Fundadores da Linx ainda levam 20% a mais que demais acionistas na nova oferta da Stone
O valor por ação que os fundadores da Linx receberão na transação com a Stone será de aproximadamente R$ 42, contra R$ 35,10 dos demais acionistas, segundo cálculos da gestora Reach Capital

Depois de muitas críticas no mercado, a Stone decidiu fazer uma nova oferta para incorporar a empresa de tecnologia para o varejo Linx. Mas a proposta reformulada não resolveu o ponto mais polêmico da transação: o tratamento diferenciado dado aos fundadores da companhia.
A Stone agora oferece um total de R$ 6,28 bilhões, o equivalente a R$ 35,10 por ação da Linx — sendo R$ 31,56 em dinheiro mais 0,0126774 ação da Stone. A proposta original previa o pagamento de R$ 6,04 bilhão, ou R$ 33,76 por ação.
O problema é que a operação manteve o pagamento diferenciado ao CEO da Linx, Alberto Menache, e aos conselheiros e fundadores Nércio Fernandes e Alon Dayan. Ainda que com valores menores do que na oferta original, eles ainda receberão 20% a mais por suas ações.
A Linx é listada no Novo Mercado de governança corporativa da B3, cujas regras proíbem o tratamento diferenciado entre acionistas no caso da venda da empresa.
Mas a oferta da Stone prevê um pagamento adicional ao trio Menache, Fernandes e Dayan em contratos de "não-competição" e "engajamento", no total de R$ 187 milhões. Com isso, o valor por ação que os fundadores receberão na transação com a Stone será de aproximadamente R$ 42, de acordo com cálculos da gestora Reach Capital.
Leia Também
Trata-se de um valor menor do que os R$ 46 por ação (R$ 321 milhões) previsto na proposta original firmada entre a Stone e a Linx. Mas ainda assim representa 20% a mais do que os demais acionistas levarão caso a oferta seja aprovada em assembleia.
“A nova proposta ficou um pouco menos absurda, mas ainda é irregular na sua essência”, me disse Henrique Lara, analista e sócio da Reach.
Ele também lembrou que o valor de R$ 35,10 por ação oferecido pela Stone— e agora defendido pelos fundadores da companhia — é inferior aos R$ 36 obtidos pela Linx na oferta de ações realizada em junho do ano passado.
No pregão desta terça-feira, os papéis da Linx (LINX3) eram negociados em alta de 4,55%, cotados a R$ 37,20, em um sinal de que os investidores esperam uma guerra de preços pela companhia. Leia também nossa cobertura completa de mercados.
Após o anúncio do acordo com a Stone, a empresa de tecnologia Totvs lançou uma oferta pela Linx, na qual avaliou a companhia em R$ 6,1 bilhões.
O valor é menor que o da nova proposta da Stone, mas com a importante diferença que os fundadores da Linx não recebem nem um centavo a mais que os outros acionistas. Resta saber agora se a Totvs fará uma nova ofensiva, oferecendo um valor maior.
Em reunião com analistas do Credit Suisse, os executivos da Stone justificaram o pagamento adicional como uma forma de diminuir o risco da operação.
Como os fundadores da Linx possuem experiência no mercado e estariam capitalizados, eles poderiam dar início a um novo negócio que concorreria com o da antiga empresa. Mas quem conhece o ramo de tecnologia diz que é muito difícil começar uma nova empresa do zero e que a taxa de cancelamentos e troca de fornecedores no setor é baixa.
Outro problema para os acionistas da Linx é que, caso eles rejeitem a oferta da Stone, a empresa está sujeita a uma multa de R$ 112,5 milhões, valor que sobe para R$ 454 milhões se a companhia aceitar uma proposta concorrente, como a da Totvs.
Procurada, a Linx enviou a seguinte nota:
A Linx procederá em acordo com seu dever fiduciário e está analisando as ofertas da Stone e Totvs, por meio de processo formal conduzido sob responsabilidade exclusiva de seus conselheiros independentes. Como a combinação de negócios depende da aprovação de órgãos reguladores e dos acionistas da empresa, a Linx prefere não se manifestar por meio de entrevista até que esse processo esteja totalmente finalizado. O mercado e demais interessados serão informados sobre esse trâmite por meio dos comunicados oficiais da empresa.
