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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Semana quente

Gigantes no ringue: o que esperar dos balanços de Vale, Petrobras, Bradesco e Santander

Temporada de balanços vai esquentar definitivamente a partir desta terça-feira, com a divulgação dos resultados do segundo trimestre de vários pesos-pesados da bolsa

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
28 de julho de 2020
5:40 - atualizado às 13:09
Mercados juros bolsa coronavírus
Imagem: Shutterstock

A temporada de balanços do segundo trimestre das empresas abertas brasileiras começou na semana passada. Mas vai esquentar definitivamente a partir desta terça-feira, com a divulgação dos resultados de vários pesos-pesados da bolsa, incluindo Petrobras, Vale, Ambev, Bradesco e Santander Brasil.

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Não espere milagres: os números do segundo trimestre da maioria das empresas virão ruins, muito ruins. Afinal, trata-se do período em que a economia praticamente parou diante das medidas de isolamento social para conter o avanço da pandemia do coronavírus.

O tamanho do impacto vai depender, é claro, da exposição de cada empresa e setor. Por isso é importante acompanhar também as projeções que as empresas e bancos farão para o desempenho no resto do ano. Saiba em mais detalhes o que esperar para os resultados:

Santander e Bradesco

Os grandes bancos tiveram um raro trimestre de queda nos lucros no primeiro trimestre deste ano. A exceção foi o Santander.

Ao contrário dos principais concorrentes, a unidade brasileira do banco espanhol registrou aumento de 10,5% no resultado em relação aos três primeiros meses do ano passado, para R$ 3,853 bilhões.

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A discrepância ocorreu porque o Santander decidiu não fazer provisões para um provável aumento da inadimplência em razão da forte retração da economia esperada com os impactos do coronavírus.

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Com isso, o banco alcançou a inédita condição de mais rentável entre os gigantes do varejo financeiro brasileiro. Mas essa liderança só deve durar um trimestre.

A expectativa dos analistas é que a conta do coronavírus apareça nos números que serão divulgados nesta quarta-feira, antes da abertura da bolsa.

Apesar da forte queda esperada para o lucro, de acordo com as projeções compiladas pela Bloomberg, o mercado pode reagir bem aos números dependendo da trajetória tanto da inadimplência como do crescimento da carteira de crédito.

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Do lado do Bradesco, a expectativa também é de lucro menor, mas como o banco fez provisões extras para o efeito coronavírus no primeiro trimestre, a maior parte do ajuste já está na conta dos analistas.

Os números que serão divulgados na quinta-feira bem cedo só devem surpreender, portanto, se os números trouxerem um novo aumento nas despesas para perdas no crédito.

O Bradesco também surgiu no noticiário com rumores sobre uma possível aquisição de uma participação no C6 Bank, banco digital criado por ex-sócios do BTG Pactual.

É importante ficar de olho porque os bancões costumam anunciar aquisições em momentos de crise. Foi assim com o próprio Bradesco, quando anunciou a compra do HSBC Brasil, em meio à recessão da economia em 2015.

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Projeção para os resultados:

Santander:

  • Lucro líquido: R$ 2,125 bilhões (↓ 39,5%)
  • Retorno sobre o patrimônio líquido: 11,8%

Bradesco:

  • Lucro líquido: R$ 3,997 bilhões (↓ 34,2%)
  • Retorno sobre o patrimônio líquido: 12,5%

Vale

Uma das poucas empresas que vêm se destacando em meio aos estragos provocados pelo coronavírus é a Vale. No ano, as ações da mineradora acumulam valorização de 15%, contra uma queda de quase 10% do Ibovespa no período.

O desempenho é justificado em parte pelas medidas de estímulo adotadas pelos governos para conter os efeitos do coronavírus na economia, principalmente na China, grande consumidor do minério produzido pela Vale.

Não que a empresa não seja afetada pela covid-19. Os impactos acontecem principalmente na produção em consequência das medidas de isolamento e quarentena.

A empresa já divulgou os dados de produção de minério no segundo trimestre, com alta de 5,5% na comparação anual, mas abaixo do consenso do mercado. Mesmo com os efeitos da pandemia, a Vale manteve a projeção de produção para este ano entre 310 e 330 milhões de toneladas. O balanço da empresa sai na quarta-feira, após o fechamento da bolsa.

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Além da pandemia, a mineradora ainda lida com as consequências da tragédia do rompimento da barragem de Brumadinho. Com o aumento da importância dos temas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), a empresa tem um longo caminho a percorrer até reconquistar a confiança dos investidores.

Projeção para os resultados:

  • Lucro líquido: R$ 7,798 bilhões (ante prejuízo de R$ 384 milhões no 2ºtri19)
  • Ebitda: R$ 19,292 bilhões (↑ 57,9%)
  • Receita líquida: R$ 40,316 bilhões (↑ 11,97%)

Petrobras

Se a maior parte das empresas precisou lidar, em maior ou menor grau, com os efeitos da pandemia do coronavírus nos negócios, a Petrobras ainda enfrentou uma “crise dentro da crise”.

No auge do pânico dos mercados, os principais países produtores de petróleo se desentenderam quanto ao rumo da produção, o que levou um colapso nos preços no mercado.

Essa briga afetou diretamente o resultado da Petrobras no primeiro trimestre, que apresentou um prejuízo de R$ 48,5 bilhões graças a uma baixa contábil bilionária provocada pela queda das cotações internacionais de seu principal produto.

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Os preços do petróleo recuperaram uma parte das perdas de março e abril, mas a expectativa dos analistas para os resultados da Petrobras ainda é de prejuízo, de acordo com os dados da Bloomberg.

Assim como a Vale, a estatal também divulgou seus dados de produção no segundo trimestre, com uma queda de 3,5% na produção de óleo e gás natural no Brasil em comparação ao trimestre anterior. A Petrobras publica o balanço na quinta-feira, após o fechamento dos mercados.

Projeção para os resultados:

  • Prejuízo líquido: R$ 5,473 bilhões (ante lucro de R$ 5,157 bilhões no 2ºtri19)
  • Ebitda: R$ 17,988 bilhões (↑ 11,3%)
  • Receita líquida: R$ 55,610 bilhões (↑ 1,53%)

Confira o calendário das demais empresas do Ibovespa que divulgam resultados até o fim desta semana:

Terça-feira - 28/7

  • Cielo (CIEL3) - após o fechamento
  • Minerva (BEEF3) - após o fechamento
  • Smiles (SMLS3) - após o fechamento
  • CSN (CSNA3) - n/d

Quarta-feira - 29/7

  • Localiza (RENT3) - após o fechamento
  • Pão de Açúcar (PCAR3) - após o fechamento
  • EcoRodovias (ECOR3) - após o fechamento
  • Vale (VALE3) - após o fechamento
  • Santander Brasil (SANB11) - antes da abertura
  • TIM (TIMP3) - após o fechamento

Quinta-feira - 30/7

  • Ambev (ABEV3) - antes da abertura
  • Bradesco (BBDC4) - antes da abertura
  • Engie (EGIE3) - após o fechamento
  • Fleury (FLRY3) - após o fechamento
  • Petrobras (PETR4) - após o fechamento
  • Usiminas (USIM5) - antes da abertura

Sexta-feira - 31/7

  • Gol (GOLL4) - antes da abertura

*Colaborou Kaype Abreu

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