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2019-04-04T14:00:10-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
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Fala de Roberto Campos Neto é o evento mais aguardado do dia no mercado

Senado sabatina indicado para comandar o Banco Central e dois novos diretores. Fala pode influenciar expectativas com relação à estabilidade da Selic em 6,5% ao ano

26 de fevereiro de 2019
7:35 - atualizado às 14:00
Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central no governo Bolsonaro
Com a proximidade da decisão do Copom, ibovespa recua e opera no vermelho hoje - Imagem: Marcos Corrêa/PR

Desde que teve sua indicação confirmada para comandar o Banco Central (BC), em 15 de novembro, o economista Roberto Campos Neto fez um “voto de silêncio”, não falando em público sobre política monetária, reformas, taxa de câmbio e sistema financeiro. Esse suspense acaba em breve, com sua sabatina no Senado.

Suas palavras têm potencial para influenciar a expectativa dos agentes de mercado com relação a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 6,5% ao ano. O atual presidente Ilan Goldfajn tem reafirmado “cautela, serenidade e perseverança” na condução da política monetária e na defesa da estabilidade do juro, mesmo com uma inflação comportada e um crescimento que teima em não ganhar força. Em recente entrevista, Ilan disse que Campos Neto está alinhado com a atual gestão.

Essa opção de Campos Neto pelo “silêncio” faz parte da liturgia do cargo. Como indicado pelo Executivo e pendente de aprovação pelo Senado, não seria de bom tom que ele ficasse comentando as ações de Ilan e demais colegas de diretoria. Além disso, tudo que falasse poderia ser usado contra ele na sabatina.

Presidentes de BC falam pouco e quando falam dão o “peso” do assunto e quase sempre há reflexo no preço dos ativos financeiros. Além disso, a comunicação é uma importante ferramenta de política monetária e há uma certa hierarquia, com documentos escritos como Atas do Copom, tendo precedência sobre palestras e entrevistas.

A sabatina

Por volta das 10 horas, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) inicia a sessão, que além de Campos Neto vai avaliar dois novos diretores para o BC e uma diretora, Flávia Martins Sant'Anna Perlingeiro, para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Se for mantida a dinâmica de outras sabatinas, Campos Neto fará um discurso inicial, onde se apresenta aos senadores – que já receberam uma espécie de dossiê sobre sua vida acadêmica, profissional e financeira – e dá as linhas gerais do que pretende fazer no comando da instituição. Nas últimas semanas, tanto Campos Neto quanto os diretores fizeram visitas de cortesia aos senadores.

Depois, o indicado será diretamente interpelado pelos senadores. A dinâmica, se pergunta e resposta ou perguntas em bloco, será determinada pelo presidente da CAE, Senador Omar Aziz (PSD-AM). A CAE conta com 27 senadores.

Pelo o que foi falado na reunião da CAE da semana passada, quando as indicações foram lidas pelos relatores, as perguntas dos senadores devem se concentrar em spread bancário, concentração do sistema financeiro, elevado lucro dos bancos, atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e devedores da Previdência Social.

Próximos passos

Finda a sabatina, há votação na CAE. Depois, as indicações são votadas no Plenário do Senado. Geralmente o presidente da CAE combina com o presidente do Senado o envio das indicações para votação no mesmo dia.

Aprovados, os indicados são nomeados oficialmente e depois ocorre a cerimônia de posse. Geralmente o evento é um dos mais concorridos de Brasília, com os presidentes de bancos nacionais e estrangeiros prestigiando os discursos de quem sai e de quem chega ao BC.

Todos esses trâmites devem ser realizados até os dias 19 e 20 de março, data da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e primeiro a ser comandada por Campos Neto, com a participação de Bruno Serra Fernandes, na diretoria de Política Monetária, e João Manoel Pinho de Mello, como diretor de Organização do Sistema Financeiro.

Quem é quem?

Até ser indicado ao BC, Campos Neto estava na Tesouraria do Santander. Ele é formado em economia com foco em finanças pela Universidade da Califórnia (UCLA), já trabalhou no banco Bozano Simonsen, entre 1996 e 1999, como operador de derivativos, juros e câmbio. Entre 2000 e 2003 foi chefe da área internacional de renda fixa do Santander. Em 2004 foi gerente de portfólio na gestora Claritas. Em 2005, voltou ao Santander como operador e foi galgando novas posições na instituição.

Bruno Serra Fernandes é economista formado pelo Ibmec, com mestrado em Economia pela USP. Fez carreira no sistema financeiro era responsável no Itaú Unibanco pela mesa de renda fixa proprietária.

Entre as atribuições da diretoria de Política Monetária está o acompanhando dos mercados e a realização dos leilões de câmbio e operações compromissadas. A diretoria também está envolvida na modernização do sistema de pagamentos, como cartões e contas digitais.

João Manoel Pinho de Mello, foi secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e é professor titular do Insper. Ele é formado em administração pública, tem mestrado em economia pela PUC-Rio e PhD em economia pela Universidade de Stanford.

Pinho de Mello atuou intensamente ao lado do BC quando estava na secretaria de Promoção da Produtividade e Advocacia da Concorrência (Seprac) do Ministério das Fazenda, para aprovação da Taxa de Longo Prazo (TLP) que substituiu a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A diretoria de Organização do Sistema Financeiro e Resolução teve atuação determinante na avaliação da compra de parte da XP pelo banco Itaú e também é a responsável pelas liquidações de instituições problemáticas, como o banco Neon.

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