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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

Varejo em foco

XP revisa recomendações do varejo e coloca Americanas em destaque

Nessa briga de gigantes, Via Varejo e Magazine Luiza têm recomendação neutra enquanto Americanas e B2W têm de compra

Renan Sousa
Renan Sousa
9 de fevereiro de 2021
12:51 - atualizado às 18:31
Fachada da Lojas Americanas (AMER3, LAME3 e LAME4))
Imagem: Wikipedia

A XP Investimentos revisou suas perspectivas para ações de empresas de varejo e e-commerce nesta terça-feira (09). No comunicado, a corretora se diz “cautelosamente otimista com o setor de e-commerce brasileiro”, que cresceu significativamente durante a pandemia e tem previsão de ir ainda mais longe em 2021.

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Mas a briga é de cachorro grande. Entre as empresas estão Magazine Luiza, B2W e Via Varejo, com especial destaque para Lojas Americanas, que vem desenvolvendo bem um ambiente digital e físico, com uma vasta modalidade de formas de pagamento, além de logística para clientes e parceiros.

Preço-alvo e recomendações

A XP deixou a recomendação de compra para sua queridinha Americanas (LAME4), com preço alvo em R$ 36,00, abaixo da previsão anterior de R$ 44,00, e para a B2W (BTOW3), valendo R$ 121,00, abaixo dos R$ 135,00 do último relatório, até o final de 2021.

Já a recomendação neutra ficou com Magazine Luiza (MGLU3), com preço alvo de R$ 27 (acima dos R$ 20 da previsão anterior) e Via Varejo (VVAR3), aos R$ 20,00 (abaixo dos R$ 28,00 da última previsão) no final do mesmo período.

Perspectivas para o mercado

O forte desempenho de 2020 não deve desanimar o avanço do e-commerce, que deve crescer mais 32% este ano. Isso porque o isolamento social não tem uma perspectiva de acabar tão cedo, o que fortaleceria ainda mais o comércio digital. Na comparação anual, de 2019 até o ano passado, esse tipo de serviço cresceu 41%, atingindo os R$ 87 bilhões.

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A perspectiva de expansão se dá pelo fato de o Brasil ainda não ter um público sólido de e-commerce. Estima-se que esse tipo de serviço corresponda de 6% a 9% nas vendas. O número é quase quatro vezes menor do que o da China, em que a penetração do comércio digital é de 35%.

Leia Também

Quando a análise é feita por categoria (moda, brinquedos, farmácia, eletroeletrônicos etc.), é perceptível que o Brasil ainda pode crescer muito nesse segmento. Mas essas empresas terão que ficar de olho nas gigantes de fora que querem tomar o mercado.

Leia mais no "Raio X" no fim da matéria.

Concorrência

O Brasil é o maior mercado eletrônico da América Latina e o décimo lugar no mundo. Mas os primeiros lugares (China e EUA, respectivamente) têm uma particularidade: uma única empresa domina boa parte do setor de comércio digital. A Alibaba tem 56% do mercado chinês; já a Amazon rouba uma fatia de 38%, enquanto 52% são divididos entre outras companhias.

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Por aqui, a maior fatia fica com o Mercado Livre em 23%, enquanto B2W fica com 22%, Magalu com 13% e Via Varejo com 9%. O restante (33%) está pulverizado em outras pequenas empresas. A Alibaba não tem exercido uma pressão tão grande no mercado brasileiro, mas a Amazon já reforçou seu programa de logística e fornecimento e quer entrar de cabeça no e-commerce do Brasil. 

Peguem suas armas

Para esse duelo, quem trouxe o melhor equipamento foi a Americanas. A relação entre sua dívida líquida e seu EBITDA (“Earnings before interest, taxes, depreciation and amortization”, ou, em português, “Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização”) revelou que o “Universo Americanas” tem mais de R$ 8 bilhões de “poder de fogo”, que pode ser usado em investimentos na plataforma e/ou aquisições.

Além disso, todas as empresas listadas já contam com alguma forma de cashback ou meio de pagamento com vantagens, além, é claro, de diversificar as formas de pagamento para atrair os clientes.

A cereja do bolo à brasileira

Você sabia que os consumidores na faixa de 14 a 24 anos (a chamada Geração Z) gostam de lojas físicas? De acordo com uma pesquisa da AT Kearney, 81% dos entrevistados disseram que gostam de comprar nas lojas pessoalmente e 73% preferem descobrir novos produtos visitando estabelecimentos.

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Não apenas por valorizar a experiência em loja (como a Apple ou Samsung fazem para atrair clientes com seus vidros chamativos e luzes brancas ofuscantes), mas porque elas se tornam pontos facilitadores para o cliente.

Por exemplo, é possível pagar pela internet e retirar na loja ou fazer uma compra com entrega rápida. Os donos desses estabelecimentos costumam usar as tecnologias que melhoram a experiência do cliente presencialmente, como reduzir o tempo de filas (com agendamento do horário para o pagamento no caixa), facilidade de encontrar um produto na loja ou mesmo aprender sobre novos produtos com um atendente. 

Por isso, das empresas listadas pela XP, diversas delas não apenas mantiveram como transformaram suas lojas físicas em verdadeiros centros de distribuição. Conhecendo o mercado brasileiro, elas estarão prontas para a chegada de gigantes do setor.

Raio X: uma a uma

Magazine Luiza (MGLU3): Para a XP, a Magazine Luiza segue um bom caminho de captação de clientes e experiência de compra. Entretanto, os planos para 2020 já entraram em ação e já afetaram o preço das ações. O mercado mais competitivo exigirá um movimento maior da empresa em diversos canais. 

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Lojas Americanas (LAME4): A Lojas Americanas é forte na parte de lojas físicas e tem apresentado bons planos para penetrar ainda mais no e-commerce. Como já foi dito, a empresa tem capital para isso e as ações estão sendo comercializadas com um bom preço, segundo a casa de investimentos.

B2W (BTOW3): A B2W também já está bem consolidada no mercado e conta com uma ampla rede de parceiros para seus negócios. Entretanto, os investimentos de alto risco e o crescimento terão um custo que recomenda cautela aos investidores.

Via Varejo (VVAR3): Apesar de boas perspectivas de crescimento, tanto no físico quanto no digital, a Via Varejo ainda têm um longo caminho até se igualar aos seus parceiros no varejo. No curto prazo, a empresa pode enfrentar dificuldades para entregar resultados nesse ambiente competitivo. 

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