerca de 59% da receita do segmento de carne bovina da Minerva veio da China, segundo dados mais recentes disponíveis. Na visão do Santander, a companhia também é a mais afetada pela medida.
Com o acordo com a UE, a empresa pode ter um certo alívio, já que isso representa a abertura de um novo mercado — justamente o que seria necessário para a empresa dissipar os efeitos das taxas chinesas.
No entanto, Iglesias não olha para o sinal verde da UE como algo transformacional para a Minerva.
“No mercado de carne bovina, o acordo, por si só, não resolve o problema. O Mercosul–União Europeia ajuda, mas é insuficiente, porque o Brasil precisa acessar muito mais mercados para compensar a menor demanda chinesa”, diz o analista ao Seu Dinheiro.
Segundo Fernando, a mudança no perfil de compras da China representa uma redução de algo entre 400 mil e 500 mil toneladas por ano — um volume difícil de repor. “Isso não se encontra facilmente. É muito complicado substituir”, afirma.
Assim, o cenário mais provável é a maior participação de cortes destinados à União Europeia.
Como ficam JBS e MBRF?
Na visão de Iglesias, também deve haver impacto positivo para essas companhias, que não vinham sofrendo tanto quando a Minerva por estarem posicionadas em segmentos diferentes.
“Além da carne bovina, o acordo também contempla a carne de frango e a carne suína. O impacto tende a ser mais relevante para o frango, já que a Europa é um dos principais mercados para esse produto brasileiro. No caso da carne suína, o efeito é mais limitado, porque a produção europeia é bastante representativa”, destaca o analista.
Conteúdo Empiricus
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