As ações favoritas para o mês de maio, segundo 16 corretoras
Depois da operação de guerra montada no ano passado, o setor financeiro mostra que saiu da crise muito melhor do que o esperado e domina as indicações para maio.

Assim que o Santander Brasil divulgou os seus resultados do primeiro trimestre, lá no fim de abril, o meu colega Vinícius Pinheiro, especialista máximo quando o assunto é bancos aqui no Seu Dinheiro, escreveu assim: "Disseram que os bancos estavam na pior. Mas esqueceram de contar para o Santander". Isso porque a operação brasileira do bancão espanhol atingiu o maior lucro já registrado em um único trimestre — R$ 4 bilhões.
Com a temporada de balanços ganhando força, fica cada vez mais claro que de fato o pior ficou para trás. Nos últimos dias, o Itaú também trouxe resultados acima do esperado. Ontem foi a vez do Bradesco, e os investidores olham cada vez mais com os olhos brilhando para o setor financeiro.
[captacao]
Antes mesmo do coronavírus bater na nossa porta, os "mensageiros do apocalipse" já falavam sobre como a concorrência das novas empresas de tecnologia (fintechs) poderia representar o fim dos bancos tradicionais como os conhecemos. Depois, a desaceleração econômica parecia ter vindo para sacramentar essa realidade.
O Santander Brasil não figurou entre as principais indicações do mercado neste mês, mas dois dos seus pares sim, mostrando que os fantasmas que ameaçavam assombrar o setor andam ficando para trás — as ações preferenciais do Bradesco (BBDC4) e as do Itaú Unibanco (ITUB4) foram as escolhidas.
A B3 (B3SA3), administradora da bolsa brasileira, tem aparecido cada vez mais por aqui nos últimos meses e fecha a tríade de indicações do setor financeiro.
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Bom, além do desconto acumulado nos últimos anos nos papéis do setor, o recente aumento da Selic, a manutenção da inadimplência sob controle e uma redução das provisões bilionárias feitas no pior momento da crise devem aumentar os ganhos da margem financeira e da tesouraria.
Além da reversão das provisões e gestões mais enxutas, os bancos também devem ser beneficiados por decisões favoráveis ao setor em projetos relacionados à tributação e taxas de juros que hoje se encontram no Congresso. Juntando isso a uma recuperação econômica mais rápida do que o esperado, os bancos devem em breve tornar a registrar lucros em patamares pré-covid.
A B3 ficou com a medalha de bronze, com três indicações, e o Itaú foi a escolha de quatro casas. Já o Bradesco divide a medalha de ouro com uma velha conhecida - a Vale (VALE3) -, com cinco indicações. Com os investimentos em infraestrutura crescendo rapidamente em todo o mundo e o preço do minério de ferro não mostrando sinais de enfraquecimento, a companhia segue se fortalecendo como uma das empresas mais sólidas da América Latina.
Além das empresas que compõem o pódio das mais indicadas pelos analistas, vale destacar também as companhias que tiveram duas indicações. É o caso de Iguatemi (IGTA3), Marfrig (MRFG3), Rumo (RAIL3) e BTG Pactual (BPAC11). Confira a tabela completa de indicações:

