As ações favoritas para o mês de junho, segundo 16 corretoras
A seleção de junho conta com uma velha conhecida dos brasileiros que, após enfrentar perdas expressivas nos últimos meses, está de volta ao pódio

Na mitologia global existem diversos seres que representam o renascimento e imortalidade. A mais famosa dessas criaturas é a Fênix, de origem grega. Mas, antes dos helenos, os egípcios já contavam histórias sobre a Benu, uma ave com ares de garça que, ao fim do ciclo de vida, ardia em uma fogueira criada por si mesma apenas para renascer novamente das cinzas.
No mercado financeiro também surgem, de tempos em tempos, empresas que enfrentam sérias dificuldades e, após os devidos ajustes, voltam a conquistar os investidores. Algumas delas constroem suas próprias piras funerárias com fraudes e esquemas criminosos, enquanto outras são jogadas na fogueira por polêmicas alheias à administração.
[captacao]
Esse é o caso da mais recente candidata à fênix brasileira, a Petrobras. A empresa até começou o ano bem e, inclusive, liderou nossa seleção de ações preferidas para janeiro após passar mais de um ano longe do topo do pódio.
Com um impulso do preço do petróleo e planos de retomar o processo de desinvestimentos, a estatal prometia ganhos expressivos no primeiro semestre. Porém, um bicho-papão que já a persegue há anos saiu debaixo da cama e voltou a aterrorizar o mercado: a interferência política.
Descontente com a política de preços da companhia, o presidente Jair Bolsonaro decidiu trocar o comando da estatal. A preocupação de que os interesses governamentais entrariam em choque com os negócios bastou para que as ações da Petrobras derretessem e a empresa visse seu valor de mercado diminuir R$ 100 bilhões em apenas dois dias.
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Atentos ao movimento, grandes casas de análise rebaixaram suas recomendações para os papéis da estatal. Após a liderança entre as indicações das corretoras no início do ano, a empresa apareceu entre as favoritas de apenas uma carteira em fevereiro e não foi mais vista nos meses seguintes.
O ressurgimento
Contudo, o que parecia ser o fim da petroleira transformou-se em uma oportunidade de compra para os papéis. Após o mercado perceber que a política de preços segue direcionada para a competitividade da empresa, as chamas baixaram.
Agora, com a retomada da prometida venda de ativos melhorando ainda mais as perspectivas para os papéis, o fogo apagou de vez e a Petrobras (PETR4) fez um retorno triunfal ao pódio.
Mesmo em segundo lugar entre as ações favoritas para junho, com quatro recomendações de corretoras, a empresa roubou os holofotes da Vale (VALE3) — essa sim não larga o osso e se mantém na nossa lista pelo 18º mês consecutivo, com cinco indicações — e mostrou que pode voltar a ser uma das queridinhas do mercado.
Também em quatro seleções de papéis favoritos, Itaú Unibanco (ITUB4) e B3 (B3SA3), outros velhos conhecidos do setor financeiro que vem mantendo o bom desempenho desde o início do ano, completam o pódio.
Além das empresas mais indicadas pelos analistas, vale destacar também as companhias que tiveram duas recomendações. É o caso de Bradesco (BBDC4), BTG Pactual (BPAC11), Guararapes (GUAR3) e Lojas Renner (LREN3).
Entendendo a Ação do Mês: todos os meses o Seu Dinheiro Premium consulta as principais corretoras do país para descobrir quais são suas apostas para o período. Dentro das carteiras recomendadas, normalmente com até 10 ações, os analistas indicam as suas três prediletas. Com o ranking nas mãos, selecionamos as que contaram com pelo menos duas indicações.
B3 - É recorde atrás de recorde
Com o Ibovespa avançando 6,16% e provando mais uma vez que o ditado “sell in May and go away” — ou em maio, venda tudo e vá embora, em tradução literal — não anda correspondendo à realidade das terras tupiniquins, as ações foram o melhor investimento do mês anterior.
Com isso, a B3 (B3SA3) — a maior bolsa de valores da América Latina — se recuperou da derrapada nos últimos meses e valorizou 1,15% em maio. A companhia segue entre as indicações preferidas de Necton e Órama e passou a integrar o top três de Daycoval e ModalMais.
Um dos motivos para a recomendação é que a empresa é beneficiada por um fator que assusta grande parte das outras companhias: a volatilidade.
Como explica Órama em seu relatório, além da falta de concorrentes locais, a B3 também “ganha em todos os cenários, uma vez que a volatilidade do mercado acaba aumentando os volumes negociados e consequentemente gerando mais receita para a empresa”.
Atualmente com mais de 400 empresas listadas, a B3 goza ainda de uma longa fila de espera de companhias que desejam negociar papéis em seus pregões. Com 31 pedidos de oferta inicial de ações (IPO, da sigla em inglês) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), analistas estimam que a próxima onda de operações pode movimentar até R$ 30 bilhões.
O monopólio da empresa, porém, pode estar ameaçado. A saída de um representante da XP do conselho de administração da B3 fez circular rumores de que a corretora poderia avançar sobre o terreno da operadora da bolsa brasileira no futuro.
