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2022-01-24T07:53:16-03:00
Renan Sousa
Renan Sousa
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney. Twitter: @RenanSSousa1
Segredos da Bolsa

Esquenta dos mercados: Bolsas iniciam a semana em tom negativo, de olho na decisão do Fed; Ibovespa acompanha desdobramentos da inflação e PEC dos combustíveis

No cardápio da semana, os primeiros números do IPCA-15 e a tensão envolvendo os servidores públicos permanecem no radar

24 de janeiro de 2022
7:52 - atualizado às 7:53
federal reserve bola de cristal
Confira o que movimenta os mercados nesta semana. Imagem: Montagem Andrei Morais/Shutterstock

A semana passada encheu os investidores de esperança após o Ibovespa testar os 110 mil pontos e encerrar a semana com um avanço de 1,88%. Os próximos dias, no entanto, prometem ser quentes para a bolsa brasileira — e nem o feriado em São Paulo irá parar os negócios. 

Os debates envolvendo o Orçamento federal devem gerar reações principalmente dos servidores federais.

De acordo com o texto, o reajuste dos policiais federais foi aprovado, na contramão das exigências de outros setores do funcionalismo público que já convocaram novas paralisações para as próximas semanas.

A PEC dos combustíveis também irá chacoalhar a semana. A renúncia fiscal pode chegar aos R$ 240 bilhões, mas o impacto seria limitado no preço da gasolina.

Entretanto, uma queda no preço dos combustíveis afeta significativamente a inflação, que pode encerrar o ano em 1%, de acordo com as contas da XP.

Por falar em inflação, os primeiros números devem saem ainda esta semana. O IPCA-15 deve dar um panorama geral dos preços no início de 2022 e auxiliar na decisão de política monetária local. 

De olho no cenário externo, o Federal Reserve, o Banco Central americano, volta à cena com a divulgação de sua política monetária. 

Os dados inflacionários dos Estados Unidos também são motivo de preocupação dos investidores. 

Saiba o que irá movimentar a bolsa esta semana:

Orçamento e PEC dos combustíveis

Dois temas devem dominar a semana do investidor local.

O primeiro deles é a aprovação do Orçamento para 2022, que conta com recursos bilionários para reforçar a agenda eleitoral.

A peça orçamentária traz recursos para o fundo eleitoral, no valor de R$ 4,9 bilhões, emendas do relator (R$ 16 bilhões) e o polêmico reajuste dos policiais federais (R$ 1,7 bilhões). 

O segundo ponto é a chamada PEC dos combustíveis. De acordo com um relatório da XP, o governo central pode perder até R$ 240 bilhões caso o texto seja aprovado — e o impacto no preço dos combustíveis será de apenas R$ 0,20, no melhor dos cenários. 

A proposta busca tirar os impostos federais PIS/Cofins do preço dos combustíveis, além de estender a isenção fiscal à energia elétrica.

Contudo, a medida tem caráter eleitoreiro e não sustenta o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que exige compensação para qualquer renúncia tributária. 

Os desdobramentos da proposta e dos debates envolvendo o Orçamento devem ser acompanhados pelos investidores de perto esta semana. 

Agenda local

A semana começa com a divulgação do tradicional Boletim Focus, publicação do Banco Central com as perspectivas do mercado para os principais indicadores econômicos nacionais. 

A agenda esvaziada de terça-feira (25) abre espaço para a divulgação dos dados do IPCA-15, na quarta-feira (26). Esses são os primeiros dados inflacionários do ano, o que gera grande expectativa dos investidores, após 2021 fechar com uma alta de 10,06% nos preços. 

No mesmo dia, será divulgado o relatório trimestral da dívida pública de dezembro. 

E no último dia da semana, a sexta-feira (28) conta com os dados da PNAD contínua, com o panorama da situação do emprego no Brasil. 

Tensões na Ucrânia

O iminente conflito entre Rússia e Ucrânia minou o sentimento geral de consolidação de um acordo de paz. 

