Os segredos da bolsa: ações para não ficar de ressaca na quarta-feira de cinzas
Enquanto a bolsa está fechada para o Carnaval, fique atento ao desempenho dos ADRs de companhias brasileiras nos EUA — eles darão uma pista importante sobre como será a reabertura das negociações por aqui, na quarta-feira

É Carnaval no Brasil — o que significa que, até a próxima terça-feira (26), a ordem é se divertir e descansar. Mas é claro que, passada a festa, a vida volta ao normal, inclusive na bolsa de valores. Sendo assim, fique atento: algumas ações estarão sob os holofotes nesta semana, e é bom estar preparado para evitar dores de cabeça já na quarta-feira de cinzas.
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Em primeiro lugar, vale a lembrança: a B3 estará fechada na segunda (24) e na terça-feira (25). As negociações só voltam na quarta (26), mas mais tarde: o pregão começará às 13h (horário de Brasília). Isso não quer dizer, no entanto, que não há nada a fazer até lá.
Afinal, os mercados acionários globais funcionam normalmente nos próximos dias — e há ativos de empresas brasileiras sendo negociados nas bolsas dos Estados Unidos. São os chamados recibos de ações (ADRs, na sigla em inglês).
As oscilações desses ADRs na segunda e na terça-feira servirão como uma espécie de 'prévia' do desempenho das ações das companhias no Brasil na quarta-feira, quando as operações voltam ao normal por aqui. Afinal, se o ADR da Petrobras despencar nesse período, é razoável esperar que as ações da estatal passem por algum ajuste negativo na reabertura da B3.
E quais empresas brasileiras possuem ativos negociados nos Estados Unidos? Bem, a lista é enorme e seria inviável citar todas. No entanto, há algumas que se destacam, seja pela liquidez de tais papéis, seja pela importância das companhias.
Veja abaixo os principais ADRs de empresas brasileiras negociados em Nova York, junto com seus respectivos códigos de negociação:
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- Petrobras: PBR (equivale às ações ON) e PBR-A (equivale às ações PN);
- Vale: VALE
- Ambev: ABEV
- Itaú Unibanco: ITUB
- Bradesco: BBD
- Gerdau: GGB
- CSN: SID
- Eletrobras: EBR
- Embraer: ERJ
Assim, por mais que não haja pregão no Brasil nos próximos dois dias, vale a pena ficar atento ao desempenho desses ativos na bolsa de Nova York. As ações negociadas na B3 fatalmente passarão por algum tipo de ajuste na quarta-feira, baseada nas altas ou baixas dos ADRs no período em que os brasileiros estiveram de fora por causa do Carnaval.
Bloco do eu sozinho
A temporada de balanços do quarto trimestre continua em andamento. No entanto, com a semana mais curta, apenas uma empresa do Ibovespa irá reportar seus resultados nesta semana: a Ambev, na quinta-feira (27).
As ações ON da companhia (ABEV3) têm tido um 2020 bastante fraco: no acumulado do ano, os papéis acumulam baixa de 12,96% — um desempenho inferior ao do Ibovespa, que cai 1,70% no período.
Apesar da fraqueza das ações, o mercado possui expectativas positivas a respeito do resultado anual da Ambev. Meu colega Fernando Pivetti coletou as expectativas de analistas e preparou uma matéria especial a respeito das perspectivas para o balanço.
Coronavírus na Europa
Em termos de fatores de influência para os mercados globais, o coronavírus continua em primeiro plano. E, ao menos nos últimos dias, o tom é de enorme cautela, em meio à disseminação do vírus rumo à Europa.
A situação é mais grave na Itália: o número de casos confirmados da doença no país subiu de 25 no sábado para 155 no domingo — três pessoas já morreram. E esse salto nos números já provoca reações por parte do governo italiano e de outras autoridades europeias.
As tradicionais festas de Carnaval em Veneza foram canceladas pelo governo de Roma, de modo a evitar a disseminação ainda maior do vírus. E, no início da noite de domingo (23), a Áustria interrompeu o tráfego de trens para a Itália, temendo o surto da doença.
Ainda no velho continente, há outros casos confirmados na Alemanha, Espanha, Reino Unido e França, sendo que um cidadão francês morreu por causa do coronavírus — desdobramentos que não estavam no radar do mercado até o fim da semana passada e que certamente trarão uma onda de cautela às negociações nesta segunda.
Nesse sentido, vale a pena ficar de olho nas ações de empresas mais expostas ao cenário internacional, como Vale ON (VALE3), Gerdau PN (GGBR4), CSN ON (CSNA3), Usiminas PNA (USIM5) e Suzano ON (SUZB3), entre outras. Uma nova onda de cautela externa tende a pressionar esses papéis na quarta-feira, quando a bolsa brasileira abrir novamente.
[captacao]
O voo da fênix
Por fim, atenção às ações ON da Via Varejo (VVAR3). Mesmo com o recente rali — desde o começo do ano, os papéis já subiram 48,97%, o melhor desempenho entre todos os ativos do Ibovespa —, um grande banco acredita que ainda há espaço para mais.
O Credit Suisse comparou a dona das Casas Bahia e do Ponto Frio à fênix, a ave da mitologia grega que renasce das cinzas. Desde que a família Klein retomou o controle da companhia, a Via Varejo têm passado por uma profunda reestruturação estratégica — e a instituição está animada com as possibilidade à frente.
Segundo o banco, os ganhos de eficiência nas lojas físicas da Via Varejo, somado à guinada no lado do e-commerce da companhia, justificam a forte alta no preço das ações — a instituição tem como preço-alvo em 12 meses a cotação de R$ 21,00, o que implica num potencial de avanço de 26,2%.
FUTURO NEBULOSO
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