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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Alguém sempre paga a conta

Quer se aposentar mais cedo? Quem pagará a conta são seus filhos e netos

Foi esse o recado que o ministro Paulo Guedes deu para ilustrar de forma prática que não existe almoço grátis na reforma da Previdência

Eduardo Campos
Eduardo Campos
21 de fevereiro de 2019
11:08
Paulo Guedes
O ministro da Economia, Paulo Guedes - Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

Com o texto da reforma da Previdência apresentado falamos que a grande dúvida agora é qual será o grau de diluição da proposta, que prevê uma economia de R$ 1,1 trilhão nos seus primeiros dez anos. E o ministro da Economia, Paulo Guedes, lançou mão de uma importante figura para defender a proposta do governo, que agora será discutida pelo Congresso.

Em entrevista à “NBR/TV Brasil” ontem à noite, Guedes usou uma interessante tradução do adágio liberal “não existe almoço grátis” para ilustrar que qualquer benesse feita hoje terá sua fatura apresentada amanhã.

Segundo o ministro, cada vez que os diferentes grupos de interesse que atuam no Congresso fizerem mudanças no texto, reduzindo a economia projetada, estamos sacando contra o futuro de nossos filhos e netos.

“Você quer alguma coisa para você, seja trabalhador rural, militar, urbano, vá lá e saque contra o futuro dos seus filhos e netos. Reduza o número. Você prejudica seus filhos e netos naquele número. Se você reduzir a economia em R$ 100 bilhões, você acaba de sacar R$ 100 bilhões de seus filhos e netos lá na frente”, afirmou.

Guedes deu o exemplo da idade mínima de 62 anos para as mulheres, mas o raciocínio serve para qualquer grupo contemplado pela reforma. Alguém pode pensar: coitada das mulheres, vamos baixar um pouco a idade. “Ok, baixa a idade e vocês estarão sacrificando os filhos e netos dessas mulheres”, disse o ministro.

Para Guedes, se perguntarem para essas mulheres o que elas acham disso, certamente elas dirão que preferem ficar com idades sugeridas na proposta para que seus filhos e netos tenham mais segurança no futuro.

Segundo o ministro, essa economia projetada é a garantia de que poderemos acelerar a transição do sistema previdenciário, criando “novas opções para gerações futuras”.

Além de mostrar que não existe almoço grátis, a figura usada pelo ministro ilustra o pouco palpável conflito intergeracional do sistema Previdenciário atual, no qual quem está trabalhando hoje garante a renda dos mais velhos. Quanto mais gastamos e nos endividamos hoje para garantir aposentadorias e pensões, maior a fatura a ser paga pelas próximas gerações.

O ministro vem usando outra imagem para ilustrar a falência do regime atual, de repartição, e defender a adoção do regime de capitalização, a tal nova opção para gerações futuras.

Segundo Guedes, o jovem entra no avião que está para cair (sistema previdenciário atual) levando um paraquedas para o pai dele. “Só que quem vai cair com o avião é o jovem! Não achamos isso correto. Isso é moralmente injusto e economicamente ineficiente”, afirmou em entrevista na semana passada.

Na entrevista de ontem, Guedes voltou a falar dessa “responsabilidade moral” de permitir que as novas gerações escapem dessa armadilha. O sistema tem de ser reformado para que os compromissos antigos (sistema de repartição) sejam sustentados e que o jovem desfrute de um mercado de trabalho formal e de maiores aposentadorias, acumulando recursos (sistema de capitalização).

O ministro disse que as primeiras conversas são encorajadoras, que o tema está acima de partidos e que a classe política percebeu que a reforma é incontornável.

“Estou bastante otimista. Acho que não está havendo grande resistência do ponto de vista da classe política esclarecida”, disse.

Ao longo das próximas semanas vamos descobrir qual o tamanho dessa “classe política esclarecida” e se ela supera a outra banda, a classe política obscurantista, nas negociações em torno de mais de 80 pontos técnicos que estão na propostas da reforma.

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