Volátil, Ibovespa tenta manter-se em alta acompanhando otimismo externo com dados da China
Comentários de Bolsonaro sobre o Renda Brasil limitam ganhos no Ibovespa e pesam sobre o mercado de câmbio
O Ibovespa abriu em alta nesta terça-feira repercutindo mais uma vez o otimismo derivado de sinais positivos vindos do exterior, mas passou a apresentar volatilidade depois de o presidente Jair Bolsonaro ter, na prática, sepultado o programa Renda Brasil antes mesmo de lançá-lo.
Em vídeo divulgado pela manhã em suas redes sociais para tratar do assunto, Bolsonaro declarou que "merece cartão vermelho" quem sugerir a possibilidade de congelamento de aposentadorias para financiar o Renda Brasil.
Os comentários de Bolsonaro limitaram o impulso proporcionado aos mercados financeiros internacionais pela melhora nos dados sobre as vendas no varejo e a produção industrial da China em agosto.
Com isso, os mercados europeus de ações fecharam em alta e as bolsas norte-americanas operaram no azul durante a maior parte do dia, cedendo parte dos ganhos na reta final da sessão.
Por volta das 16h40, depois de oscilar entre altas e baixas em meio a intensa volatilidade, o principal índice do mercado brasileiro de ações caía 0,13%, aos 100.146 pontos.
"O mercado não gostou inicialmente da fala do presidente Bolsonaro", observou André Perfeito, economista-chefe da Necton Corretora. "Muitos viram no vídeo um ataque ao ministro Paulo Guedes e isto elevou as tensões nas mesas", prosseguiu ele.
Leia Também
Na avaliação de Perfeito, entretanto, o presidente acerta ao encerrar a discussão sobre o Renda Brasil. "Ao tirar o Renda Brasil da mesa, acredito que abra espaço para a discussão de temas mais urgentes da agenda legisliativa e isto pode ser mais eficiente", avaliou.
Impacto do otimismo externo prevalece sobre o Ibovespa
A renovação do apetite por risco no exterior ocorre depois de duas semanas extremamente turbulentas nas quais investidores passaram a questionar o nível de preços de algumas classes de ativos, principalmente aqueles ligados ao setor de tecnologia.
Essa busca por risco aumentou ontem, lastreada pelo anúncio da retomada dos testes clínicos da vacina produzida pela AstraZeneca visando a conter a pandemia do novo coronavírus.
Além dos comentários de Bolsonaro, o otimismo externo concorre com um pouco de cautela às vésperas das decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos, mas tem sido suficiente para manter o Ibovespa em leve alta.
Entre os papéis negociados na B3, as ações da Minerva Foods destacam-se desde a abertura, operando em forte alta depois de a companhia ter informado o recebimento de uma proposta em que a subsidiária Athena é avaliada em US$ 1,5 bilhão.
Também chama a atenção a alta dos papéis da Braskem apesar de a petroquímica ter informado que a conta do evento geológico que levou ao afundamento do solo e rachaduras em edificações em Maceió crescerá em R$ 3,3 bilhões, podendo atingir um total de R$ 7,9 bilhões.
Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, observou que, apesar das provisões, o cenário para a Braskem está muito positivo. “A demanda está em crescimento, superando inclusive níveis anteriores à crise”, explicou ele. “Quanto ao fato relevante, a interpretação é de que o pior ficou pra trás. Agora é fazer o acerto e bola pra frente.”
Dólar e juro
O mercado de câmbio também repercutiu os dados provenientes da China na abertura do pregão, mas passou a subir em reação aos comentários de Bolsonaro para em seguida oscilar entre altas e baixas, sem firmar uma direção clara.
Por volta das 16h40, a moeda norte-americana subia 0,31%, cotada a R$ 5,2920.
Já os contratos de juros futuros abriram em leve baixa nesta terça-feira, mas também passaram a subir acompanhando o dólar e o noticiário local.
Enquanto isso, os investidores aguardam o resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB), prevista para depois do encerramento do pregão de amanhã.
Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:
- Janeiro/2022: de 2,810% para 2,870%;
- Janeiro/2023: de 4,060% para 4,150%;
- Janeiro/2025: de 5,930% para 6,020%;
- Janeiro/2027: de 6,920% para 7,020%.
Pão de Açúcar (PCAR3) tem novo CEO depois de meses com cargo ‘vago’. Ele vai lidar com o elefante na sala?
Alexandre Santoro assume o comando do Grupo Pão de Açúcar em meio à disputa por controle e a uma dívida de R$ 2,7 bilhões
Nem banco, nem elétrica: ação favorita para janeiro de 2026 vem do canteiro de obras e está sendo negociada com desconto
Com um desconto de 27,18% no último mês, a construtora recebeu três recomendações entre os nove bancos e corretoras consultados pelo Seu Dinheiro
Ação da Azul (AZUL54) em queda livre: por que os papéis estão sendo dizimados na bolsa, com perdas de 50% só hoje (2)?
Papéis derretem na bolsa após o mercado precificar os efeitos do Chapter 11 nos EUA, que envolve conversão de dívidas em ações, emissão massiva de novos papéis, fim das preferenciais e forte diluição para os atuais acionistas
Dasa (DASA3): vender ativos por metade do preço pago foi um bom negócio? Analistas respondem
Papéis chegaram a disparar com a venda de ativos, mas perderam força ao longo do dia; bancos avaliam que o negócio reduz dívida, ainda que com desconto relevante
Minerva (BEEF3) e MBRF (MBRF3) caem forte com tarifas da China sobre a carne bovina brasileira
País asiático impôs uma tarifa de 55% às importações que excederem a cota do Brasil, de 1,1 milhão de toneladas
FIIs de galpões logísticos foram os campeões de 2025; confira o ranking dos melhores e piores fundos imobiliários do ano
Entre os destaques positivos do IFIX, os FIIs do segmento de galpões logísticos vêm sendo beneficiados pela alta demanda das empresas de varejo
Petrobras (PETR4): por que ação fechou o ano no vermelho com o pior desempenho anual desde 2020
Não foi só o petróleo mais barato que pesou no humor do mercado: a expectativa em torno do novo plano estratégico, divulgado em novembro, e dividendos menos generosos pesaram nos papéis
As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?
Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira
Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
Nem o ‘Pacman de FIIs’, nem o faminto TRXF11, o fundo imobiliário que mais cresceu em 2025 foi outro gigante do mercado; confira o ranking
Na pesquisa, que foi realizada com base em dados patrimoniais divulgados pelos FIIs, o fundo vencedor é um dos maiores nomes do segmento de papel