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Parece cloroquina mas é só tristeza

15 de maio de 2020
19:19 - atualizado às 14:18
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Brasil perdeu hoje o segundo ministro da Saúde em menos de um mês. O que já seria algo pouco convencional em “tempos de paz” se torna ainda mais preocupante quando acontece no meio de uma pandemia que já matou 14 mil brasileiros.

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Muitos temores nascem do cansaço e da solidão, já dizia Renato Russo. Nelson Teich chegou ao governo pregando alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro. Mas não foi isso o que se viu nos 28 dias em que esteve à frente da pasta.

Nas esquinas invisíveis da Esplanada dos Ministérios, Teich já era carta fora do baralho pelo menos desde a publicação do decreto que estabeleceu como atividades essenciais barbearias, salões de beleza e academias. Como sabemos, a medida foi tomada sem o conhecimento do então ministro.

Como sempre discreto, Teich fez um breve pronunciamento para falar sobre a saída do governo, mas não falou sobre os motivos do pedido de demissão.

A razão alegada pela imprensa para o fim do “casamento” – para usar a metáfora favorita do presidente – teria sido a desavença sobre o uso da cloroquina (ou hidroxicloroquina para os íntimos) no tratamento do coronavírus. O medicamento defendido por Bolsonaro não teve até o momento eficácia comprovada contra a doença.

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De todo modo, a confirmação da saída de mais um ministro da Saúde pesou sobre os mercados e aumentou a incerteza sobre a forma como o governo vai lidar com o avanço do vírus.

Leia Também

O Ibovespa ampliou as perdas logo após a notícia e fechou a sexta-feira em queda de 1,84%. O dólar voltou a subir e encerrou o dia cotado a R$ 5,839 (+0,34%).

Lá fora, as bolsas fecharam em alta hoje, embora não tenha sido uma semana fácil nos mercados globais. Saiba com o Victor Aguiar como as crises simultâneas na saúde, na economia e na política mexeram com o humor dos investidores.

O ministro, o dólar e mais

A confirmação da saída do ministro Nelson Teich ocorreu logo no começo da transmissão ao vivo do nosso podcast Touros e Ursos. O Victor Aguiar e a Julia Wiltgen comentaram o assunto, é claro, assim como a nova disparada do dólar, agora flertando com os R$ 6,00, e responderam às dúvidas dos internautas. Se você perdeu a transmissão confere lá no nosso canal no YouTube.

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Menção nada honrosa

A consultoria Eurasia voltou a criticar Jair Bolsonaro, dizendo que se trata do líder “mais incompetente” no combate ao coronavírus em uma democracia. A declaração foi dada pelo presidente da consultoria política, Ian Bremmer. Ele também chamou atenção para a demissão do segundo ministro da Saúde em menos de um mês e disse que Donald Trump parece muito bom perto do presidente brasileiro.

Falou PF

E por falar em Bolsonaro, o chefe do Executivo admitiu que disse “PF”, as iniciais para Polícia Federal, no vídeo da reunião ministerial citada como Sergio Moro como prova de interferência na corporação. O presidente disse que a sua queixa se referia à PF, mas que tinha a ver com outra coisa: o serviço de inteligência que ela desempenha. Anteriormente, Bolsonaro havia dito que não havia usado a expressão “Polícia Federal” na gravação. Leia mais sobre a polêmica das iniciais.

Ajuda aérea

O BNDES afirmou que as três principais companhias aéreas aderiram à ajuda do banco. O pacote de apoio veio de um sindicato de bancos coordenado pelo órgão. De acordo com o presidente da instituição, Gustavo Montezano, o pacote de socorro está agora na “execução desses mandatos”. Confira o que se especula até agora sobre o plano de resgate.

Esteves banca IPO

O bilionário André Esteves não está para papinho: o banqueiro do BTG Pactual sinalizou que garantiria o IPO da Estapar se o preço da ação ficasse no piso indicativo da faixa. E não deu outra. O banqueiro comprou 40% das ações da empresa de estacionamentos na oferta pública inicial. A rede de estacionamentos captou quase R$ 350 milhões com a operação, mas as ações derraparam na estreia.

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O diabo mora nos detalhes

Você investiria em um fundo que entregasse como rentabilidade o dobro do Ibovespa, para cima ou para baixo? Pode parecer um risco calculado à primeira vista, mas e se eu dissesse que esse retorno é garantido apenas por um dia, e não ao longo do tempo? Nesta coluna, o Bruno Marola conta o que aconteceu com alguns “fundos de índice” (ETFs, na sigla em inglês) alavancados na crise. Vale a pena ler!

Um ótimo fim de semana para você!

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