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Medo de ingerência política na Petrobras pesa, após fala de Bolsonaro; mercados internacionais têm menos ímpeto, após Ásia fechar no vermelho
O dia começou com o Ibovespa superando o fôlego visto no exterior, mas, ao longo da manhã, as incertezas locais voltaram ao primeiro plano e o cenário se inverteu ao longo desta nesta quinta-feira.
Lá fora, as bolsas americanas ganharam impulso após dados melhores do que o esperado da economia jogarem para baixo do tapete o movimento de realização de lucros que vinha se anunciando. Enquanto isso, no Brasil, os investidores se viram resgatando velhos medos, o que superou o noticiário corporativo positivo.
Segundo Regis Chinchila, analista da Terra Investimento, uma dessas incertezas que voltaram a rondar o mercado é o medo de ingerência política na Petrobras. A fala do presidente Jair Bolsonaro — de que amanhã o governo deve tratar de um assunto de extrema importância (combustíveis) — acendeu o alerta amarelo.
Por volta das 17h, o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,23%, aos 119.444,96 pontos. Mais cedo, o Ibovespa chegou a voltar ao patamar dos 120 mil pontos.
O dólar também operou instável em parte do dia, mas no começo da tarde ganhou força. No mesmo horário, a divisa tinha alta de 1,47%, a R$ 5,4488 — de manhã, havia recuado 0,25%.
Esse movimento do câmbio está ligado a uma percepção de recuperação maior da economia americana, após dados positivos do mercado de trabalho, o que reverte a visão de que a divisa continuaria se desvalorizando.
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Refletindo o clima um pouco mais cauteloso, o mercado de juros futuros opera em alta na ponta mais longa. Confira as taxas de hoje:
As eleições legislativas e a movimentação da equipe econômica em Brasília continuam sendo um fator extra para o bom desempenho do mercado local. Depois do pleito, os investidores ficam de olho nos primeiros passos de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, novos chefes das casas legislativas.
Ontem, Lira e Pacheco reafirmaram um compromisso com o teto fiscal e com as reformas. O governo federal também se movimentou, enviando ao Legislativo uma lista de projetos prioritários da agenda, que, dentre outras pautas, conta com a MP que propõe a privatização da Eletrobras.
Os investidores também seguem entusiasmados com os resultados apresentados pelos três maiores bancos privados do país nos últimos dias. Depois de Itaú e Santander, ontem a noite foi a vez do Bradesco divulgar os seus números. O bancão apresentou o seu melhor trimestre histórico, embora tenha apresentado um recuo de 24,8% no lucro na base anual.
A Vale, que divulgou o seu resultado de produção de 2020, também deve ficar na mira do mercado. Mesmo com a queda de 0,5% na produção de minério de ferro em 2020, a mineradora espera atingir a sua meta em 2022. No entanto, a companhia tem dificuldade para ter uma reação positiva.
O anúncio do acordo definitivo entre a companhia e o governo de Minas Gerais sobre Brumadinho tirou uma incerteza do radar, mas veio acima das provisões realizadas pela companhia. Segundo a Vale, o acordo levará a uma despesa adicional de R$ 19,8 bilhões no exercício de 2020.
Aproveitando que a notícia já vinha sendo precificada nos últimos dias, a mineradora acaba cedendo a uma trajetória de realização de lucros. Depois de subir mais de 2,7%, a companhia opera em leve queda.
O governo federal parece finalmente ter acordado e agora corre para garantir um número suficiente de vacinas para imunizar a população contra a covid-19. Se nas últimas semanas o ritmo de vacinação em solo nacional causou apreensão, as novas notícias devem trazer um pouco de alívio ao cenário local.
O governo brasileiro negocia 30 milhões de doses da vacina Sputnik V, fabricada pela Rússia, e conversa também com a Índia, outro país que desenvolveu o seu próprio imunizante. Para facilitar a aquisição das doses, a Anvisa simplificou o processo para conceder o aval de utilização, derrubando a obrigatoriedade da existência de testes de fase três no país. Se a negociação caminhar, o imunizante deve estar disponível já em fevereiro.
Após alguns dias de recuperação, os mercados internacionais mostram menos ímpeto para manter o ritmo de ganhos. Após um pregão no vermelho na Ásia, as bolsas americanas operam em alta - de olho também nas negociações entre democratas e republicanos em torno do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão.
O mercado americano deve ter um empurrãozinho extra dos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego. O país registrou uma queda muito maior do que a projetada. Segundo o Departamento do Trabalho do país, foram 779 mil pedidos, contra os 830 mil previstos. Ontem, o relatório de emprego do setor privado já havia mostrado uma recuperação mais expressiva da economia americana.
A repercussão da temporada de balanços sustenta as bolsas europeias no azul nesta manhã, ainda que sem muito fôlego para ganhar patamares mais elevados. A exceção fica com a bolsa inglesa, que repercute a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra.
Depois do desempenho acima das expectativas em 2020, tanto as ações ON quanto as PN do Bradesco aparecem entre as maiores altas do dia. Com uma cenário mais favorável à retomada econômica diante a aceleração do processo de vacinação, setores "perdedores" da crise passam por um dia de recuperação. O principal destaque fica com a Braskem, que avança com a retomada das atividades em Maceió. Confira as maiores altas do pregão desta quinta-feira (04):
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO | VALOR |
| BRKM5 | Braskem PNA | R$ 29,80 | 3,22% |
| BBDC3 | Bradesco ON | R$ 22,84 | 2,98% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 20,05 | 2,72% |
| AZUL4 | Azul PN | R$ 43,65 | 2,68% |
| BBDC4 | Bradesco PN | R$ 25,92 | 2,65% |
Confira também as maiores quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| YDUQ3 | Yduqs ON | R$ 33,14 | -3,63% |
| JHSF3 | JHSF ON | R$ 7,61 | -3,43% |
| BTOW3 | B2W ON | R$ 87,39 | -3,32% |
| COGN3 | Cogna ON | R$ 4,60 | -2,95% |
| WEGE3 | Weg ON | R$ 86,10 | -2,90% |
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