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2020-04-15T18:04:21-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Visão mais otimista

Credit Suisse eleva a recomendação para as ações da Oi: ‘potencial de alta pode ser significativo’

Atento aos possíveis ganhos a serem destravados com a eventual venda da divisão de telefonia móvel da Oi, o Credit Suisse elevou a classificação para os papéis da companhia

15 de abril de 2020
12:03 - atualizado às 18:04
Imagem do prédio da operadora Oi
Imagem do prédio da operadora Oi, no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. - Imagem: Estadão Conteúdo/Paulo Vitor

Em meio ao surto de coronavírus, o setor de telecomunicações aparece como um dos menos afetados: seus serviços são menos dependentes de deslocamentos ou de interações físicas entre as pessoas. Nesse contexto, o Credit Suisse refez suas projeções para as empresas desse segmento, mostrando-se mais otimista em relação a uma delas: a Oi.

Em relatório assinado pelos analistas Daniel Federle, Felipe Cheng e Juan Pablo Alba, o banco elevou a recomendação para as ações ON da Oi (OIBR3) de 'venda' para 'neutro' — o preço-alvo para os papéis em 12 meses, no entanto, foi reduzido de R$ 0,70 para R$ 0,50.

Ou seja: o Credit Suisse acredita que, no cenário atual, as ações da Oi já estão perto de seu preço justo: no fechamento do pregão de terça-feira (14), os ativos ON da companhia valiam R$ 0,55.

Vale ressaltar o uso do termo 'no cenário atual'. Isso porque, segundo a instituição, o potencial de alta para as ações da Oi, hoje, já são tão grandes quanto os riscos de baixa — e tudo isso por causa da possível venda da divisão de telefonia móvel da companhia, num preço estimado de R$ 15 bilhões.

"O valor patrimonial da Oi está próximo de um 'valor residual', e o potencial de alta (principalmente por causa de fusões e aquisições) pode ser significativo", escrevem os analistas.

A redução no preço-alvo se deve aos impactos do surto de coronavírus sobre a operação da companhia: o Credit Suisse pondera que, por mais que o setor esteja relativamente blindado dos efeitos da pandemia, ele ainda sentirá alguma turbulência decorrente da desaceleração da economia.

A instituição destaca que há alguns efeitos a serem considerados pelo segmento: já há uma queda de cerca de 20% nas recargas de planos pré-pagos desde o meio de março, além de uma desaceleração na criação de novos planos pós-pagos e na instalação de redes de fibra óptica.

Num segundo momento, o Credit Suisse acredita que as companhias terão dificuldade para implantar o aumento anual de preços — além disso, eventuais saltos na inadimplência tendem a ser sentidos com mais intensidade a partir do segundo trimestre do ano.

Tais fatores, combinados, tendem a diminuir a geração de receita das companhias do setor, criando um efeito dominó que se propaga por todo o balanço — e que, consequentemente, diminui as estimativas de preço-justo das ações.

Telefônica e Tim

Por mais que o Credit Suisse tenha se mostrado mais otimista em relação à Oi, as ações PN da Telefônica Brasil (VIVT4) e ON da Tim (TIMP3) continuam como principais escolhas do banco no setor de telecomunicações, dada a situação mais confortável de ambas as empresas.

Os papéis da Tim são apontados como 'top pick': possuem recomendação de compra e preço-alvo em 12 meses de R$ 17,00 — o valor anterior era de R$ 20,00. Ainda assim, a nova meta representa um potencial de ganho de 27,3% em relação ao fechamento de ontem, de R$ 13,35.

Já as ações da Telefônica Brasil têm classificação neutra, com preço-alvo de 12 meses reduzido de R$ 66,00 para R$ 57,00. Aqui, o potencial de valorização é menor: de 9,7%, considerando a cotação de R$ 51,93 no encerramento da sessão de terça-feira.

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