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Os investidores voltam a assumir uma postura negativa em relação ao surto de coronavírus. Como resultado, o Ibovespa cai forte e vai renovando as mínimas no ano
O pessimismo voltou com tudo aos mercados globais nesta quarta-feira (18). O Ibovespa abriu em queda forte e acentuou o ritmo de perdas no início da tarde, disparando mais um circuit breaker. E, na volta das operações, a situação não melhorou.
Às 16h25, o principal índice da bolsa brasileira chegou aos 65.192,79 pontos, em queda de 12,63%. O Ibovespa não termina uma sessão abaixo dos 70 mil pontos desde 18 de junho de 2018 (69.814,74 pontos).
Lá fora, o dia também é bastante negativo. As bolsas da Europa fecharam em queda de mais de 4% e, nos Estados Unidos, o circuit breaker também foi acionado e, no momento, o Dow Jones (-8,54%), o S&P 500 (-8,11%) e o Nasdaq (-7,12%) também desabam.
Por mais que os governos tenham assumidos medidas mais enérgicas para conter o avanço do coronavírus e limitar os impactos econômicos da pandemia, notícias preocupantes no front das empresas começam a ecoar. Na Europa, as montadoras de automóveis já começam a indicar uma paralisação ao menos parcial de suas atividades na Europa.
Outro setor fortemente abalado é o de transporte aéreo, com as principais companhias do mundo mostrando grande preocupação quanto à sustentabilidade de suas operações no médio prazo caso o cenário de forte contração da demanda e restrições aéreas persista.
Assim, em meio aos sinais desanimadores, muitos já apostam que os pacotes de estímulo acionados pelos governos não será suficiente para proteger a economia mundial — o que eleva a aversão ao risco por parte dos investidores.
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E, de fato, os principais bancos e casas de análise já estão trabalhando com um cenário de recessão econômica no Brasil e no mundo nos próximos trimestres.
O Credit Suisse, por exemplo, cortou sua projeção de crescimento do PIB do país para zero em 2020; o Morgan Stanley agora tem como cenário-base uma recessão global neste ano; e o UBS projeta recuo na economia brasileira no primeiro semestre.
No mundo todo, já são mais de 8,2 mil mortes e cerca de 203 mil pessoas contaminadas pelo vírus — no Brasil, há mais de 300 casos e ao menos uma morte confirmada por causa da doença.
Por aqui, a falta de sintonia entre o presidente Jair Bolsonaro e os demais poderes no combate à doença também causa desconforto entre os investidores. A percepção é a de que Bolsonaro está se isolando politicamente e perdendo apoio popular — ontem, foram realizados 'panelaços' contra o presidente em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Em meio ao forte pessimismo, apenas BB Seguridade ON (BBSE3) consegue se sustentar no campo positivo entre todas as ações do Ibovespa: no momento, sobe 0,56%.
Na ponta negativa, as ações de companhias aéreas continuam reportando baixas massivas — caso de Azul PN (AZUL4) e Gol PN (GOLL4). Varejistas de eleroeletrônicos e outros itens não-essenciais e operadoras de shoppings também despontam entre as maiores perdas:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| SMLS3 | Smiles ON | 10,06 | -39,25% |
| CVCB3 | CVC ON | 6,43 | -35,38% |
| AZUL4 | Azul PN | 10,40 | -31,71% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | 4,95 | -29,69% |
| SBSP3 | Sabesp ON | 33,27 | -27,66% |
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