Com Itaú e um ativo internacional no pódio, confira as ações mais indicadas pelas corretoras em outubro
A segunda colocada deste mês roubou os holofotes da campeã ao marcar a primeira aparição de um ativo internacional no pódio

Com a Vale (VALE3) presente no pódio há quase dois anos e o Itaú (ITUB4) começando a despontar como favorita dos analistas, já estava ficando difícil surpreender o leitor da Ação do Mês do Seu Dinheiro.
Mas eis que, em outubro, a mineradora sentiu o peso da queda do minério de ferro e finalmente largou o osso, abrindo espaço para que, pela primeira vez desde o início deste formato de seleção, um ativo internacional aparecesse entre os mais recomendados pelos analistas.
Em um mês marcado mais uma vez pelo mau desempenho das ações e pela valorização do dólar, o melhor investimento de setembro, um fundo de índice que permite a exposição direta à moeda norte-americana, despontou entre os favoritos: o ETF iShares S&P 500 (IVVB11).
Para quem ainda não está familiarizado com essa classe de investimentos — que começou tímida no mercado brasileiro, mas tem se tornado cada vez mais popular e já virou até alvo de disputa entre as corretoras —, uma breve explicação: os ETFs (do inglês inglês Exchange Traded Funds) são fundos de investimento que utilizam como referencial um índice específico.
Sua popularidade ascendente se deve ao fato de que esses ativos são uma alternativa barata para a diversificação da carteira, atraindo especialmente quem está começando a dar os primeiros passos na renda variável.
No caso do iShares S&P 500, como indica o nome, o ativo está diretamente relacionado a um dos maiores índices do mundo, o S&P 500, que reúne as 500 maiores empresas da bolsa de valores de Nova York (NYSE).
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Negociado na B3, a bolsa de valores brasileira, o IVVB11 permite que os investidores acessem as gigantes companhias do índice e se exponham ao dólar sem a necessidade de lidar com a burocracia — e taxas — da abertura de conta em corretoras internacionais ou recorrer aos BDRs (Brazilian Depositary Receipts).
Com essa união de acessibilidade e diversificação global em um momento delicado para os ativos brasileiros, o ETF garantiu sua estreia no pódio em segundo lugar entre as favoritas para outubro. Recomendado por três corretoras, o produto roubou os holofotes do Itaú — campeão da seleção pelo terceiro mês consecutivo, com seis indicações.
Quem também garantiu três indicações e empatou com o IVVB11 em segundo lugar foi a JBS (JBSS3). O frigorífico resistiu ao pessimismo geral do mercado e manteve o bom desempenho dos papéis, conquistando os analistas.
Vale destacar ainda as ações de Gerdau (GGBR4) e SLC Agrícola (SLCE3) que, apesar de passarem longe do ouro, garantiram uma medalha de bronze, com duas menções cada.
Confira aqui todos os papéis apontados pelas 13 corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro:
Entendendo a Ação do Mês: todos os meses, o Seu Dinheiro consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.
Itaú Unibanco (ITUB4) — divisão de bens com a XP agradou acionistas e analistas
Será que estamos vendo nascer um novo campeão absoluto da Ação do Mês do Seu Dinheiro? Pela terceira vez consecutiva, o Itaú Unibanco (ITUB4) ocupa o lugar mais alto do pódio na preferência das corretoras.
O “Bancão” com “B” maiúsculo manteve-se entre os favoritos das corretoras Ativa, Guide, Modalmais, Nova Futura e Santander, e entrou para o top 3 da Terra Investimentos em outubro.
No radar dos investidores no mês, o principal acontecimento para a empresa foi a aguardada conclusão do divórcio com a XP. Com o fim do casamento — motivado por uma decisão do Banco Central que proibiu o Itaú de comprar o controle da corretora —, a instituição financeira destravou valor para os acionistas e fez brilhar os olhos dos analistas.
Na época da união, firmada em 2017 com a compra de 49,9% da corretora, a XP valia cerca de R$ 12 bilhões, valor que saltou para os R$ 140 bilhões na altura da separação. Concluída a divisão de bens, os acionistas controladores de Itaú, Itaú Unibanco Participações (Iupar) e Itaúsa, além dos titulares de ADRs, receberam ações Classe A da corretora.
Já os demais acionistas ficaram com BDRs de emissão da corretora — listada na norte-americana Nasdaq — que começaram a ser negociados na B3 na última segunda-feira (4) sob o ticker XPBR31.
Além do divórcio, os analistas destacam que as soluções adotadas pelo maior banco privado do Brasil para competir com as fintechs também sustentam as recomendações das ações da instituição.
“O Itaú possui uma diretoria proativa a estes desafios, buscando trazer tecnologia ao banco ao mesmo tempo que conserva seus diferenciais, como o relacionamento com o cliente e uma gama ampla de produtos e serviços", indica a Ativa Investimentos.
Segundo o projeto iVarejo 2030, o Itaú quer quadruplicar suas vendas digitais até 2025. O objetivo é que 50% de suas receitas venham desses canais no mesmo ano. A corretora destaca que os investimentos em tecnologia e a consequente redução no número de agências também trarão ganhos de eficiência e rentabilidade ao banco.
iShares S&P 500 (IVVB11) — empresas internacionais a preços tupiniquins
Estreante entre os ativos mais recomendados pelas corretoras, o ETF iShares S&P 500 (IVVB11) saiu de uma posição tímida no mês passado, quando havia aparecido nas indicações de apenas uma delas, direto para a segunda posição no ranking.
