Ibovespa sobe seguindo NY, mas ainda monitora situação fiscal; dólar cai quase 3%
Investidores brasileiros aguardam novidades sobre o auxílio-emergencial e o novo programa Renda Brasil. Preocupação é com teto de gastos e situação fiscal brasileira

A revisão da política monetária americana anunciada ontem pelo presidente do Federal Reserve Bank, Jerome Powell, continua ecoando de forma positiva nos mercados financeiros.
As bolsas americanas operam em alta, com o índice Dow Jones próximo de zerar as perdas do ano e o Nasdaq e o S&P-500 em busca de novos recordes. Seguindo o otimismo em Nova York, o Ibovespa também avança na última sessão da semana.
Por volta das 16h45, o principal índice da bolsa brasileira apresentava alta de 1,27%, aos 101.900 pontos.
[captacao]
Ecos de Jackson Hole
Na véspera, em participação no tradicional simpósio de política econômica de Jackson Hole, Powell anunciou que a partir de agora a estratégia seguida pelo Fed na condução da política monetária será pautada por uma taxa de inflação média.
Ou seja, os juros do país só irão subir quando existirem sinais de que a inflação, na média, acelerou em direção à meta de 2% ao ano.
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Embora a mudança indique que a autoridade monetária dos EUA espera uma recuperação mais lenta da economia, também indica que os juros devem se manter baixos por um bom tempo.
Investidores monitoram questão fiscal
No entanto, os focos de cautela persistem no cenário doméstico, o que pode limitar o espaço para uma alta maior na bolsa brasileira.
Depois de o presidente Jair Bolsonaro ter rejeitado o plano da equipe econômica para o Renda Brasil (programa que deve suceder o Bolsa Família e substituir o auxílio-emergencial), é esperada para hoje uma nova versão do projeto, contemplando os pedidos do Planalto.
Segundo informações do G1, no entanto, Guedes deve apresentar hoje o novo auxílio emergencial, prorrogado até dezembro, no valor de R$ 300. A proposta do Renda Brasil deve ficar para depois, o que alguns analistas consideram positivo no momento.
Um dos pontos mais delicados para os analistas do mercado financeiro é a fonte de recursos a ser utilizada para financiar a medida sem furar o teto de gastos em um momento que a preocupação com a situação fiscal do país só cresce. Enquanto Guedes defende uma redução do abono salarial, o presidente Jair Bolsonaro se mostra contrário.
Dólar e juro
A nova postura do Fed tem mais impacto hoje sobre a taxa de câmbio. O real é um dos beneficiários da depreciação generalizada do dólar ante outras moedas pelo mundo.
O comportamento do dólar também é afetado pela costumeira disputa para o estabelecimento da taxa PTax, que só será concluída na segunda-feira, quando ocorrerá a última sessão de agosto.
Por volta das 16h45, a moeda norte-americana operava em queda de 2,98%, cotada a R$ 5,4117.
Os contratos de juros futuros também reagiram à nova postura do Fed e acompanharam a queda acentuada do dólar.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,870% para 2,820%;
- Janeiro/2023: de 4,110% para 4,010%;
- Janeiro/2025: de 5,980% para 5,730%;
- Janeiro/2027: de 6,960% para 6,890%.
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