Os Estados Unidos já afirmaram que, se a Rússia levar o conflito adiante, maiores medidas serão tomadas. O Departamento de Estado americano sugeriu que os estadunidenses residentes na região voltem ao país com a escalada das tensões. 

Um Fed à vista

Ainda esta semana, o Federal Reserve, o Banco Central americano, permanece no radar, com a perspectiva de uma aceleração ainda maior da retirada de estímulos da economia, o chamado tapering, e a confirmação sobre a alta nos juros deste ano. 

De acordo com as projeções de especialistas ouvidos pelo Yahoo Finance, o Fed deve elevar os juros mais duas ou três vezes ainda este ano, fazendo a tax atingir os 1% até o final de 2022. 

Nos próximos dias

A segunda-feira (24) começa de olho nos dados do índice de atividade nacional dos Estados Unidos, divulgados pelo Federal Reserve. Na terça-feira (25), o destaque vai para a atualização do World Economic Outlook, do Fundo Monetário Internacional (FMI), que trará as perspectivas para a retomada da economia mundial.

O campo dos indicadores começa a esquentar na quarta-feira (26), com a divulgação da decisão de política monetária do Fed. Os investidores esperam uma alta nos juros apenas em março, mas os próximos passos do BC americano contra a inflação devem ficar mais claros com a coletiva de Jerome Powell, presidente da instituição, no mesmo dia.

E a inflação volta ao cenário com a divulgação do índice de preços ao consumidor, medida pelo PCE, dos Estados Unidos. Na quinta-feira (27) serão divulgados os dados trimestrais e, na sexta-feira (28), os números referentes ao mês de dezembro. 

Bolsas pelo mundo

Os principais índices asiáticos encerraram o primeiro pregão da semana sem direção definida, antes da decisão de política monetária do Fed na quarta-feira (26).

De maneira semelhante, as bolsas europeias recuam após a abertura, com os investidores atentos aos desdobramentos das tensões envolvendo a Ucrânia no radar. 

Por fim, os futuros de Nova York apontam para uma abertura em alta, antes de uma semana cheia de indicadores importantes

Agenda da semana

Segunda-feira (24)

  • FGV: IPC-S semanal (8h)
  • Banco Central: Boletim Focus semanal (8h25)
  • Federal Reserve: Índice de atividade nacional de dezembro (10h30)
  • Estados Unidos: PMI composto de janeiro (11h45)
  • Brasil: Balança comercial semanal (15h)

Terça-feira (25)

  • FGV: Sondagem do consumidor de janeiro e IPC-S Capitais semanal (8h)
  • França: OCDE divulga relatório sobre empregos no terceiro trimestre de 2021 (8h)
  • Estados Unidos: Fundo Monetário Internacional (FMI) divulga atualização do World Economic Outlook (11h)

Quarta-feira (26)

  • IBGE: IPCA-15 de janeiro
  • Banco Central: Nota de setor externo de dezembro (9h30)
  • Estados Unidos: Estoques no atacado de dezembro (10h30)
  • Tesouro Nacional: Relatório mensal da dívida pública federal de dezembro (14h30)
  • Tesouro Nacional: PAF 2022(14h30)
  • Estados Unidos: Fed divulga decisão de política monetária (16h)
  • Estados Unidos: Presidente do Fed concede entrevista à imprensa (16h30)

Quinta-feira (27)

  • Estados Unidos: Leitura preliminar do PIB do quarto trimestre, PCE e núcleo do PCE do mesmo período (10h30)
  • Estados Unidos: Pedidos de auxílio-desemprego (10h30)

Sexta-feira (28)

  • FGV: IGP-M de janeiro (8h)
  • FGV: Sondagem do comércio e serviços em janeiro (8h)
  • IBGE: PNAD Contínua (9h)
  • Estados Unidos: PCE e núcleo do PCE de dezembro (10h30)
  • Estados Unidos: Sentimento do consumidor de dezembro (12h)
  • Tesouro Nacional: Resultado primário do governo central de dezembro (14h30)
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