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Riscos geopolíticos envolvendo Hong Kong e crise no partido de Bolsonaro geram receios de contágio na guerra comercial e na reforma da Previdência
O sinal negativo volta a surgir nos mercados internacionais, em meio ao aumento da tensão em Hong Kong, com a China acusando os Estados Unidos de apoiar os protestos pró-democracia na ex-colônia britânica. Ontem à noite, a Câmara dos Representantes nos EUA aprovou três leis envolvendo o território autônomo chinês, o que enfureceu Pequim.
Assim, a cena política volta a influenciar os negócios no exterior. No Brasil, os ativos domésticos já sentiram ontem o impacto da crise do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro (leia mais abaixo), reforçando que a dinâmica da economia continua sendo atravessada por questões externas. O temor é quanto ao contágio desses assuntos em temas de interesse do mercado, como a guerra comercial e a reforma da Previdência.
Lá fora, a Bolsa de Xangai caiu, indo na contramão do sinal positivo que prevaleceu na Ásia, com Tóquio liderando os ganhos (+1,2%). Hong Kong subiu 0,5%, apesar das ameaças do governo chinês, que prometeu retaliar Washington se os projetos aprovados ontem, que apoiam os protestos na ilha e condenam abusos de direitos humanos, se tornarem leis. Segundo Pequim, os EUA não devem interferir em seus assuntos internos.
Entre outras coisas, os deputados norte-americanos aprovaram uma revisão anual sobre a autonomia de Hong Kong que justifique o status especial da ilha nas tratativas comerciais com os EUA. Enquanto isso, na Europa, autoridades da União Europeia (UE) disseram que um acordo sobre a saída do Reino Unido pode ser alcançado até o fim da semana, caso o governo britânico concorde com algumas concessões. Os dois lados continuam as negociações em torno do Brexit, previsto para o dia 31 de outubro.
Com isso, as principais bolsas europeias abriram sem uma direção definida, influenciadas também pelo sinal negativo vindo de Wall Street. Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram no vermelho, em meio à escalada dos riscos geopolíticos envolvendo Hong Kong, antes de uma agenda econômica carregada de indicadores e eventos nos EUA (leia mais abaixo).
Nos demais mercados, o dólar está estável, mas a libra esterlina e o yuan chinês estão mais fracos. Já o petróleo ensaia ganhos, enquanto o ouro avança e o minério de ferro afundou quase 5%.
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A operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal ontem em endereços ligados ao deputado federal e presidente do PSL, Luciano Bivar, foi vista como a solução encontrada para Bolsonaro e aliados deixarem o partido. O esquema conhecido como o “laranjal do PSL” provocou uma crise na legenda e tem gerado desgaste entre o grupo de Bivar e o do presidente.
No mercado financeiro, o temor é de que essa disputa interna no partido possa respingar na votação em segundo turno da reforma da Previdência no plenário do Senado, onde já sofreu inúmeros atrasos. A proposta deve ser retomada a partir do próximo dia 22 e concluída neste mês, ainda mais após a aprovação do projeto que prevê a divisão de recursos do megaleilão de petróleo, em novembro. O texto segue à sanção presidencial.
Essa cautela com a cena política local contribuiu para o retorno do dólar à faixa de R$ 4,15, com a moeda norte-americana refletindo também o cenário externo repleto de dúvidas a respeito dos termos do acordo comercial entre EUA e China, além da possibilidade de cortes ainda maiores na taxa básica de juros. Há quem diga que a Selic pode continuar caindo em 2020, chegando a 4% no início do ano que vem, após encerrar 2019 em 4,5%.
Essa perspectiva, por sua vez, tem alimentado a alta do Ibovespa, que subiu ontem pelo quinto pregão seguido, ao mesmo tempo em que enxuga os prêmios na curva de juros futuros - mesmo quando há uma recomposição. O problema é que quanto menor o juro básico brasileiro menor a atratividade em relação às taxas praticadas em outros países, o chamado carry trade, o que reduz a chance de ingresso de recursos externos no país.
Aliás, a agenda doméstica de hoje traz os dados parciais sobre a entrada e saída de dólares do país (14h30) até meados deste mês. Os números devem captar as fortes retiradas de capital estrangeiro da Bolsa brasileira (mercado secundário) no início de outubro, com o saldo já negativo em mais de R$ 30 bilhões no ano, e também devem refletir a falta de demanda por dólar no mercado à vista (spot).
Ainda no calendário econômico local, sai o primeiro IGP do mês, o IGP-10 (8h).
Já no exterior, as vendas no varejo dos EUA em setembro (9h30) são o destaque da agenda do dia. A previsão é de manutenção no ritmo de alta verificado no mês anterior, em +0,4%. Ainda assim, o mercado financeiro não enxerga sinais de pressão inflacionária vinda do consumo, ao mesmo tempo em que acredita na necessidade de estímulos adicionais à atividade por parte do Federal Reserve para limitar o impacto da guerra comercial.
Entre os indicadores econômicos, saem também o índice de confiança das construtoras em outubro e os estoques das empresas em agosto, ambos às 11h. À tarde, o Fed publica o Livro Bege (15h), trazendo a avaliação mais recente sobre a situação econômico em várias partes dos EUA. Por fim, também será conhecido o fluxo de capital estrangeiro no país em agosto (17h).
Na safra de balanços, o Bank of America publica seus resultados trimestrais, que declarou o fim do padrão 60%-40% no portfólio, referindo-se à exposição das carteiras em ações e bônus, respectivamente. Também são esperados os demonstrativos contábeis de IBM e Netflix. Ainda lá fora, logo cedo, saem índices de preços (de moradias, ao consumidor e ao produtor) no Reino Unido, bem como a leitura final de setembro da inflação ao consumidor (CPI) na zona do euro e os dados da balança comercial em agosto.
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