APOSTAS SAÍRAM DO CARRINHO
Com proibição das bets, duas ações do varejo podem ser as mais beneficiadas, mas Eleven faz alerta para a recuperação do setor
1 de outubro de 2026 - 12:12ROXINHO NÃO VAI ÀS COMPRAS?
Nubank (ROXO34) nega compra bilionária de fintech britânica Monzo após tombo em NY; ações sobem forte no pré-mercado
1 de outubro de 2026 - 9:35PANDA BONDS
A operação bilionária da Vale (VALE3) na China: mineradora conta os planos dessa estreia
30 de setembro de 2026 - 19:53BANCOS
Dia cheio no Bradesco (BBDC4): de R$ 3,8 bilhões em JCP a leilão de sobras de ações até o “Pix” internacional
30 de setembro de 2026 - 19:33QUEM SOBE QUANDO OS JUROS CAEM?
JP Morgan aumenta pessimismo com Natura (NATU3) e corta recomendação; veja as varejistas preferidas do banco para surfar o rali eleitoral
30 de setembro de 2026 - 12:10CORTANDO ONDE DÁ
Como o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) quer transformar uma despesa milionária em fonte de receita em meio à recuperação
30 de setembro de 2026 - 10:53REESTRUTURAÇÃO CORPORATIVA
Raízen (RAIZ4) quer trocar o conselho, mexer no capital e entregar até R$ 35 bilhões em novos papéis aos acionistas
30 de setembro de 2026 - 10:33GOVERNANÇA
CEO bumerangue: por que empresas, como Natura e Ri Happy, trazem antigos líderes de volta — e quando isso vira um sinal de alerta
30 de setembro de 2026 - 6:12CHEQUE EM BRANCO
Do sonho de construir um ‘avião de ponta-cabeça’ ao banco do futuro: o que o CEO da Revolut prevê para o seu dinheiro
29 de setembro de 2026 - 19:42GATILHO BILIONÁRIO
IRB (IRBR3): nova lei reduz impostos e pode liberar vantagem bilionária para a resseguradora
29 de setembro de 2026 - 14:11DANÇA DAS CADEIRAS
Copasa (CSMG3) troca liderança e aumenta poderes do governo de MG com a golden share; entenda as mudanças
29 de setembro de 2026 - 10:21MAIS UMA FRONTEIRA
BTG Pactual (BPAC11) conquista licença de banco no Peru e acelera expansão internacional; veja o que muda
29 de setembro de 2026 - 10:00Marketing Digital
R$ 42,7 bilhões em publicidade digital: Por que as marcas estão indo além do anúncio para conquistar a atenção do público
29 de setembro de 2026 - 9:00RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Do Chapter 11 para o 15: o que significa a decisão favorável da Ambipar (AMBP3) nos EUA
28 de setembro de 2026 - 19:34TCHAU OU ATÉ LOGO?
Presidente do conselho da Tupy (TUPY3) renuncia, mas não deve dar adeus à empresa
28 de setembro de 2026 - 19:24REVANCHE EM SOLO INGLÊS
Nubank tomba quase 9% em NY após rumor de compra bilionária no Reino Unido; roxinho prepara revanche contra a Revolut?
28 de setembro de 2026 - 15:51DE OLHO NO FUTURO
WEG (WEGE3) anuncia dois investimentos milionários em grandes avenidas de crescimento da próxima década
28 de setembro de 2026 - 15:15OLHO NA TARJA
O detalhe que levou a Anvisa a proibir a Hypera Pharma (HYPE3) de divulgar a caneta emagrecedora Semavy
28 de setembro de 2026 - 7:54ENTREVISTA EXCLUSIVA
Inter adiou o ROE de 30%, mas não desistiu da meta: CEO revela qual é a prioridade agora
28 de setembro de 2026 - 6:14AGORA É SÓ SUBIR