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Num dia de calmaria no exterior, o Ibovespa fechou em alta firme, impulsionado pelo bom desempenho das ações das siderúrgicas, da Eletrobras e do setor de papel e celulose.
As sessões do Ibovespa e do dólar à vista costumam ser pautadas por alguns grandes temas. Em geral, o exterior, a agenda econômica doméstica e o cenário político do país costumam ditar o ritmo das negociações — e, muitas vezes, esses assuntos se combinam num mesmo dia.
Ainda há um quarto fator, que acaba ficando meio de lado: o noticiário corporativo. Mas, em meio à relativa tranquilidade nas outras três esferas nesta quarta-feira (22), o front empresarial foi responsável por dar as cartas para a bolsa brasileira — e a mão foi positiva para os investidores.
O resultado pode ser visto no desempenho do Ibovespa: o principal índice da bolsa brasileira fechou em alta de 1,17%, aos 118.391,36 pontos — muito mais forte que o Dow Jones (-0,03%), o S&P 500 (+0,03%) e o Nasdaq (+0,14%).
O otimismo doméstico, somado à calmaria no exterior, também deu ânimo ao mercado de câmbio: após chegar a R$ 4,20 na sessão passada, o dólar à vista terminou em queda de 0,71%, a R$ 4,1753.
Foram diversos os focos de animação na bolsa. As siderúrgicas tiveram um dia particularmente agitado, reagindo ao panorama de preços para o setor; a Eletrobras reagiu à visão mais otimista de uma grande instituição financeira; os frigoríficos caíram com notícias desanimadoras vindas da China; e as construtoras continuaram em foco, com mais prévias operacionais.
O destaque positivo da sessão foi Usiminas PNA (USIM5), que disparou 13,93%, a R$ 10,88, em meio às notícias de que as siderúrgicas planejam uma nova alta de 10% nos preços dos aços longos para a rede de distribuição doméstica — e a Usiminas estaria encabeçando esse movimento.
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Essa seria a segunda elevação em 2020, já que, em janeiro, as companhias do setor já haviam implantado uma alta de 10% nos aços planos. E, segundo o Bradesco BBI, há espaço para que esse novo aumento seja levado adiante, já que o produto doméstico ainda é negociado com desconto em relação aos importados.
Tal cenário mais benéfico para as siderúrgicas fez com que o Bradesco BBI mudasse seu posicionamento no setor. Agora, a instituição aponta as ações da Usiminas como 'top pick' no segmento na América Latina, superando a Gerdau, cujos papéis PN (GGBR4) avançaram "apenas" 1,24% hoje.
Já CSN ON (CSNA3) também teve um desempenho forte, subindo 6,96% — segundo o Valor Econômico, a empresa pretende seguir os passos da Usiminas e promover altas de 10% em março.
Quem também subiu forte nesta quarta-feira foram as ações da Eletrobras: as ONs (ELET3) fecharam em alta de 5,59%, a R$ 41,78, enquanto as PNBs (ELET6) avançaram 4,28%, a R$ 42,42.
Tudo isso porque, mais cedo, o Itaú BBA reiniciou a cobertura para os papéis ON da estatal com recomendação 'outperform' (desempenho acima da média) e preço-alvo de R$ 56 para o fim do ano.
Em relatório, a equipe liderada pelo analista Marcelo Sá aponta um "balanço muito atrativo" entre o risco e o retorno, com grande potencial de ganho caso a estatal seja privatizada. Por outro lado, caso o governo federal desista da venda da companhia, a instituição diz ver pouco espaço para uma desvalorização dos papéis.
Ainda no campo positivo, destaque para as units da Klabin (KLBN11), em alta de 5,29%. Nesta manhã, a companhia fechou uma parceria com uma Timber Investment Management Organization (TIMO) para explorar atividades florestais no estado do Paraná, numa área que engloba 27 mil hectares.
Também no setor de papel e celulose, Suzano ON (SUZB3) aproveitou o embalo e avançou 5,04%.
Na ponta negativa do Ibovespa, destaque para Marfrig ON (MRFG3), em baixa de 2,02%, e JBS ON (JBSS3), com perda de 0,13%. Segundo o Valor Econômico, a China renegociou contratos de importação de carne bovina brasileira, pressionando as margens de ganho das empresas.
Outro destaque do Ibovespa foi MRV ON (MRVE3), que ainda conseguiu fechar em alta de 0,74%, após passar boa parte do pregão em baixa — parte do mercado aponta que a Direcional e a Tenda, duas de suas rivais no segmento de baixa renda, apresentaram números operacionais melhores no quarto trimestre deste ano.
Fora do índice, Tenda ON (TEND3) subiu 1,32% hoje e já acumula alta de 27,5% no ano; Direcional ON (DIRR3) caiu 2,24%, mas tem ganhos de 16,1% em 2020 — a companhia reportou seus dados operacionais na semana passada. MRV ON, por sua vez, sobe apenas 1,21% neste ano.
O alívio no dólar à vista deu sustentação a mais uma queda nas curvas de juros — os DIs tendem a reagir de maneira mais intensa aos números de inflação pelo IPCA-15, a serem divulgados amanhã (23), já que o dado deve calibrar as apostas num eventual novo corte da Selic.
Veja abaixo como ficaram as curvas mais líquidas nesta quarta-feira:
Lá fora, o dia foi de relativa calmaria. Apesar de o noticiário referente à disseminação do coronavírus continuar inspirando cautela, os investidores conseguiram assumir uma postura mais calma nesta quarta-feira, corrigindo eventuais excessos cometidos no pregão anterior, em que quase todas as bolsas do mundo caíram.
Assim, os mercados acionários da Ásia terminaram o dia no azul, enquanto as bolsas dos EUA ficaram perto do zero a zero.
Veja os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa nesta quarta-feira:
Confira também as maiores quedas do índice no momento:
Com uma carteira composta por cerca de 40% em ações de óleo e gás, o ETF acumula uma alta de 14,94% no ano, superando o desempenho do Ibovespa, que avança 11,64% no mesmo período
Christian Keleti, sócio-fundador e CEO da Alphakey, avalia que o Ibovespa tem espaço para subir mais com o fluxo estrangeiro, mesmo diante do conflito no Irã
Em relatório, o banco destacou que, nesse nicho, Cury (CURY3) e Tenda (TEND3) são as principais beneficiadas pelas eventuais mudanças no programa governamental
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