Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas

Haja máscara de oxigênio para a Azul (AZUL54). As ações da aérea caíram cerca de 50% na bolsa de valores no pregão desta sexta-feira (2), negociadas a R$ 902, na esteira dos últimos desdobramentos envolvendo a recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11, a lei de falências de lá).
Nos últimos 5 dias, os papéis perdem quase 67% do valor. Embora não haja um só motivo para as ações estarem sendo dizimadas há dias, o contexto geral da empresa pode ajudar a explicar o tombo que temos visto.
O que está acontecendo com as ações da Azul?
A Azul tem avançado em seu processo de recuperação judicial nos EUA, tomando medidas que, embora deem fôlego financeiro para a empresa, têm um custo bem alto para os investidores: a diluição.
Cabe lembrar que desde o final de dezembro, a companhia vem sendo negociada na bolsa em lotes de 10 mil papéis, sob o ticker AZUL54. Isso faz parte de uma operação que transforma dívida em capital. Para tal, a companhia vai emitir um volume massivo de papéis.
O Bradesco BBI aponta que, dado o preço definido para a conversão, é esperada grande diluição de patrimônio para os acionistas já existentes.
Em paralelo, a Azul convocou os acionistas para assembleias no dia 12 de janeiro para votar a proposta de acabar com as ações preferenciais, AZUL4, transformando todo o capital da companhia em ações ordinárias, AZUL3.
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Segundo a administração, a conversão é uma exigência do plano de recuperação aprovado pela Justiça norte-americana e já havia sido comunicada ao mercado em fato relevante divulgado em dezembro.
Ao simplificar sua estrutura acionária, a Azul busca concluir uma das etapas mais sensíveis do processo de reorganização, que envolve capitalização de créditos, renegociação de dívidas e reorganização dos direitos entre acionistas e credores.
Para os atuais acionistas ordinários, a conversão implica diluição do poder de voto, já que haverá um aumento expressivo no número de ações com esse direito em circulação.
Além disso, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou na semana passada uma operação estratégica para a companhia, mas que também custa diluição aos acionistas.
A Superintendência-Geral do órgão aprovou, sem restrições, ato de concentração entre as empresas aéreas United Airlines e Azul. De acordo com o parecer sobre o negócio, a operação consiste na aquisição, pela norte-americana, de uma participação minoritária do capital social da brasileira.
Na transação, a United Airlines se comprometeu a adquirir aproximadamente US$ 100 milhões em ações ordinárias da Azul, o que representará um acréscimo nos direitos econômicos de 2,02% para aproximadamente 8%.
O parecer esclarece que a entrada de capital ocorre por duas operações distintas, mas coordenadas: uma oferta pública de ações de até US$ 650 milhões, aberta ao mercado e já aprovada pela Justiça dos EUA; e um aumento de capital separado, direcionado a parceiros estratégicos, como a United Airlines, responsável por um aporte específico de US$ 100 milhões.
O que mais mexe com as ações?
No meio de tudo isso, a companhia divulgou os dados operacionais de novembro no dia 29 de dezembro. No período, a companhia aérea registrou receita líquida total de R$ 1,817 bilhão. O resultado operacional ajustado, desconsiderando itens não recorrentes relacionados à reestruturação, somou R$ 392,1 milhões, o que corresponde a uma margem operacional de 21,6%.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou R$ 621,8 milhões, com margem Ebitda ajustada de 34,2%.
No fim de novembro, a Azul possuía R$ 1,348 bilhão em caixa e equivalentes de caixa e aplicações financeiras de curto prazo, enquanto as contas a receber totalizavam R$ 3,749 bilhões.
As informações são preliminares e não auditadas e têm como objetivo manter o mercado informado sobre a evolução da posição financeira e operacional da companhia ao longo de seu processo de reestruturação, afirmou a Azul no comunicado.
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