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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Wall Street tem recorde triplo após discurso de Powell, mas Ibovespa avança pouco com o peso das commodities; dólar cai a R$ 5,58

O dia do anúncio da retirada dos estímulos monetários impostos pela pandemia finalmente chegou no Federal Reserve. Enquanto isso, o Banco Central brasileiro abre margem para acelerar a alta de juros

Jasmine Olga
Jasmine Olga
3 de novembro de 2021
18:41 - atualizado às 21:24
Roberto Campos Neto e Jerome Powell, presidentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos
Roberto Campos Neto e Jerome Powell, presidentes dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos - Imagem: Divulgação

A volta à rotina do mercado financeiro após o feriadão vai ter que esperar mais um pouco. Mal deu tempo de desfazer as malas antes de encarar uma quarta-feira de muita instabilidade no Ibovespa.

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O dia foi recheado de acontecimentos importantes. Não chegou a ser uma Super-Quarta, mas os olhos dos investidores não desgrudaram dos bancos centrais brasileiro e americano (o Federal Reserve).

O Fed (e o mercado financeiro) passou os últimos meses preparando o terreno para o anúncio que foi feito hoje: chegou a hora de reduzir a injeção de liquidez no mercado. O ritmo de compra de ativos começará a ser reduzido em US$ 15 bilhões ainda em novembro, mas a taxa básica de juros não deve ser alterada tão cedo.

Na coletiva após a decisão, o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, fez questão de garantir ao mercado que o ambiente ainda demanda medidas acomodatícias.

Depois de tanta antecipação, a oficialização nem doeu tanto assim. A quarta-feira que começou morna acabou em recorde triplo em Nova York — o S&P 500 avançou 0,65%, o Nasdaq subiu 1,04% e o Dow Jones avançou 0,29% — e um desfecho para o anúncio mais esperado dos últimos meses.

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Enquanto Powell fala em manter a taxa básica de juros no nível atual por mais algum tempo, o Banco Central brasileiro já admite que pode ter que aumentar o ritmo de alta da taxa Selic para contornar os problemas fiscais.

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A ata da última reunião do Copom, divulgada na manhã de hoje, mostrou um tom mais duro que o comunicado da semana passada e chegou a pressionar a curva de juros.

O cenário mudou após o presidente da Câmara, Arthur Lira, convocar uma sessão para votar a PEC dos precatórios. Os juros futuros recuaram e o dólar caiu, mas a bolsa, que chegou a subir 1%, não manteve a força.

O dólar à vista recuou 1,42%, a R$ 5,5897, mas o Ibovespa sentiu o peso do desempenho negativo das empresas dos setores de mineração e siderurgia. Com isso, o principal índice da B3 fechou o dia com apenas uma leve alta de 0,06%, aos 105.616 pontos.

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O mercado, no entanto, está confiante que um desfecho para a PEC dos precatórios seja encontrado ainda hoje, tirando do caminho a preocupação com o texto que libera o teto de gastos para novas despesas do governo.

A paralisação das reformas e dos processos de ajuste das contas públicas foi considerada um risco para a elevação da taxa Selic pelo BC. Esse sentimento aliado ao movimento do Fed trouxe alívio para a curva de juros.

  • Janeiro de 2022: de 8,38% para 8,37%
  • Janeiro de 2023: de 12,36% para 12,07%
  • Janeiro de 2025: de 12,56% para 12,01%
  • Janeiro de 2027: de 12,56% para 11,99%

O início do fim

Segundo o comunicado da decisão divulgada hoje pelo Federal Reserve, as compras mensais de ativos — que são compostas de US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro americano (Treasuries) e US$ 40 bilhões em títulos de hipoteca — serão reduzidas em US$ 15 bi já em novembro.

A redução será feita de forma gradual, mensalmente, na mesma proporção (US$ 10 bi de Treasuries e outros US$ 5 bi de hipotecas), mas o Comitê deixou claro que o ritmo de redução pode ser alterado conforme o Fed sinta necessidade. 

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O texto reforçou que o Banco Central americano deve manter a política acomodatícia até que as metas de pleno emprego e inflação sejam atingidas, mas trouxe uma preocupação maior com a elevação dos preços do que os comunicados anteriores, já que existem dúvidas persistentes com o desbalanceamento de oferta e demanda em alguns setores. 

Ainda não acabou

A notícia da convocação de Lira animou os mercados de forma quase instantânea durante a tarde, mas não se sustentou. 

O início da sessão está marcado para às 18h, mas ainda não se sabe se será realmente possível votar o tema hoje. Além da falta de acordo entre os parlamentares da Câmara, o quórum pode ser um problema, já que Brasília costuma ficar esvaziada em semanas com feriados. 

O texto em si, que abre espaço para o governo federal destinar mais recursos para a área social, não é positivo para o mercado, mas reduz a incerteza que atualmente ronda o cenário fiscal, oficializando a expansão do teto de gastos. 

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Sobe e desce do Ibovespa

Duas notícias corporativas muito aguardadas movimentaram o Ibovespa ao longo do dia. O Inter (BIDI11/BIDI4) e a Lojas Americanas (AMER3/LAME4) anunciaram os próximos passos de suas reorganizações societárias. 

O conselho de administração do Inter aprovou a incorporação das ações do banco pela holding Inter Financeira, o que permitirá a listagem da companhia na Nasdaq após a migração da base acionária para a Inter Platform. Além de enviar o pedido de registro para a Securities and Exchange Comission (SEC, a Comissão de Valores Mobiliários americana), a empresa também convocou uma Assembleia Geral Extraordinária. 

No caso da Americanas, a holding Lojas Americanas (LAME4) deverá incorporar a antiga B2W (AMER3), em um processo oposto do que ocorreu até o momento. Com isso, o Grupo 3G, atual controlador da companhia, abrirá mão do controle, mas continuará sendo o acionista de referência. No geral, hoje foi um bom dia para as ações do setor de varejo e consumo. 

Confira as maiores altas do Ibovespa hoje:

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CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
LAME4Lojas Americanas PNR$ 5,7813,33%
LWSA3Locaweb ONR$ 20,329,07%
SOMA3Grupo SomaR$ 14,808,90%
TIMS3Tim ONR$ 12,428,38%
PETZ3Petz ONR$ 20,827,82%

O setor de commodities dominou a ponta contrária da tabela e pressionou o resultado final do Ibovespa. É que a economia chinesa segue dando sinais claros de desaceleração, e o minério de ferro acompanha a queda. Ontem, enquanto a bolsa brasileira esteve fechada, a commodity recuou cerca de 7%. Confira também as maiores quedas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVAR
VALE3Vale ONR$ 66,83-7,63%
BRAP4Bradespar PNR$ 46,23-6,64%
USIM5Usiminas PNAR$ 12,37-6,26%
CSNA3CSN ONR$ 22,09-4,54%
GOAU4Metalúrgica Gerdau PNR$ 11,91-4,24%

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