Itaú (ITUB4) e Vale (VALE3) são as ações mais indicadas por corretoras em setembro; conheça as outras favoritas para o mês
A campeã de indicações nesse mês está nas etapas finais de um processo de divórcio que deverá destravar valor para os acionistas

Salvo algumas exceções, o divórcio costuma ser um processo lento, custoso e com prejuízo garantido para pelo menos uma das partes envolvidas.
Já no mercado financeiro — onde a carga emocional dos filhos e os palpites dos parentes são substituídos pela frieza dos números e objetividade dos analistas —, quando duas empresas decidem seguir caminhos diferentes, o resultado da divisão de bens pode ser muito lucrativo.
Esse é o caso do Itaú Unibanco (ITUB4), o campeão de indicações das corretoras dentro das carteiras recomendadas de ações para o mês de setembro.
O maior banco privado brasileiro anunciou em dezembro do ano passado a separação da XP. Com o fim do casamento — motivado pela decisão do Banco Central que proibiu o Itaú de comprar o controle da corretora —, a instituição financeira deverá destravar valor para os acionistas.
Isso acontece porque, na época da união — firmada em 2017 com a compra de 49,9% da corretora — a XP valia cerca de R$ 12 bilhões. Esse valor passou por um salto digno de nota nos últimos anos e já chega aos R$ 140 bilhões.
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Após a última etapa do divórcio, os investidores de ações do Itaú receberão papéis da XP, que poderão ser vendidos por meio de BDRs ou na Nasdaq, onde a corretora está listada.
Com acionistas e analistas felizes, o Itaú assegurou, pela segunda vez consecutiva, o primeiro lugar entre as ações preferidas do mês, indicado por seis corretoras.
Além do banco, e para deixar o nosso pódio idêntico ao do mês passado, completa a lista a Vale (VALE3), empresa cujo casamento com os analistas não dá sinais de acabar tão cedo. A mineradora já está presente entre as Ações do Mês do Seu Dinheiro há 21 meses consecutivos e, indicada por quatro corretoras, emendou mais uma segunda colocação.
Cabe destacar também as ações que, apesar de não subirem aos postos mais altos do pódio neste mês, garantiram uma medalha de bronze com duas menções cada. São elas: B3 (B3SA3), Gerdau (GGBR3) e Klabin (KLBN11).
Confira aqui todos os papéis apontados pelas 14 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro:
Entendendo a Ação do Mês: todos os meses o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.
Nesta reportagem vamos explicar o contexto oportuno do Itaú (ITUB4) e da Vale (VALE3), mas desde já você pode salvar e compartilhar esse conteúdo pelo nosso Instagram (aproveite para nos seguir clicando aqui). Lá entregamos aos leitores análises de investimentos, notícias relevantes para o seu patrimônio, oportunidades de compra na bolsa, insights sobre carreira e empreendedorismo e muito mais. Veja abaixo:
Itaú Unibanco (ITUB4) — caixa de “bancão” com visão de fintech
O campeão do mês passado entre as Ações do Mês ainda teve fôlego para garantir mais uma medalha de ouro na nossa seleção de ações mais recomendadas para o mês.
O Itaú Unibanco (ITUB4) manteve-se entre os favoritos das corretoras Ativa, Nova Futura e Planner e entrou para o top 3 da Guide, Modalmais e Santander em setembro. Quem seguiu a recomendação do mês anterior e colocou a ação em sua carteira, garantiu uma valorização de 0,75% em agosto, enquanto o Ibovespa recuou 2,48%.
Além do bom balanço do segundo trimestre, o Itaú indicou que está disposto a perseguir as fintechs em seu próprio terreno. A empresa adicionou 4,7 milhões de CPFs ao seu número de clientes por meio de canais online, enquanto o Iti, que evoluiu de carteira digital para um banco 100% digital, também celebrou a marca de 7,8 milhões de usuários em junho.
O plano de expansão digital é um dos destaques da recomendação da Ativa. Para os analistas, o Iti agrega novos produtos e serviços à plataforma e “com um cadastro fácil, deve chegar até 15 milhões de clientes até o final de 2021”.
Segundo o projeto iVarejo 2030, o Itaú quer quadruplicar suas vendas digitais até 2025. O objetivo é que 50% de suas receitas venham desses canais no mesmo ano. A corretora destaca ainda que os investimentos em tecnologia e a consequente redução no número de agências trarão ganhos de eficiência e rentabilidade ao banco.
