Como preparar seu orçamento pessoal para enfrentar o coronavírus
Se você perdeu o emprego ou teve redução de renda por conta da crise, saiba como se reorganizar para enfrentar esse momento difícil com o menor dano possível para seu dinheiro.

Olá, seja bem-vindo ao nosso papo de domingo sobre Aposentadoria FIRE® (Financial Independence, Retire Early). Na semana passada, escrevi sobre a urgência de pensar na sua aposentadoria e não depender do governo.
Fiquei muito feliz com os feedbacks e hoje quero responder à principal dúvida que recebi dos leitores do Seu Dinheiro a partir daquele texto:
- Ok, vou me preocupar com a minha aposentadoria. Mas antes disso, eu preciso ajustar meu orçamento ao coronavírus. O que fazer nesses tempos difíceis?
Bora lá, vou te passar algumas ideias para um orçamento pessoal de guerra para enfrentar o coronavírus. E já adianto, não será aquele papo batido de cortar o cafezinho.
Teve redução de salário ou perdeu o emprego?
Infelizmente, muitas pessoas estão em uma das situações acima. Na grande maioria dos setores, aqueles que não foram afastados tiveram seus salários temporariamente reduzidos, em muitos casos uma redução de 50% ou mais.
Outros foram demitidos e agora têm a ingrata missão de se recolocar em um mercado de trabalho muito mais difícil.
Independente da situação, se o seu fluxo de caixa mensal foi reduzido de maneira significativa e não consegue mais dar conta das suas despesas mensais fixas, você precisa fazer escolhas difíceis.
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Aconselhei neste semana uma pessoa cujo exemplo se encaixa perfeitamente no que preciso transmitir.
Essa pessoa tinha um orçamento mensal de R$ 8 mil, com despesas fixas de R$ 6,5 mil (aluguel, mercado, contas da casa, carro e escola do filho único).
Os rendimentos dele foram reduzidos em 60% pelo empregador; ele deverá receber R$ 3,2 mil por tempo indeterminado.
Claramente, mesmo depois de cortar as despesas não essenciais, falta dinheiro para fechar o mês.
Para enfrentar essa situação, listo abaixo, em ordem de prioridades, as melhores opções.
- Se você possui alguma reserva de emergência, não tenha medo de consumi-la neste momento. Certamente os custos de qualquer linha de crédito bancário vão exceder os retornos potenciais que esse dinheiro lhe traria parado numa aplicação de pouco risco.
- Se você não possui uma reserva de emergência, busque liquidez em ativos substituíveis. Por exemplo, trocar o carro por um modelo mais simples, ou vendendo coisas que estão encostadas em casa e você não usa mais.
- Fique ligado nas possibilidades de renegociação de prazos de pagamentos das contas, como a prestação da casa ou do carro.
Vale a pena aprofundar o ponto #3
Só para que fique claro, não estou incentivando ninguém a dar calotes.
Estou falando de uma situação extrema em os que recursos não cobrem mais despesas devido a um fator completamente imprevisto e incontrolável como o coronavírus. Uma situação em que a única opção seja postergar algumas contas.
É hora de renegociar dívidas
Se você ainda não o fez, precisa fazê-lo imediatamente. Com a crise provocada pelo coronavírus, os bancos anunciaram medidas de mitigação dos danos financeiros.
Os cinco maiores bancos do país - Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Caixa Econômica - anunciaram que poderão conceder carência de até 60 dias nas parcelas de suas linhas de crédito.
Cada banco decide qual linha de crédito será contemplada. Caso você esteja apertado e tenha prestação de financiamento imobiliário ou de veículo, vale a pena pedir a prorrogação do prazo de pagamento.
Ficam de fora da medida as dívidas de cartão de crédito e cheque especial. Mesmo assim, vale uma tentativa de renegociação com os bancos. Essas são duas das dívidas mais caras que você pode assumir.
Uma boa alternativa é contatar o seu banco em busca de um empréstimo pessoal para quitar as dívidas do cartão de crédito ou cheque especial. Literalmente, é trocar uma dívida por outra.
No caso do financiamento pessoal, os juros ficam entre 5,5% e 5,9% ao mês (abaixo disso na modalidade consignada). Ainda são custos muito elevados, quase obscenos, mas inferiores aos custos do cartão e do cheque especial.
Em última instância, para os que possuem um financiamento imobiliário antigo, também recomendo buscar alternativas em outros bancos, ou até com o mesmo credor.
Muitas pessoas com quem converso possuem financiamento imobiliário com custo entre 9,5% e 10% ao ano, enquanto a maioria dos bancos já começa a praticar financiamentos de 8% e até menos (especialmente no caso dos clientes com relacionamento na Caixa Econômica Federal).
A escolha do que não pagar
Caso não tenha jeito e você não consiga negociar nenhum tipo de carência e não tenha dinheiro para pagar todas as suas contas, recomendo que faça uma escolha inteligente do que não pagar.
Preste atenção nos contratos e nas previsões de multas e juros por atraso de pagamento.
No caso dos boletos, o custo do atraso é definido por lei como um multa de 2% do valor total, mais 1% ao mês em juros.
É mais vantajoso para você atrasar um boleto do que entrar no cheque especial. Os juros do boleto bancário são muito mais baratos.
E se tiver que escolher qual boleto atrasar, não deixe de pagar a conta do cartão de crédito. Os juros provavelmente são superiores a 7% ao mês.
Quanto à pessoa que aconselhei e mencionei acima, entre atrasar a fatura de um dos cartões e a escola do filho (com vencimento em boleto), sugeri que optasse por atrasar o pagamento da escola, dada a similaridade nos valores.
Do ponto de vista moral, certamente é mais difícil de engolir que acertar as contas com o banco seja uma prioridade em relação à escola das crianças. Mas sendo pragmático, olhando em termos puramente contratuais e financeiros, é o melhor a se fazer.
E o mais importante: tenha em mente que isso vai passar
Ninguém sabe ao certo como retornaremos à rotina, tampouco em que ritmo o faremos.
Mas o que sabemos é que o mundo inteiro está empenhado em resolver o mesmo problema. E, no passado, todas as vezes em que o mundo se propôs a resolver algo, o problema foi resolvido.
Pense nesses meses difíceis como uma travessia. Tudo que precisamos fazer é chegar ao outro lado.
Não será fácil, mas certamente sairemos todos mais fortes.
Nesse meio tempo, aproveite também para refletir sobre a sua condição financeira e fragilidade de depender de uma única fonte de renda como o trabalho.
É imperativo construir uma reserva de emergência e começar a investir assim que as coisas estiverem normalizadas.
Prepare-se para isso, e conte com a nossa ajuda: a Empiricus continua oferecendo todas as suas assinaturas essenciais por apenas R$ 5 por mês.
É a oportunidade de começar a aprender sobre investimentos agora mesmo, e estar preparado para dar os passos certos quando as coisas estiverem de volta ao normal. Convido você a conhecer nosso trabalho, especialmente o Empiricus FIRE®, em que eu e o Rodolfo Amstalden nos dedicamos ao projeto de aposentadoria precoce de milhares de pessoas.
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