Menu
2020-08-12T14:29:36-03:00
Kaype Abreu
Kaype Abreu
Jornalista formado pela UFPR. Fez parte da oitava turma de treinamento em jornalismo econômico do Estadão.
balanços do setor

Via Varejo, B2W e Magazine Luiza põem à prova fôlego digital com balanços do 2º trimestre

Empresas do setor de varejo devem registrar prejuízo em meio à crise da covid-19, mas mercado estará de olho nos números das operações digitais

12 de agosto de 2020
6:03 - atualizado às 14:29
varejo resultados balanço
Imagem: Shutterstock

Os próximos dias devem ser de mais uma prova para as gigantes do varejo brasileiro. Empresas como Via Varejo, B2W e Magazine Luiza apresentam o balanço do segundo trimestre, período marcado pelo foco em operações online em meio à pandemia.

A crise premiou as varejistas que têm grande presença digital ou mostraram avanço na fase da quarentena, com a perspectiva de que os hábitos de consumo da fase de isolamento social permaneçam após a crise. São companhias que estariam mais preparadas para a crise, com dinheiro em caixa e estrutura em parte pronta para o serviço de entrega.

Desde janeiro, ações de Via Varejo subiram 72%, as de Magazine Luiza avançaram 71% e B2W têm ganhos de 90%. No mesmo período, estrearam na B3 empresas do setor como o Grupo Soma (dono de Animale e Farm) e Quero-Quero - especializada em materiais de construção.

O otimismo prevalece a despeito da perspectiva ruim para a economia como um todo, porque o mercado financeiro tem um tempo diferente da economia real. A lógica é a da antecipação de resultados.

Mas o raciocínio pode reservar a armadilha do sobrepreço, de modo que resultados decepcionantes no trimestre penalizariam mais os papéis das companhias. De todo modo, pode ser pensada uma tomada de decisão a partir dessa temporada de balanços.

Por ora, o que resta ao investidor são sinalizações das companhias ao longo dos últimos meses - e as estimativas de analistas - como você confere a seguir. Vale lembrar, o calendário dos resultados é este:

No momento da virada

A crise pegou a Via Varejo em um momento de virada para o digital, processo que começou em meados de 2019. Em março, a empresa estava atrás de concorrentes como Magazine Luiza, a grande referência do mercado, mas certamente em uma situação melhor do que a de um ano atrás.

A percepção positiva sobre a empresa foi reforçada no mês passado, quando a companhia divulgou no Twitter — e em seguida apagou — uma série de dados de desempenho do digital. Entre maio e junho, a varejista teria registrado alta de 2500% nas vendas de câmeras e games, por exemplo. Outros eletrônicos também teriam apresentado alta expressiva.

Hoje, ao menos BTG Pactual, XP Investimentos e Itaú BBA têm recomendação de compra para as ações da companhia. De modo geral, o diagnóstico é o de que a empresa reduziu lacunas tecnológicas que podem não estar precificadas na bolsa.

A Via Varejo foi a Ação do Mês de julho, ou seja, a ação preferida das corretoras consultadas pelo Seu Dinheiro. No mês passado, o papel subiu 25%.

Destaque também para o dinheiro que a empresa levantou nesse meio tempo: R$ 4,45 bilhões em oferta de ações e R$ 1,5 bilhão em debêntures. O movimento fez o analista-chefe da Planner, Mario Roberto Mariante, dizer que a Via Varejo está pronta para surfar na retomada econômica.

Mesmo que a retomada da atividade não ocorra da forma esperada, avaliou o especialista, a companhia estaria estruturada para continuar explorando os canais online. Segundo consulta feita pela Bloomberg, analistas do mercado esperam os seguintes dados para a empresa:

  • Prejuízo líquido: R$ 185,7 milhões (ante R$ 154 milhões)
  • Receita líquida: R$ 5,440 bilhões (↓9,7%)
  • Ebitda: R$ 138,043 milhões (↓64,4%)

Rotina da B2W

A B2W, cuja dona é a Lojas Americanas, deve apresentar prejuízo, mas não por causa da crise do coronavírus. A linha vermelha do balanço virou rotina para a empresa que tenta recuperar a grande fatia do mercado que chegou a ter na década passada, quando o site Submarino.com era uma das referências da internet.

