Sobre como investir próximo ao topo
Voltar tão perto do pico demonstra um bom senso descomunal

No dia 16 de outubro de 1995, Göran Kropp, então com 29 anos, partiu de Estocolmo numa bicicleta com 109 quilos de bagagem.
Seu plano era viajar desde o nível do mar até o topo do Everest, completamente sozinho, sem guias, sem ajudantes de carga e sem uso de oxigênio artificial.
[captacao]
A despeito da experiência prévia do sueco escalando três dos maiores picos do mundo, tratava-se de um objetivo de extrema ambição.
Ao longo dos 13 mil quilômetros de viagem, ele foi assaltado por ciganos e atacado por uma turba paquistanesa.
No Irã, um motoqueiro esquentado testou a robustez de seu capacete com um taco de beisebol.
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Apesar de todos esses acidentes de percurso, ele chegou inteiro à base do Everest em abril de 1996, quando iniciou suas três semanas de aclimatação nas novas altitudes.
Em 2 de maio, Göran Kropp alcançou o acampamento avançado, a 7.925 metros de altura, de onde partiria para o último ataque em direção ao topo, acompanhado via rádio pela imprensa internacional.
A camada de neve na alta montanha estava especialmente funda, de modo que só era possível avançar lentamente e com um enorme desgaste físico.
Mesmo assim, a determinação de Kropp o carregou até os 8.747 metros de altura, a partir de onde faltavam apenas sessenta minutos para o cume.
Foi esse o momento em que ele decidiu voltar, calculando que estaria cansado demais para descer em segurança se fosse adiante.
Frustrante, não?
A verdade é que voltar assim tão perto do pico demonstra um bom senso descomunal.
A comunidade mundial de alpinistas passou a tratá-lo com muito mais respeito do que se tivesse continuado até o topo naquelas condições.
Com uma certa dose de força de vontade, qualquer idiota consegue subir a montanha.
O grande problema é descer de lá vivo.
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