Itaú Unibanco - Divórcio movimenta mercado
O Itaú Unibanco (ITUB4), que também já havia aparecido por aqui no mês passado, continua entre as recomendações da Ativa e Terra Investimentos e passou a integrar o top 3 da Nova Futura e da Toro Investimentos.
Apesar dos papéis do maior banco do Brasil terem valorizado 7,75% no último mês, os analistas ainda enxergam o setor bancário descontado e em um bom momento para a entrada dos investidores.
Além disso, as corretoras destacam que os movimentos da instituição para adaptar-se à digitalização do mercado financeiro também pesam na tese de investimentos. “Entre os pontos positivos do ITUB4 está a adoção de gestão estratégica de custos, buscando atingir maior eficiência com maior digitalização e expansão nos canais digitais”, cita o analista Régis Chinchilla, da Terra.
Por fim, o divórcio definitivo com a XP também pode ajudar a destravar valor na instituição financeira.
O conselho de administração da Itaúsa, holding de investimentos da empresa, aprovou a assinatura do acordo de segregação da participação acionária, que agora segue para votação dos acionistas da XP e da XP Part.
Petrobras - Promessa de balanço turbinado
De volta às ações favoritas após cinco meses, a Petrobras (PETR4) é a aposta de Investmind, Planner, Terra e Toro Investimentos em junho. Sob nova direção — o general Silva e Luna assumiu a presidência da estatal em 19 de abril —, os papéis subiram quase 13% em maio.
Vale lembrar, contudo, que os papéis despencaram logo depois que o executivo foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar o lugar de Roberto Castello Branco no comando da estatal.
Mesmo após a valorização recente, a empresa segue na carteira da Planner porque, segundo Mario Mariante, analista-chefe da corretora, a expectativa positiva para os resultados do segundo trimestre poderá trazer ainda mais ganhos para os papéis ainda neste mês.
O balanço deverá ser impulsionado pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de excluir o valor do ICMS da base de cálculo do PIS e do Cofins. A empresa estima que serão recuperados cerca de R$ 4,4 bilhões correspondentes aos tributos pagos de outubro de 2001 a junho de 2020.
Outro impacto positivo nas finanças virá dos desinvestimentos. A Petrobras concluiu neste ano operações que, somadas, vão gerar US$ 2,5 bilhões ao caixa da empresa.
Porém, é importante destacar que o risco político mencionado no início deste texto sempre deve ser considerado pelos investidores e nem mesmo a troca de comando afastou o fantasma da interferência.
O último ruído foi causado pelo presidente Jair Bolsonaro, que contou que a estatal estaria realizando estudos para que exista "previsibilidade no aumento" dos combustíveis. Após a declaração, a Petrobras recorreu à CVM para reafirmar sua política de preços.
Vale - Puxando o trem do minério
A retomada da economia mundial transformou o minério de ferro na grande estrela dos mercados em maio. O desempenho da commodity, que chegou a superar a inédita barreira dos US$ 200 a tonelada, puxou todo o setor de mineração e siderurgia para o alto, incluindo os papéis da Vale.
Com a perspectiva da aprovação de um pacote de infraestrutura trilionário nos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa, a mineradora, que está entre as indicações favoritas dos investidores há um ano e meio, deve continuar sendo beneficiada pelo cenário nos próximos meses.
É nisso que apostam CM Capital, Guide, Necton, Órama e Terra Investimentos. A Órama também destaca que “seu robusto pagamento de dividendos semestrais é um grande atrativo e uma forma de balancear nossa carteira de investimentos com uma empresa bastante sólida”.
Além disso, um estudo mostrou que as finanças da empresa estão se recuperando do baque sofrido entre 2014 a 2016, quando o preço do minério de ferro caiu abaixo de US$ 40. Segundo uma análise da Economática, a dívida bruta da Vale teve crescimento real (descontada a inflação) de apenas 1,3% de dezembro de 2011 a março de 2021.
Enquanto isso, o caixa da mineradora engordou 487,1%. A título de comparação, no mesmo período a Petrobras viu suas despesas saltarem 55,9% e o caixa recuar 18,5%.
No ano, as ações da Vale acumulam alta de 34%. Ainda assim, a perspectiva para a companhia segue favorável, como você confere no vídeo abaixo:
Retrospectiva
A atenção dos investidores se dividiu principalmente entre dois fatores no mês: a alta nos preços das commodities, especialmente as metálicas, e as pressões inflacionárias no Brasil e nos Estados Unidos.
Entre as preocupações com o avanço nos preços, a aceleração do ritmo de vacinação ao redor do mundo e os indícios de retomada econômica, venceu o otimismo: o Ibovespa encerrou o último pregão de maio com um novo recorde de encerramento nominal, aos 126.215,73 pontos, e avança 6,05% no ano.
Com isso, boa parte das ações recomendadas no mês passado tiveram um desempenho positivo. Em relação ao pódio anterior, formado por B3, Bradesco, Itaú e Vale, o destaque foi para os dois bancos, com altas de 9,69% e 6,84%.
A Vale acompanhou a valorização das commodities e anotou ganhos de 4,63%, enquanto a B3 avançou mais timidamente, a 1,15%. Confira o retorno de todas as indicações do mês passado:
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