Como ficam os seus investimentos em renda fixa com a Selic em 2,00% ao ano
Veja como fica o retorno das aplicações conservadoras de renda fixa agora que o Banco Central cortou a Selic mais uma vez

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) cortou mais uma vez a taxa básica de juros (Selic) nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual. Com isso, a Selic atinge nova mínima histórica, aos 2,00% ao ano.
A derrubada da Selic de 2,25% para 2,00% já era amplamente esperada pelo mercado. Na última reunião do Copom, o BC havia sinalizado que provavelmente haveria mais um último corte de 0,25 ponto percentual, acrescentando que o espaço para os juros caírem mais já estava pequeno.
De fato, a expectativa atual do mercado, segundo o último Boletim Focus do Banco Central, é de que a Selic se mantenha no atual patamar de 2,00% pelo menos até o fim deste ano. E conforme sinalizou o Copom no seu comunicado de hoje, este corte deve ter sido o último do ciclo.
Embora os juros baixos em tese pressionem a cotação do dólar, e a moeda americana de fato tenha visto uma disparada de cerca de 30% neste ano, essa valorização não vem se refletindo em uma inflação maior.
Pelo contrário, as perspectivas para os índices de preços continuam em queda, dada a forte desaceleração na economia por conta da crise do coronavírus. Atualmente, o mercado espera que o IPCA em 2020 fique em 1,60%.
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O dólar, por sua vez, passou por uma breve descompressão no mês passado, em razão de um movimento global de desvalorização da moeda americana diante da elevada liquidez na economia e da redução da aversão a risco no mundo.
Rentabilidade simbólica
Para o investidor conservador, o juro baixo num cenário de recessão e num mundo de juros zerados ou negativos significa menos retorno para os investimentos por um período ainda prolongado.
Agora, os investimentos mais conservadores, cuja remuneração é atrelada à Selic ou à taxa DI - taxa de juros que costuma acompanhar a taxa básica - estão pagando ainda menos - um retorno praticamente simbólico. É o caso do Tesouro Selic (LFT), da caderneta de poupança, dos fundos DI e de títulos como CDB, LCI e LCA pós-fixados.
Como ficam os investimentos conservadores com a Selic em 2,00% ao ano
Para você ter uma ideia de como o retorno da renda fixa conservadora está apertado, eu fiz uma simulação de rentabilidade com quatro aplicações pós-fixadas no novo cenário de juros: caderneta de poupança, Tesouro Selic (LFT), fundo de renda fixa e Letra de Crédito Imobiliário (LCI). Considerei Selic constante de 2,00% ao ano e o CDI constante de 1,90%, um pouco abaixo, como costuma acontecer.

Vale frisar aqui que o retorno do Tesouro Selic é um pouco maior do que o que aparece na tabela, pois a partir de 1º de agosto, aplicações de até R$ 10 mil nesse título passaram a ficar isentas da taxa de custódia cobrada pela B3, de 0,25% ao ano. Aplicações superiores a este valor sofrem cobrança dessa taxa apenas sobre o que exceder os R$ 10 mil.
Para montar a tabela, eu considerei aportes de R$ 1.000, mas a calculadora do Tesouro Direto, utilizada para fazer as contas do Tesouro Selic, ainda não foi atualizada com os novos parâmetros para a taxa de custódia.
Ainda assim, é possível afirmar que, para aplicações abaixo de R$ 10 mil, totalmente isentas da taxa, o rendimento do Tesouro Selic no mínimo se iguala ao da poupança. Isso nos prazos inferiores a seis meses, quando a alíquota de IR é maior. Nos demais prazos, a rentabilidade do investimento isento de taxa já supera a da caderneta de poupança.
Lembrando que o Tesouro Selic tem rentabilidade diária, enquanto a poupança só tem rentabilidade mensal, no aniversário. Então o título público supera a caderneta na maior parte dos prazos, mesmo nos mais curtos, quando a alíquota de IR é maior.
Parâmetros
A poupança atualmente paga 70% da taxa Selic mais Taxa Referencial (TR), que no momento encontra-se zerada. Não tem taxas nem imposto de renda, e sua rentabilidade é mensal, apenas no dia do aniversário.
Já o Tesouro Selic é um título público que paga, no vencimento, a Selic mais um ágio ou deságio. Se vendido antes do vencimento, o retorno é levemente sacrificado em função de uma diferença entre as taxas de compra e venda do papel (spread), o que pode deixar a rentabilidade inferior à Selic do período.
O rendimento é diário, e há cobrança de IR e de uma taxa de custódia obrigatória de 0,25% ao ano, paga à B3, apenas sobre o que exceder o saldo investido de R$ 10 mil. Na simulação acima, eu considerei, ainda, que a corretora utilizada para operar no Tesouro Direto não cobra taxa de agente de custódia.
Para simular o retorno do fundo de renda fixa, considerei um fundo que só invista em Tesouro Selic e não cobre taxas. Supus, portanto, que seu retorno represente a variação do CDI no período menos o imposto de renda. Seria similar, por exemplo, para um CDB, RDB ou conta de pagamentos que pagasse 100% do CDI.
Vale aqui uma observação: os fundos com esse perfil não têm pago 100% do CDI. Sua remuneração tem ficado um pouco abaixo disso. A simulação é apenas ilustrativa.
Por fim, simulei o retorno da LCI porque se trata de um título isento de taxas e de IR. Considerei um papel que pague 100% do CDI (às vezes surge uma dessas por aí), apenas para você ver que 100% do CDI, atualmente, não é lá grande coisa.
Escolhi quatro prazos de forma a contemplar as quatro alíquotas de IR possíveis, no caso das aplicações tributadas (Tesouro Selic e fundos). Usei datas reais para poder usar o simulador do Tesouro Direto para calcular o retorno do Tesouro Selic, de modo a incluir a taxa de custódia e o spread nos cálculos no caso de uma venda antes do vencimento.
Para calcular o retorno da poupança utilizei os prazos em meses e anos. Já para simular os retornos do fundo e da LCI, levei em conta o número de dias úteis entre as duas datas reais consideradas em cada prazo.
Perda fixa
Como você pode ver, mesmo os melhores investimentos conservadores em termos de rentabilidade e segurança - aqueles que remuneram ao redor de 100% do CDI - já estavam pagando pouco e agora vão passar a pagar ainda menos. Aquela realidade de ganhar 1% ao mês com baixo risco, que o investidor brasileiro tanto aprecia, fica cada vez mais distante.
Um ponto muito importante é baratear o seus investimentos conservadores o máximo possível. Fundo com taxa de administração alta simplesmente não dá mais, minha gente.
Mas mesmo que você invista em um fundo ou título que pague, líquido, perto de 100% do CDI, você pode ver que isso não representa mais grande coisa. Afinal, 100% de quase nada é quase nada.
Pior, é bem provável que mesmo as melhores e mais baratas aplicações de renda fixa remunerem abaixo da inflação, mesmo que tenhamos um índice de preços extremamente baixo para padrões brasileiros.
Segundo o último Boletim Focus do Banco Central, o IPCA projetado para os próximos 12 meses é de 2,97%. Agora dá uma olhada em quanto as aplicações devem pagar em um ano. Nenhuma supera a inflação projetada.
Em outras palavras, a sua reserva de emergência, aquele dinheiro que precisa ficar em aplicações ultraconservadoras, já está na "perda fixa" (faz tempo), como eu havia mencionado nesta outra matéria.
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