Entendendo a Ação do Mês: todos os meses o Seu Dinheiro Premium consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são as principais apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.
Bradesco - Melhor do que os melhores
Nos últimos dias, as ações preferenciais e ordinárias da companhia sobem forte na expectativa pelos números do primeiro trimestre - o Bradesco registrou um lucro de R$ 6,5 bilhões no 1º trimestre, uma alta de 73,6% ante ao mesmo período do ano passado. Esse é o retrovisor, mas a perspectiva de futuro também é boa e por isso o ativo foi a escolha de cinco instituições - Banco Santander, Elite Investimentos, CM Capital, Nova Futura e Investmind.
Os analistas acreditam que o Bradesco encontra-se em uma tendência de alta - no curto e no longo prazo -, sendo negociado a múltiplos atrativos e se destacando perante os seus pares. O anúncio do aumento do programa de recompra e ações só reforça esse ponto. Para a Elite Investimentos, a companhia é a mais preparada dentre os grandes bancos para capturar todo o potencial de melhora do cenário.
Essa é uma visão também compartilhada com os analistas do Santander. “O Bradesco é a nossa escolha entre os bancos privados, principalmente pelo perfil da sua carteira de crédito e pelo potencial de melhora na eficiência de suas operações. Para o próximo ano, vislumbramos um aumento da carteira acima do mercado e uma relevante redução das despesas operacionais”.
Além disso, os analistas do banco também pontuam que o Bradesco hoje possui a melhor execução potencial em despesas com vendas e administrativas, é o maior pagador de dividendos em 2021 entre os grandes bancos e tem um alto retorno potencial.
B3 - Faça chuva ou faça sol, ela está ganhando
Termos da moda é o que não faltam no mercado financeiro. Assim como as coleções de outono, inverno, primavera e verão, novos termos - na maior parte das vezes anglicalizados - vivem surgindo e desaparecendo rapidamente nas rodas de conversa da Faria Lima.
Um que parece que veio para ficar e que ganha cada dia mais força é o “financial deepening” - termo utilizado para caracterizar o crescimento do leque de serviços financeiros oferecidos no país. Tem muita gente pronta para surfar essa onda no Brasil, mas ninguém parece mais pronto que a B3, empresa que tem o monopólio da bolsa brasileira. Um cenário que não deve mudar tão cedo.
A empresa foi a seleção de três instituições - Órama Investimentos, Planner Corretora e Necton.
A B3 hoje é a maior bolsa de valores da América Latina em valor de mercado, com mais de 340 companhias listadas que totalizam um valor de mercado de mais de US$ 900 bilhões. E a lista de pretendentes só aumenta.
Além de investir pesado em novos tipos de produtos, a B3 se favorece da volatilidade que deixa os repórteres de mercado - e investidores - de cabelo em pé (falo por experiência própria).
Sem concorrentes ou perspectivas de adversários, a B3 (B3SA3) tende a ganhar em todos os cenários. Além de ser um ativo visto como defensivo para a carteira, com a volatilidade em alta, os volumes negociados também aumentam e a receita recebe o impacto positivo desse movimento.
“Nossa perspectiva para este ano é de que o volume diário médio siga em alta, o que, combinado com o bom histórico de entrega de resultados e desenvolvimento de novos produtos, justifica um nível de avaliação elevado” - Banco Santander
Nos últimos meses, a empresa sofreu uma derrapada e acumula uma desvalorização, mas, para os analistas, essa é uma boa oportunidade de compra.
Itaú - Mostrando tração
Depois de quatro trimestres de queda, o lucro do Itaú cresceu 63,6% na comparação com o primeiro trimestre do ano passado - a R$ 6,398 bilhões. Com a perspectiva de que o maior banco privado do país volte aos trilhos, Ativa Investimentos, Planner Corretora, Banco Daycoval e Terra Investimentos apontaram a ação entre as suas favoritas.
Enquanto no ano passado as provisões contra calotes pesaram no balanço, os analistas destacam a forte redução no custo de crédito como um ponto positivo nos primeiros três meses do ano.
"Combinado com aumento da margem financeira e menores despesas operacionais, isso permitiu que o retorno sobre patrimônio líquido alcançasse patamares próximos ao pré-covid”, comenta a equipe de research da Ativa Investimentos.
Como fator de risco, os analistas destacam a deterioração da qualidade da carteira de crédito, mas a projeção é que isso melhore ao longo de 2021. Para Mario Mariante, da Planner Corretora, o crescimento do lucro e do retorno nos próximos meses deve ser sustentado por uma margem financeira maior, estabilidade das despesas não decorrentes de juros e uma redução no custo do crédito.
Grande temor durante a crise, a inadimplência do Itaú se mantém controlada, e a busca por maior eficiência é um dos grandes destaques da gestão atual. Diante deste cenário, o Itaú segue conservador na concessão de crédito, com o foco voltado para produtos de menor risco - como empréstimo consignado e financiamento de veículos e imobiliário.
Vale - Cumprindo os prognósticos
O aumento na produção e o avanço do preço do minério de ferro em escala global, aliados a uma gestão mais eficiente, vêm impulsionando a receita da Vale e fazem com que ela não saia da cabeça dos analistas do mercado financeiro.
Há mais de um ano ela é presença garantida entre as ações mais indicadas - e quase sempre na primeira posição. Uma alta superior a 160% só nos últimos 12 meses. Dessa vez não foi diferente. A companhia foi a seleção de cinco instituições - Investmind, CM Capital, Nova Futura, Guide Investimentos e Órama Investimentos.
No primeiro trimestre de 2021, a mineradora teve um lucro menor que o projetado pelo mercado, mas ainda assim 2.200% maior do que o mesmo período do ano passado - US$ 5,546 bilhões.
As coisas não devem parar por aí. Com Estados Unidos e China investindo alguns trilhões em obras de infraestrutura, a expectativa é que a demanda e o preço do minério de ferro sigam em alta. Os analistas já estão apostando que a companhia, que já é a empresa mais valiosa da América Latina, pode crescer ainda mais e ultrapassar a casa dos R$ 850 bilhões em valor de mercado.
A polêmica da vez fica por conta da declaração dada por Eduardo Bartolomeo, presidente da mineradora, sobre uma possível cisão da operação de metais básicos da companhia. O comentário foi feito durante uma teleconferência com analistas e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pediu explicações.
Retrospectiva
Em um mês marcado pelo fim da novela do Orçamento e novos pacotes de estímulos trilionários nos Estados Unidos, a bolsa brasileira avançou quase 2%, mas ainda encontra dificuldades para se reaproximar do seu topo histórico. O que segura o índice são os persistentes ruídos poíticos e o cenário fiscal, que seguem fazendo pressão sobre os negócios.
Pegando carona na valorização do preço do minério de ferro, as empresas ligadas às commodities metálicas tiveram um bom desempenho e seguraram o Ibovespa. A Vale, principal indicação do mês passado, avançou 10,68% em abril. Fechando o pódio, nós tivemos Itaú Unibanco - que recuou 1,96% - e as ações da B3 - que tiveram uma quda de 6,36%. Confira o retorno de todas as indicações do mês passado:

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