O produto, que é oferecido pela BlackRock, a maior gestora de ETFs do mundo, manteve-se entre os favoritos da Nova Futura e apareceu também nos top 3 de Modalmais e Elite Investimentos em outubro.
Se você ainda não está convencido do porquê esse fundo de índice deve estar presente em sua carteira, a Elite explica que o motivo está na proteção cambial oferecida aos investidores brasileiros e em “sua alta representatividade do mercado acionário americano”.
O IVVB11 acompanha de perto a variação do S&P 500, um dos três maiores índices do mercado acionário dos EUA, por meio da compra de cotas do IVV, outro ETF da mesma gestora negociado no mercado de ações americano. Veja abaixo dez das maiores empresas do S&P 500, de acordo com seu peso no índice.
- Apple;
- Microsoft;
- Amazon;
- Facebook;
- Alphabet Inc. A (dona do Google);
- Alphabet Inc. C;
- Tesla;
- Nvidia;
- Berkshire Hathaway;
- JP Morgan.
Com essa referência, é possível evitar as variações negativas do real e capturar a valorização de algumas das maiores empresas do mundo pagando uma taxa de administração de 0,24% ao ano, valor inferior ao cobrado por fundos de investimentos tradicionais.
A Elite destaca ainda que quem aposta no iShares S&P 500 também blinda seu patrimônio contra o famoso “risco Brasil”, formado por um conjunto de fatores políticos e fiscais que pesam sobre o mercado acionário.
“No ambiente externo, o início da retirada dos estímulos monetários também prejudica o investimento acionário. Porém acreditamos que, se houver alguma acomodação nas cotações das empresas americanas, ela deverá ser menor que uma possível correção no Ibovespa”, cita a corretora.
JBS (JBSS3) — brasileira com alcance mundial
Assim como o ativo anterior, a JBS (JBSS3) conseguiu, em outubro, deixar de figurar apenas entre as menções honrosas e subiu ao pódio das ações mais recomendadas para o mês, dividindo o segundo lugar.
A ascensão do frigorífico brasileiro — que passou a integrar as escolhas preferidas da Guide, Nova Futura e Warren neste mês — pode ser explicada, em partes, pelo desempenho da ação no último mês.
Em um período no qual o Ibovespa acumulou queda de 6,57%, os papéis da empresa, que é uma das maiores no setor de alimentos em todo o mundo, acompanharam a valorização dos preços de cortes de carne no mercado internacional, assim como a alta do dólar, e subiram 19,58%.
A companhia chegou a ser alvo de um pedido de explicações da B3 a respeito do movimento dos papéis. Em sua resposta, a JBS esclareceu que não há fato específico que justifique as oscilações das ações, mas argumentou que "algumas instituições financeiras" divulgaram relatórios positivos sobre os papéis da companhia.
Uma delas foi o JP Morgan. Considerando o cenário positivo para as subsidiárias americanas da JBS e o crescimento da demanda por cortes premium, os analistas elevaram o preço-alvo da ação em 12 meses para R$ 50 e mantiveram a recomendação de compra.
Além disso, a Guide espera que a companhia — dona de marcas como Friboi, Seara, Swift, Primo, Pilgrim’s Pride, Moy Park e Just Bare, que atendem a mais de 275 mil clientes em aproximadamente 190 países — anuncie novas aquisições ao longo dos próximos meses.
Mas, indo ou não às compras, a corretora reforça sua confiança em relação às ações da empresa, “que vem reportando robustos resultados operacionais e geração de caixa, além de boa alocação de capital excedente”.
Repercussão — bolsa dominada pelo vermelho
Apesar de ser o mês marcado pelo início da primavera no hemisfério sul, setembro não trouxe flores para os investidores da bolsa brasileira.
Com notícias ruins vindo de todos os lados — recuo do PIB no Brasil, possível fim dos estímulos econômicos nos EUA e a ameaça de calote da Evergrande na China, só para citar algumas —, o Ibovespa terminou o mês com um recuo de 6,57%, enquanto o dólar subiu 5,30%.
Por isso, sem surpresas, a maior parte das ações indicadas pelas corretoras no mês anterior teve desempenho ruim. O Itaú (ITUB4), campeão de setembro, recuou 6,84%, mas o destaque negativo ficou com outro banco: o Santander (SANB11), que caiu 16,30%.
A ação da Vale (VALE3) também sofreu com a queda do minério de ferro e recuou 13,56% no mês. Quem segue, porém, a recomendação de mantê-la na carteira desde que a mineradora começou a aparecer nas nossas recomendações, há 22 meses, capturou uma valorização de 72,84%.
Já a ponta positiva, que conta apenas com cinco ativos, foi liderada pelas ações da PetroRio (PRIO3). Impulsionada pela expectativa sobre o leilão da Petrobras, a ação disparou no final do mês e consolidou a alta de 30,11% que já vinha sendo preparada.
Vale ainda uma menção à BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3). Os frigoríficos brasileiros surfaram na alta dos preços da carne e do dólar e anotaram ganhos de 15,23% e 19,58%, respectivamente.
Vale (VALE3) está barata? Ação tem espaço para pagar mais dividendos | Entenda no vídeo abaixo e inscreva-se no canal do Seu Dinheiro no Youtube para mais conteúdos exclusivos sobre investimentos:
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