🔴 PRIO3 E +9 AÇÕES PARA COMPRAR AGORA – ASSISTA AQUI

Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Análise

Guedes não recua e não se rende na CCJ

Ministro foi com um objetivo, defender a constitucionalidade do pretendido regime de capitalização. Foi agredido e revidou, levando a ferro e fogo o lema de sua equipe

Eduardo Campos
Eduardo Campos
4 de abril de 2019
5:07 - atualizado às 14:02
Paulo Guedes na CCJ
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, debate a reforma da Previdência. - Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Já falei outro dia que o lema do ministro da economia Paulo Guedes é não recuar e não se render. E foi exatamente a isso que assistimos ao longo de pouco mais de 6 horas, ontem, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O epílogo, com o bate-boca envolvendo “tigrão”, “tchutchuca”, “mãe”, “avó” e quase vias de fato, pode acabar por eclipsar o que foi o gesto político mais relevante.

A chegada do ministro à comissão com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e com uma penca de deputados do chamado centrão. Guedes chegou com os votos, todo o resto é um jogo de cena.

Nesse jogo de cena, a percepção é de que a oposição levou a melhor. De fato, a oposição montou esse cenário e soube pilotar boa parte do espetáculo. Fez os requerimentos da audiência, colocou os seus para serem os primeiros na lista de inscrição, entrou na fila pouco antes das 13 horas para pegar os primeiros lugares na CCJ.

Por isso, quem assistiu às primeiras horas da audiência ficou com a clara impressão de que Guedes estava sozinho. No fim, cerca de 40 deputados falaram, sendo pouco menos da metade da base.

Guedes, no entanto, se disse seguro e otimista, pois sabe que tem apoio e que o Congresso, mesmo fazendo cortes e correções, vai votar a medida.

Cenas ou rounds

O ministro também soube se colocar em cena. Reagiu ao primeiro ataque, mas logo recuou, falando que estava errado ao interagir, pois os deputados tornam a discussão técnica sobre as vantagens da mudança de sistema “em outra coisa”.

“Não cabe a mim entrar no debate político. Tenho que dar explicações técnicas e os senhores decidem. Não preciso me exaltar, desculpem”, disse.

Do segundo ato, ou round, para frente, Guedes soube se colocar, entendeu que ninguém está muito preocupado com os fatos, mas com fazer cena ou falar com seu eleitorado. A primeira lição no mundo dos investimentos, do qual Guedes é egresso, é sobreviver. E foi isso que ele fez.

Intercalando toques técnicos, com pancadaria para cima do PT e outros partidos de oposição, o ministro falou que o partido esteve por 16 anos no poder e não fez as medidas que cobrava, como tributação de dividendos, além de aumentar gastos com subsídios e financiar empresários riscos. A plateia aplaudiu.

Em um dos pontos altos, rebateu a crítica sobre o modelo proposto aos militares, que além de assistência também veio com uma revisão de carreiras. “Militares? Cortem vocês. Vocês são o Congresso Nacional. Vocês estão com medo?”

Conselho a Arminio Fraga

Ao longo de boa parte da fala dos deputados, seja da base, independentes ou de oposição, me vinha à mente um conselho que o ex-presidente Fernando Henrique Cardos (FHC) deu ao então postulante ao cargo de presidente do Banco Central, Arminio Fraga, que seria sabatinado pelo Senado.

“O Brasil não gosta do sistema capitalista. Os congressistas não gostam do capitalismo, os jornalistas não gostam do capitalismo, os universitários não gostam do capitalismo. Eles não sabem que não gostam do sistema capitalista, mas não gostam. Eles gostam do Estado, eles gostam de intervenção.”

Mas aí fui surpreendido pela colocação do próprio Guedes, de que o presidente e a tentativa de um modelo liberal chegaram até aqui por meio do voto. Como diz Guedes, o pessoal falou “pera aí”, depois dos 30 anos de centro-esquerda, ponto que ele sempre aborda em suas apresentações. Será que desta vez será diferente?

Ponto objetivo

Guedes tentou mostrar aos deputados que não há escolha, o atual sistema já faliu. Ou se refunda o sistema previdenciário ou em três ou quatro anos estaremos, novamente, discutindo uma “reforma”.

