Reformas voltam à mesa e o mercado reage aliviado – dólar caiu e bolsa teve leve alta
No exterior, as bolsas americanas fecharam sem uma direção definida, na espera de números da temporada de balanços e da decisão de política monetária do Federal Reserve

Primeiro foi a pandemia. Com um novo vírus desconhecido batendo na porta, os esforços do Congresso precisaram ser revertidos para dar suporte econômico e sanitário à população. Depois, as eleições municipais se arrastaram por mais tempo do que o inicialmente esperado por causa da covid-19, atrapalhando mais uma vez o cronograma do governo.
Na semana passada, o último desafio que impedia as reformas estruturantes de andarem pareceu finalmente ter sido superado. Após meses de negociações e atraso, o orçamento de 2021 foi sancionado e as reformas estão com o caminho (parcialmente) livre para serem o próximo foco de atenção do Congresso.
Parcialmente porque a pandemia ainda se encontra fora de controle no país, e a CPI da Covid, que deve investigar a atuação do governo federal na crise, também mobiliza Brasília. Mas se depender das sinalizações do presidente da Câmara, Arthur Lira, as privatizações e a reforma tributária devem ter o seu momento de brilho nos próximos meses.
Em uma semana que deve ser marcada por balanços corporativos de peso e definição de política monetária nos Estados Unidos, essa perspectiva anima os investidores - mesmo que Nova York tenha atrapalhado um pouco os negócios nesta segunda-feira (26).
Depois de flertar com uma leve queda durante a maior parte do dia, o Ibovespa conseguiu encerrar a sessão no azul, ao subir 0,05%, aos 120.594 pontos. Enquanto a bolsa teve um dia tímido, o câmbio refletiu com mais entusiasmo a perspectiva de melhora no campo fiscal e a desvalorização do dólar no mercado internacional. Assim, o dólar à vista fechou em queda de 0,88%, a R$ 5,4487.
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Nas últimas duas semanas, a proximidade da sanção presidencial ao orçamento aliviou a curva de juros, ainda que o texto final não tenha agradado ao mercado. Hoje, os principais contratos de DI ensaiaram uma alta, mas acabaram fechando praticamente estáveis. Confira o fechamento das taxas de hoje:
- Janeiro/2022: de 4,62% para 4,63%
- Janeiro/2023: de 6,19 para 6,17%
- Janeiro/2025: estável em 7,69%
- Janeiro/2027: de 8,35% para 8,32%
[captacao]
- VÍDEO: Quer saber tudo o que deve movimentar a semana? O Victor Aguiar te conta.
Agora vai?
Na briga pela atenção do Congresso, a reforma tributária deve largar na frente e ser o tema dos próximos meses. Não é a primeira vez que essa promessa é feita, mas segue gerando expectativas no mercado, que vê uma mudança no sistema tributário brasileiro como essencial para destravar o crescimento e aumentar a competitividade.
O presidente da Câmara, Arthur Lira, prometeu para o dia 3 de maio uma “versão inicial” do relatório. Segundo Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos, sinais de que um imposto nos moldes da polêmica antiga CPMF deve ficar de fora também são animadores.
Fique de olho
Não é só Brasília que deve movimentar o noticiário nos próximos dias. A temporada de balanços do primeiro trimestre já começou e promete semanas agitadas para o investidor brasileiro. Veja o que esperar das empresas que divulgam seus números nos próximos dias.
E não se esqueça! Na noite de hoje teremos os números da Vale, que devem ser repercutidos no pregão de amanhã.
Reforma tributária - versão Biden
Nos Estados Unidos, o Congresso também deve ter uma semana agitada. O presidente Joe Biden deve discutir com os parlamentares a proposta de aumento de impostos corporativos para financiar o programa de ajuda à infraestrutura. Além disso, temos a decisão de política monetária do Federal Reserve na quarta-feira, o que sempre vem acompanhado de um pé no freio por parte dos investidores.
Enquanto as bolsas europeias fecharam o dia com altas moderadas, nos Estados Unidos o dia foi bem instável, com as bolsas exibindo sinais mistos. A temporada de balanços por lá deve movimentar bastante o setor de tecnologia nos próximos dias e isso se refletiu no saldo final do dia.
O S&P 500 e o Nasdaq registraram novos recordes ao avançarem 0,87% e 0,22%, respectivamente. Já o Dow Jones recuou 0,18%.
Repaginando o visual
Para além dos balanços, a semana começou com o noticiário corporativo agitado também no Brasil.
O varejo está de cara nova. Primeiro, temos a mudança de nome da Via Varejo, uma das mais tradicionais empresas do setor, para apenas Via. A companhia também mudou o seu logo e cores, já que a partir de agora quer ser reconhecida como uma empresa com foco no e-commerce.
Segundo as novas projeções da empresa, a Via quer alcançar no mínimo 20% do e-commerce brasileiro em 2025. Na semana passada, a varejista já havia mudado o nome e o posicionamento de uma de suas principais marcas, o Ponto Frio, que agora se chama Ponto >:.
O maior destaque, no entanto, fica com as ações da Cia Hering. Após recusar a proposta de fusão da Arezzo, a companhia anunciou um acordo para unificar sua operação com o Grupo Soma, dona da Farm e outros marcas de alta renda.
O pacote oferecido pelo Soma foi bem generoso: a proposta representa quase o dobro do oferecido pela Arezzo e é 50% superior ao fechamento das ações da Hering na última sexta-feira. Os analistas veem pontos positivos no negócio, mas a Hering tende a ser mais beneficiada que o Grupo Soma. Confira aqui o que pensam os analistas.
Em uma medida de ajuste, as ações da Hering saltaram mais de 25%. Na sequência, empresas ligadas ao minério de ferro tiveram mais um dia de destaque. Confira:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| HGTX3 | Cia Hering ON | R$ 28,62 | 26,19% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 23,32 | 5,14% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 51,52 | 5,08% |
| EMBR3 | Embraer ON | R$ 16,09 | 3,74% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 22,94 | 3,57% |
Confira também os principais destaques negativos:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CRFB3 | Carrefour Brasil ON | R$ 22,09 | -2,21% |
| RADL3 | Raia Drogasil ON | R$ 24,37 | -2,21% |
| EZTC3 | EZTEC ON | R$ 33,51 | -2,10% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | R$ 12,85 | -2,06% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | R$ 22,35 | -1,97% |
SEM FOLGA EM NOVA YORK
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