Mas, nem só de batalhas digitais são feitos os planos do Itaú para seguir em alta nos próximos trimestres. Segundo o CEO da empresa, Milton Maluhy Filho, o banco aposta na retomada de crédito pessoal, especialmente do empréstimo e cheque especial, para seguir apresentando resultados que surpreendam o mercado.
Como já adiantamos no início do texto, os investidores também aguardam a finalização do divórcio com a XP. Para isso, resta apenas esperar que a incorporação da XPart — empresa do grupo Itaú criada no processo de separação — seja aprovada em assembleias gerais extraordinárias marcadas para o dia 1º de outubro.
Com a conclusão do processo, os acionistas controladores de Itaú, Itaú Unibanco Participações e Itaúsa, além dos titulares de ADRs, receberão ações Classe A da XP. Já os demais acionistas ficarão com BDRs de emissão da corretora.
Vale (VALE3) — não sai do topo
A Vale (VALE3) não sai dessa seleção há 21 meses consecutivos. Em um mercado tão volátil quanto o de ações, contar com a confiança certeira dos analistas há quase dois anos não é para qualquer empresa.
Em setembro, a mineradora seguiu nos top 3 da Órama, Necton e Santander e passou a fazer parte também das indicações preferidas da Ágora.
Se nenhuma das nossas justificativas mensais para o favoritismo da empresa foi capaz de te convencer a colocá-la em sua carteira, então deixe os números mostrarem do que a mineradora é capaz.
Quem seguiu a recomendação desde janeiro de 2020 já capturou uma valorização de 102,67% nos papéis. E, segundo indicam as corretoras, nem mesmo a queda nos preços do minério de ferro deve impedir que esse percentual siga crescendo.
A commodity acumulou perdas de 15,3% no porto de Qingdao, referência utilizada para os preços, e segue pressionada por notícias vindas da China. O país asiático está em uma verdadeira caçada contra o que considera “especulações excessivas” com os preços do minério e impõe limites produtivos e regulatórios para controlar as cotações.
“A companhia possui algumas plantas que estão paradas e, mesmo que a demanda por minério aumente, será possível honrar os pedidos sem grandes problemas. Seu robusto pagamento de dividendos semestrais é um grande atrativo e uma forma de balancear nossa carteira de investimentos com uma empresa bastante sólida”, destaca a Órama.
Apresentamos no nosso YouTube uma análise do por que a Vale (VALE3) está barata em relação aos seus pares internacionais. Confira abaixo e aproveite para se inscrever no nosso canal neste link:
Já a Ágora aponta que, com os preços da commodity negociados mais próximos dos níveis adequados segundo os fundamentos de oferta e demanda, “os investidores podem ficar mais confortáveis com a compra de ações da Vale após a recente queda nos preços”.
Além disso, a empresa conseguiu evitar um possível prejuízo bilionário ao seu caixa ligado à Samarco. A mineradora é, junto com a australiana BHP Billiton, uma das sócias da empresa que foi palco da tragédia em Mariana (MG), em 2015, e que está atualmente em processo de recuperação judicial.
Os credores da Samarco acusavam as duas sócias de se blindarem na ação e transferirem o encargo pelo pagamento do passivo ambiental unicamente à mineradora. Por isso, pediam que o processo judicial fosse suspenso e que as empresas arcassem com todas as dívidas previstas na recuperação.
Para o alívio dos acionistas, a solicitação foi negada pela Justiça e o processo seguirá seu curso natural
Retrospectiva — mês do desgosto para (quase) todos
Agosto mais uma vez confirmou sua fama de mês do desgosto quando se trata dos investimentos em bolsa, com o Ibovespa recuando -2,48% e apagando os ganhos no ano no período.
Os resultados em sua maioria positivos divulgados pelas empresas no período não foram capazes de balancear a queda dos preços das commodities e o aprofundamento da crise política no país.
Como resultado, a maior parte das ações recomendadas em agosto tiveram desempenhos negativos, com destaque para a queda brusca de 42,22% da Méliuz (CASH3). Quem liderou o lado positivo da tabela foi a Ambipar (AMBP3), que subiu 26,84%.
O campeão do mês, Itaú Unibanco (ITUB4), conseguiu segurar as pontas e avançou 0,75% no período. Já a Vale (VALE3), que foi medalha de prata, amargou um recuo de 11,02% no período, acompanhando a queda do minério de ferro.
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