No seu plano, esse arranjo passa por reformar o sistema atual de repartição, que é solidário, para um regime de capitalização. O ponto aqui é a solidariedade, Guedes tentou mostrar que o que se pede é solidariedade nossa para com filhos e netos e não apenas com os idosos que já trabalharam.

Guedes pede, no entanto, a coisa mais difícil para os parlamentares: fazerem uma escolha entre o voto certo ou quase certo na próxima eleição por um futuro que pode se mostrar brilhante.

Pragmático, Guedes disse que ser contra uma reforma, não necessariamente a atual, é “caso para internação” e que se o Congresso optar por não fazer uma reforma ou fazer um ajuste muito tímido, ficará clara a opção por comprometer as gerações futuras.

“Somos solidários, mas não podemos ser contra a aritmética, contra o juro composto”, disse.

Compartilhe

SENADO RACHADO

Votação da reforma tributária na CCJ do Senado é adiada e fica para 16 de março; entenda

23 de fevereiro de 2022 - 17:46

Nos bastidores, aliados veem movimentação de Pacheco em prol de reeleição no comando do Congresso em fevereiro do ano que vem

Nova data

Votação da reforma administrativa é adiada para próxima terça-feira na CCJ

20 de maio de 2021 - 11:55

Não foram aceitos dispositivos que permitiriam ao governo extinguir autarquias, como o Ibama e o INSS, por exemplo, por decreto

Movimentação na Câmara

Reforma administrativa vai hoje à CCJ, afirma Lira

9 de fevereiro de 2021 - 9:03

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) prevê a reestruturação do chamado RH do Estado

mudança no calendário

CCJ adia votação da PEC de fundos para março após relator retirar mudança no teto

19 de fevereiro de 2020 - 12:28

Votação da medida na comissão foi adiada para 4 de março; relator havia proposto que, por um ano, as despesas a serem desvinculadas de fundos obrigatórios não se sujeitariam à regra do teto

na pauta

CCJ do Senado aprova projeto da prisão após 2ª instância por 22 votos contra 1

10 de dezembro de 2019 - 13:46

Tema ganhou força no Congresso com a decisão do STF de exigir a tramitação completa de um processo judicial para que um condenado seja preso

Com o pé em 2020

PECs só serão votadas no próximo ano, diz Simone Tebet

5 de dezembro de 2019 - 9:47

Inicialmente, o governo esperava votar pelo menos a PEC emergencial neste ano. A proposta, porém, enfrenta resistência entre os parlamentares

pra por na agenda

Propostas do pacote econômico serão votadas na CCJ em fevereiro, diz presidente da comissão no Senado

4 de dezembro de 2019 - 12:56

Inicialmente, o governo esperava votar pelo menos a PEC emergencial neste ano. A proposta, porém, enfrenta resistência entre os parlamentares

Tudo o que vai mexer com o seu dinheiro hoje

Aquele 1% dos gringos…

15 de outubro de 2019 - 10:44

Se você acompanha o Seu Dinheiro deve ter percebido que uma sequência de ofertas de ações está rolando na bolsa neste ano. O volume de captações caminha para um recorde. Mas o Vinícius Pinheiro reparou que há uma peculiaridade nessa questão: a maioria das empresas que pegou dinheiro na bolsa em 2019 já estava listada. […]

começando os trabalhos

Simone Tebet abre sessão para votação do parecer da reforma da Previdência

1 de outubro de 2019 - 11:54

Novo parecer de Jereissati deve ser aprovado com folga na CCJ. São necessários pelo menos 14 dos 27 votos – maioria simples – e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), estima ter pelo menos 19 votos favoráveis ao texto

Mais um adiamento

Votação da reforma na CCJ e no plenário do Senado é adiada para semana que vem

24 de setembro de 2019 - 11:59

Em uma reunião realizada nesta manhã com líderes até mesmo da oposição e a presidente da CCJ, Simone Tebet (MDB-MS), ficou acertado que a pauta será votada pelo colegiado na próxima terça-feira (1º de outubro) e pelo plenário da Casa, na quarta-feira

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies