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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

mercados hoje

Ibovespa descola do exterior e cede após três dias de alta; dólar sobe a R$ 5,41

Medo de ingerência política na Petrobras pesa, após fala de Bolsonaro; mercados internacionais têm menos ímpeto, após Ásia fechar no vermelho

Jasmine Olga
Jasmine Olga
4 de fevereiro de 2021
10:46 - atualizado às 18:40
Selo Mercados Urso Baixa
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O dia começou com o Ibovespa superando o fôlego visto no exterior, mas, ao longo da manhã, as incertezas locais voltaram ao primeiro plano e o cenário se inverteu ao longo desta nesta quinta-feira.  

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Lá fora, as bolsas americanas ganharam impulso após dados melhores do que o esperado da economia jogarem para baixo do tapete o movimento de realização de lucros que vinha se anunciando. Enquanto isso, no Brasil, os investidores se viram resgatando velhos medos, o que superou o noticiário corporativo positivo.

Segundo Regis Chinchila, analista da Terra Investimento, uma dessas incertezas que voltaram a rondar o mercado é o medo de ingerência política na Petrobras. A fala do presidente Jair Bolsonaro — de que amanhã o governo deve tratar de um assunto de extrema importância (combustíveis) — acendeu o alerta amarelo.

Por volta das 17h, o principal índice da bolsa brasileira operava em queda de 0,23%, aos 119.444,96 pontos. Mais cedo, o Ibovespa chegou a voltar ao patamar dos 120 mil pontos.

O dólar também operou instável em parte do dia, mas no começo da tarde ganhou força. No mesmo horário, a divisa tinha alta de 1,47%, a R$ 5,4488 — de manhã, havia recuado 0,25%.

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Esse movimento do câmbio está ligado a uma percepção de recuperação maior da economia americana, após dados positivos do mercado de trabalho, o que reverte a visão de que a divisa continuaria se desvalorizando.

Leia Também

Refletindo o clima um pouco mais cauteloso, o mercado de juros futuros opera em alta na ponta mais longa. Confira as taxas de hoje:

  • Janeiro/2022: de 3,34% para 3,35%
  • Janeiro/2023: de 4,79% para 4,86%
  • Janeiro/2025: de 6,19% para 6,28%
  • Janeiro/2027: de 6,90% para 6,94%

Ainda na ressaca

As eleições legislativas e a movimentação da equipe econômica em Brasília continuam sendo um fator extra para o bom desempenho do mercado local. Depois do pleito, os investidores ficam de olho nos primeiros passos de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, novos chefes das casas legislativas.

Ontem, Lira e Pacheco reafirmaram um compromisso com o teto fiscal e com as reformas. O governo federal também se movimentou, enviando ao Legislativo uma lista de projetos prioritários da agenda, que, dentre outras pautas, conta com a MP que propõe a privatização da Eletrobras.

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Os investidores também seguem entusiasmados com os resultados apresentados pelos três maiores bancos privados do país nos últimos dias.  Depois de Itaú e Santander, ontem a noite foi a vez do Bradesco divulgar os seus números. O bancão apresentou o seu melhor trimestre histórico, embora tenha apresentado um recuo de 24,8% no lucro na base anual. 

A Vale, que divulgou o seu resultado de produção de 2020, também deve ficar na mira do mercado. Mesmo com a queda de 0,5% na produção de minério de ferro em 2020, a mineradora espera atingir a sua meta em 2022. No entanto, a companhia tem dificuldade para ter uma reação positiva.

O anúncio do acordo definitivo entre a companhia e o governo de Minas Gerais sobre Brumadinho tirou uma incerteza do radar, mas veio acima das provisões realizadas pela companhia. Segundo a Vale, o acordo levará a uma despesa adicional de R$ 19,8 bilhões no exercício de 2020.

Aproveitando que a notícia já vinha sendo precificada nos últimos dias, a mineradora acaba cedendo a uma trajetória de realização de lucros. Depois de subir mais de 2,7%, a companhia opera em leve queda.

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Correndo atrás

O governo federal parece finalmente ter acordado e agora corre para garantir um número suficiente de vacinas para imunizar a população contra a covid-19. Se nas últimas semanas o ritmo de vacinação em solo nacional causou apreensão, as novas notícias devem trazer um pouco de alívio ao cenário local. 

O governo brasileiro negocia 30 milhões de doses da vacina Sputnik V, fabricada pela Rússia, e conversa também com a Índia, outro país que desenvolveu o seu próprio imunizante. Para facilitar a aquisição das doses, a Anvisa simplificou o processo para conceder o aval de utilização, derrubando a obrigatoriedade da existência de testes de fase três no país. Se a negociação caminhar, o imunizante deve estar disponível já em fevereiro.

Pé no freio

Após alguns dias de recuperação, os mercados internacionais mostram menos ímpeto para manter o ritmo de ganhos. Após um pregão no vermelho na Ásia, as bolsas americanas operam em alta - de olho também nas negociações entre democratas e republicanos em torno do pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão.

O mercado americano deve ter um empurrãozinho extra dos dados semanais de pedidos de auxílio-desemprego. O país registrou uma queda muito maior do que a projetada. Segundo o Departamento do Trabalho do país, foram 779 mil pedidos, contra os 830 mil previstos. Ontem, o relatório de emprego do setor privado já havia mostrado uma recuperação mais expressiva da economia americana.

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A repercussão da temporada de balanços sustenta as bolsas europeias no azul nesta manhã, ainda que sem muito fôlego para ganhar patamares mais elevados. A exceção fica com a bolsa inglesa, que repercute a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra.

Sobe e desce

Depois do desempenho acima das expectativas em 2020, tanto as ações ON quanto as PN do Bradesco aparecem entre as maiores altas do dia. Com uma cenário mais favorável à retomada econômica diante a aceleração do processo de vacinação, setores "perdedores" da crise passam por um dia de recuperação. O principal destaque fica com a Braskem, que avança com a retomada das atividades em Maceió. Confira as maiores altas do pregão desta quinta-feira (04):

CÓDIGONOMEVARIAÇÃOVALOR
BRKM5Braskem PNAR$ 29,80 3,22%
BBDC3Bradesco ONR$ 22,84 2,98%
CVCB3CVC ONR$ 20,05 2,72%
AZUL4Azul PNR$ 43,65 2,68%
BBDC4Bradesco PNR$ 25,92 2,65%

Confira também as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
YDUQ3Yduqs ONR$ 33,14 -3,63%
JHSF3JHSF ONR$ 7,61 -3,43%
BTOW3B2W ONR$ 87,39 -3,32%
COGN3Cogna ONR$ 4,60 -2,95%
WEGE3Weg ONR$ 86,10 -2,90%

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