Ibovespa acentua perdas e cai mais de 2%; cautela no Brasil se sobrepõe ao otimismo com a China
O Ibovespa assumiu de vez um tom negativo nesta terça-feira. Por um lado, os dados da economia da China animam o mercado mas, por outro, o aumento no desemprego por aqui inspira cuidado
O Ibovespa passou boa parte da sessão desta terça-feira (31) indeciso, sem saber qual direção tomar. Pois, nesta reta final de pregão, o índice escolheu um caminho: para baixo.
Mais cedo, o Ibovespa até chegou a subir 1,17%, aos 75.511,03 pontos. No entanto, a partir das 16h00, começou a perder força e, às 16h30, já recuava 2,46%, aos 72.800,71 pontos — lá fora, as bolsas dos Estados Unidos também pioraram, passando a cair mais de 1,5%.
No mercado de câmbio, o dólar à vista também se sustentava perto do zero a zero, mas ganhou força nesta tarde: no mesmo horário, já subia 0,28%, a R$ 5,1951, flertando com um novo recorde de encerramento. Lá fora, o dia é de desvalorização da moeda americana em relação às divisas de países emergentes.
- Eu gravei um vídeo para falar da dinâmica dos mercados nesta terça-feira. Veja abaixo:
Em linhas gerais, há dois vetores ditando o comportamento dos mercados brasileiros nesta terça-feira. Por um lado, os investidores globais mostram certo entusiasmo em relação aos mais recentes dados econômicos da China, que indicam uma recuperação no nível de atividade do país asiático.
O PMI industrial chinês avançou de 35,7 em fevereiro para 52 em março, enquanto o índice do setor de serviços foi de 29,6 para 52,3 — um sinal animador para quem aposta na aceleração rápida da economia global depois de superado o pico do surto de coronavírus.
No entanto, os indicadores econômicos do Brasil aumentam a cautela dos agentes financeiros domésticos. Mais cedo, o IBGE divulgou que a taxa de desempregou aumentou para 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro — o que implica num total de 12,3 milhões de pessoas sem trabalho.
Leia Também
Vale lembrar que os números da Pnad contínua ainda não englobam os primeiros efeitos do surto de coronavírus sobre a economia brasileira. Ou seja: a tendência é de piora nos próximos meses.
Assim, por mais que o tom seja mais ameno lá fora, o Ibovespa acaba se ressentindo desses números desanimadores referentes à economia doméstica e, com isso, acaba permanecendo no zero a zero.
Juros em baixa
O pessimismo em relação à economia doméstica desencadeia mais uma onda de ajustes negativos no mercado de juros futuros, com os investidores cada vez mais convencidos de que novos cortes na Selic serão necessários para estimular a atividade local — e que as taxas serão mantidas em patamares mais baixos por um período prolongado.
Veja abaixo como estão os principais DIs nesta manhã:
- Janeiro/2021: de 3,39% para 3,21%;
- Janeiro/2022: de 4,17% para 4,01%;
- Janeiro/2023: de 5,38% para 5,27%;
- Janeiro/2025: de 6,75% para 6,67%.
Exportadoras sobem, Cogna cai
Os indicadores mais saudáveis da economia chinesa animam as ações de empresas exportadoras — caso das petroleiras, das mineradoras, das siderúrgicas e das papeleiras.
O destaque fica com a Petrobras: as ações ON (PETR3) sobem 5,51% e as PNs (PETR4) avançam 5,38%, entre as maiores altas do Ibovespa. Lá fora, a sessão é marcada pela recuperação do petróleo WTI, em alta de 2,49%.
No setor de mineração e siderurgia, o dia também é positivo: Vale ON (VALE3) tem alta de 5,12%, CSN ON (CSNA3) sobe 2,55%, Gerdau PN (GGBR4) avança 6,13% e Usiminas PNA (USIM5) valoriza 5,43%.
Por fim, Suzano ON (SUZB3) e as units da Klabin (KLBN11) exibem ganhos de 7,56% e 4,90%, respectivamente, também pegando carona no clima mais ameno para as exportadoras.
Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa no momento:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| SUZB3 | Suzano ON | 36,56 | +7,56% |
| BRFS3 | BRF ON | 15,50 | +6,82% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | 4,78 | +6,22% |
| GGBR4 | Gerdau PN | 10,38 | +6,13% |
| PETR3 | Petrobras ON | 14,18 | +5,51% |
Na ponta oposta, Cogna ON (COGN3) despenca 14,75% após reportar prejuízo líquido de R$ 168 milhões no quarto trimestre de 2019, revertendo o lucro de R$ 102,3 milhões registrado no mesmo período do ano passado — você pode encontrar os demais destaques do Ibovespa nesta terça-feira nesta matéria.
Confira os papéis de pior desempenho do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| COGN3 | Cogna ON | 4,25 | -16,01% |
| CVCB3 | CVC ON | 11,04 | -14,75% |
| YDUQ3 | Yduqs ON | 23,88 | -10,80% |
| SMLS3 | Smiles ON | 12,23 | -10,40% |
| AZUL4 | Azul PN | 17,44 | -8,64% |
Com invasão dos EUA na Venezuela, como fica o preço do petróleo e o que pode acontecer com a Petrobras (PETR3) e junior oils
Empresas petroleiras brasileiras menores, como Brava (BRAV3) e PetroRio (PRIO3), sofrem mais. Mas a causa não é a queda do preço do petróleo; entenda
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
