Lojas Americanas e B2W fecham acordo para combinar operações e preveem listagem nos EUA
Fusão já era esperada desde fevereiro, quando empresas iniciaram estudos. Todas as operações passam a ser desenvolvidas pela B2W, que se transformará em Americanas S.A.

As Lojas Americanas e a B2W celebraram acordo para a combinação operacional das duas empresas, com a cisão parcial dos ativos das Lojas Americanas, que serão incorporados pela B2W.
O Comitê Independente formado pela B2W propôs à administração a relação de troca de ações na incorporação. Assim, para cada 1 ação ON ou PN das Lojas Americanas (LAME3 ou LAME4), os acionistas receberiam 0,18 ação da B2W (BTOW3). Assim, seriam emitidos 339.355.391 novos papéis desta última. Essa proposta ainda terá que ser aprovada pelos acionistas das duas companhias, o que deve ocorrer em até 40 dias.
A cisão parcial resultará numa redução do capital social de Lojas Americanas em R$ 5.264.260.302,19, passando de R$ 12.586.408.679,90 para R$ 7.322.148.377,71, sem o cancelamento de ações.
Também ocasionará, inicialmente, uma redução do capital social da B2W em R$ 2.804.396.764,34, para absorção de prejuízos acumulados, sem o cancelamento de ações, passando de R$ 12.345.170.174,38 para R$ 9.540.773.410,04.
Em seguida, haverá a incorporação do acervo cindido, com um aumento do patrimônio líquido da B2W no valor de R$ 6.272.152.105,33. Parte deste valor será destinada ao capital social da B2W, que será aumentado, passando, então, de R$ 9.540.773.410,04 para R$ 14.805.033.712,23.
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Após a operação, 100% das operações das duas empresas passarão a ser desenvolvidas pela B2W, e a proposta é que a empresa passe a se chamar Americanas S.A. O código das ações da companhia passaria a ser, assim, AMER3. O custo da cisão parcial das Lojas Americanas, de acordo com o documento de Protocolo e Justificação da operação, será de R$ 98,1 milhões.
Combinação já era esperada
O mercado já esperava pela fusão desde fevereiro, quando as empresas anunciaram que estudavam a combinação dos negócios e que haviam formado um comitê especial, composto pelos três conselheiros independentes da companhia, para avaliar a transação.
Na ocasião, a notícia levou as ações preferenciais das Americanas a subirem quase 20% no pregão seguinte. Já as ordinárias, que não fazem parte do Ibovespa, dispararam quase 40%.
Controlada pelo trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, as Lojas Americanas detêm 62% do capital da B2W, dona dos sites Submarino e Americanas.com.
A união deve tornar a varejista mais comparável com suas concorrentes diretas, como Via Varejo e Magazine Luiza, que já operam com os negócios on-line e de lojas físicas integrados em uma única companhia.
As companhias esperam passar a serem capazes de gerir estoques de forma mais rápida e eficiente, melhorar a utilização das suas ferramentas de análise de dados (data analytics) proprietárias, impulsionar a agilidade e a inovação, eliminar relações com partes relacionadas e ter mais força para operações de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês).
Segundo o fato relevante divulgado ao mercado nesta quarta, a plataforma resultante da integração será baseada em cinco pilares:
- Efeito de Rede: Construir um ecossistema maior e mais fluido para fornecedores, sellers, merchants, parceiros e consumidores, tendo assim mais engajamento, velocidade e facilidade.
- Tecnologia Proprietária: Alavancar e desenvolver uma plataforma tecnológica integrada e baseada em cloud, permeando nosso negócio com uma arquitetura moderna e data driven, para gerar maiores insights a partir de um único data analytics.
- Economia de Escala: Gerar economia de escala em todas as nossas frentes de negócio e operar nossa plataforma de logística e fulfillment de forma mais eficiente. Gerenciar o negócio com mais agilidade a partir de uma gestão unificada de estoques que permeará
todos os nossos canais de venda. - Branding Poderoso: Aumentar o alcance da comunicação com estratégias e campanhas únicas que reforçam a marca Americanas, uma das mais valiosas do Brasil, reconhecida por todos os brasileiros.
- M&A e Novas iniciativas: Criar um motor de M&A ainda mais poderoso para avaliar, negociar e integrar novas aquisições, acelerando o desenvolvimento de novas iniciativas, como (a) crescer exponencialmente nossa fintech Ame Digital, (b) oferecer mais produtos e serviços financeiros, (c) acelerar nossa plataforma de publicidade, e (d) ir além do varejo, em direção a novos negócios compatíveis com os objetivos sociais da Americanas e verticais para expandir o mercado endereçável.
Listagem nos Estados Unidos
Para uma segunda etapa, prevista para ocorrer no início de 2022, as Americanas pretendem criar as Americanas Inc. e listar ações nos Estados Unidos, com potencial migração da base acionária das Lojas Americanas, ainda em estudo.
Entre os benefícios da listagem nos EUA, a companhia cita o acesso a mais investidores, a participação em novos índices de ações, o aumento das fontes de financiamento, a redução do custo de capital, o fomento do engajamento dos acionistas de longo prazo e o aumento da visibilidade e dos padrões de governança e compliance.
*Com Estadão Conteúdo.
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