Quando o mercado olha para os números da B2W, dá mais importância às vendas e na integração entre operações online e física. Por ora, há sinalizações positivas: as vendas brutas aumentaram 27,3% no primeiro trimestre — a R$ 4,58 bilhões, na comparação anual — e a empresa recebeu investimentos.

Em julho, a Lojas Americanas levantou R$ 7,8 bilhões em uma oferta de ações. O plano era investir no braço digital e aplicar R$ 4 bilhões na B2W - o que foi feito naquele mesmo mês. A medida deve favorecer o fluxo de caixa operacional das empresas.

Nos últimos tempos ambas consolidaram iniciativas de "O2O" (Online-to-Offline). A B2W ainda tem a vantagem de ser 100% digital e poder usar a estrutura da Americanas — para o serviço de buscar o produto na loja, por exemplo.

Na bolsa, os ganhos de BTOW3 superam da controladora, que subiu 50% desde janeiro. Segundo a projeção de analistas, as principais linhas do balanço devem apresentar os seguintes números:

  • Prejuízo líquido: R$ 58,940 milhões
  • Receita líquida: R$ 2,173 bilhões (↑47%)
  • Ebitda: R$ 170 milhões (↑54,3%)

Há espaço para mais?

Poucos no mercado duvidam da capacidade do Magazine Luiza de atravessar a crise. A empresa é um dos grandes casos de sucesso nos últimos anos na bolsa, com caixa e estrutura robustas.

No início do ano, havia o questionamento se as ações da empresa já não teriam se valorizado demais. Mas a crise do coronavírus impôs ainda mais expectativa sobre o Magalu os papéis escalaram - só nos últimos 12 meses a alta é de 120%.

O movimento fez algumas casas trocarem Magazine Luiza por Via Varejo, argumentado que haveria muito mais espaço para ganhos com a ação da segunda empresa.

Por ora, o Magalu se destaca por ser uma porta-voz do varejo brasileiro, com um discurso em prol de pequenos empresários em meio à crise - concretizado principalmente com o Parceiro Magalu, plataforma para empreendedores.

O Magazine Luiza também segue com movimentos para ter controle de toda a jornada do consumidor. No segundo trimestre, a empresa resolveu pendências da Netshoes e adquiriu a Hubsales - plataforma voltada para a indústria.

Também foram bem vistas pelo mercado a compra da Unilogic Media, da Canal Geek e da InLoco Media, divisão de publicidade da startup pernambucana InLoco. O passo foi considerado estratégico para a brasileira se aproximar de concorrentes globais, como Amazon e Alibaba.

As projeções de analistas para o segundo trimestre do Magazine Luiza, segundo a Bloomberg, são as seguintes:

  • Prejuízo líquido: R$ 127,7 milhões
  • Receita líquida: R$ 5,166 bilhões (↑19,9%)
  • Ebitda: R$ 6,250 milhões (↓98,4%)

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

Mercado imobiliário

BofA está otimista com a construção civil e considera a Cyrela sua ação preferida do setor

Em relatório, analistas da instituição se mostraram otimistas com construtoras brasileiras e disseram que mercado imobiliário está apenas no começo de uma recuperação de vários anos

ANO PERDIDO

Iata piora projeção para demanda por viagens aéreas em 2020

Demanda global deve cair 66% em 2020; estimativa anterior era de queda de 63%

Aquisição

Bradesco reforça carteira digital Bitz com aquisição da fintech DinDin

Os atuais clientes da DinDin vão migrar para o aplicativo do Bitz, em um plano de transição que será elaborado após o fechamento do negócio, cujo valor não foi revelado

POTENCIAL DE ALTA DE 26,5%

Credit Suisse eleva preço-alvo de Gerdau diante do bom momento do mercado de aço

Analistas de banco suíço esperam recuperação do mercado de aço e espaço para ajustes positivos de preços

Títulos públicos

Veja os preços e as taxas do Tesouro Direto nesta terça-feira

Confira os preços e taxas de todos os títulos públicos disponíveis para compra e resgate

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements