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O Ibovespa até chegou a aparecer no nível dos 99 mil pontos. Mas, com Estados e Municípios podendo ficar fora da reforma da Previdência, o mercado optou por adotar uma postura mais cautelosa
Um burburinho tomou conta dos mercados financeiros do Brasil na manhã desta quarta-feira (12). Operadores, analistas e outros agentes financeiros aguardavam ansiosamente a abertura do pregão, com uma questão em mente: será que o Ibovespa conseguiria atingir os 100 mil pontos hoje?
E o suspense se manteve durante a manhã, com o índice passando a primeira parte da sessão oscilando perto da estabilidade. Mas, conforme novidades a respeito da tramitação da reforma da Previdência começaram a surgir, a cautela tomou conta das negociações — e fez o Ibovespa se firmar no campo negativo.
Ao fim do dia, o principal índice da bolsa brasileira teve baixa de 0,65%, aos 98.320,88 pontos — distante da mínima, quando atingiu os 97.831,00 pontos (-1,14%), mas também longe da máxima, aos 99.239,50 pontos (+0,28%). O dólar à vista também teve uma sessão instável e terminou em alta de 0,45%, a R$ 3,8669.
Tudo seguia o script dos últimos dias por aqui: o mercado estava otimista em relação ao cenário político, cada vez mais convencido de que a crise envolvendo o ministro da Justiça, Sergio Moro, não traria turbulência à tramitação das pautas econômicas do governo, incluindo a revisão nas regras da aposentadoria.
Só que, no início da tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, veio a público para falar sobre a tramitação da Previdência — e o tom assumido por ele gerou uma piora de sentimento nos mercados.
Maia comunicou o fechamento de um acordo para retirar Estados e municípios do parecer do relator da reforma na comissão especial da Câmara, Samuel Moreira. Segundo o presidente da Casa, o texto será lido no colegiado nesta quinta-feira (13) e deve ser votado pelo plenário na primeira semana de julho.
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A novidade trouxe apreensão aos agentes financeiros por implicar numa menor economia a ser gerada pela reforma em 10 anos. E o fato de Maia ter uma reunião no fim da tarde com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e de participar de coletiva de imprensa para falar sobre os ajustes no texto do relator, às 18h, abriu espaço para todo tipo de especulação.
Dois operadores me falaram que a cifra de R$ 800 bilhões em economias começou a circular no mercado nesta tarde. Ambos ponderaram que esse número não fica distante das estimativas feitas pelos próprios agentes financeiros, mas que, considerando os ganhos recentes do Ibovespa — o índice chegou a tocar os 99 mil pontos no início do dia —, o mercado optou por assumir uma postura mais cautelosa.
Um dos operadores ainda lembra que ocorreu hoje o vencimento do Ibovespa futuro para junho, fator que pode ter ajudado a trazer instabilidade extra às negociações do índice durante a tarde — o vencimento é calculado com base nas três últimas horas do pregão.
Além disso, o tom negativo visto nos mercados globais contribuiu para diminuir o ímpeto dos agentes financeiros por aqui. "A sessão foi bem negativa na Ásia e as bolsas da Europa também caíram. Foi um dia muito ruim para as commodities ", destaca Álvaro Frasson, analista da Necton.
Os mercados externos mostram menor disposição para assumir riscos nesta quarta-feira. Tensões sociais em Hong Kong foram determinantes para trazer apreensão à sessão asiática — e, além disso, a guerra comercial continua sem dar sinais de alívio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que está vencendo as batalhas comerciais que seu governo começou para apoiar os agricultores americanos e ressaltou que as tarifas aplicadas a produtos chineses "estão trazendo bilhões para o nosso país".
As preocupações em relação à guerra comercial afetaram fortemente o mercado de commodities, com o petróleo WTI (-4,00%) e o Brent (-3,72%) caindo forte nesta quarta-feira. O minério de ferro, por sua vez, ficou praticamente estável no porto chinês de Qingdao.
Nesse cenário, a maior parte das bolsas da Ásia fechou no campo negativo, comportamento semelhante ao verificado nos mercados acionários da Europa — o índice pan-europeu Stoxx 600 teve baixa de 0,30%. E, nos Estados Unidos, o Dow Jones (-0,50%), o S&P 500 (-0,13) e o Nasdaq (-0,65%) caíram em bloco.
Esse clima de maior apreensão no exterior se refletiu no mercado de moedas global, com o dólar se fortalecendo ante a maior parte das divisas globais, sejam elas fortes ou de países emergentes e dependentes de commodities.
Esse contexto global, somado às instabilidades geradas pelo noticiário político, culminou em pressão ao mercado de câmbio brasileiro: por aqui, o dólar à vista chegou a cair 0,50%, a R$ 3,8302, mas terminou a sessão no campo positivo, de volta à faixa de R$ 3,86.
O estresse gerado pela declaração de Maia também afetou as curvas de juros, que viraram e fecharam em alta, após passarem boa parte do dia no campo negativo. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 subiram de 6,16% para 6,19%; na longa, os para janeiro de 2023 avançaram de 7,06% para 7,11%, e os para janeiro de 2025 foram de 7,59% para 7,63%.
A novela da venda da fatia detida pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) na Via Varejo chega à reta final, com o empresário Michael Klein mais perto de retomar a Casas Bahia, empresa fundada por seu pai.
Mais cedo, o conselho do GPA aprovou a venda de suas ações na companhia num leilão na B3, a ser realizado na próxima sexta-feira (14). E isso porque Klein enviou uma carta afirmando que, caso a fatia detida pelo GPA fosse a leilão, ele se comprometeria a comprar os papéis ao preço máximo de R$ 4,75.
Com a trama caminhando para os episódios derradeiros, as ações PN do GPA(PCAR4) fecharam em alta de 0,4%. Já os papéis ON da Via Varejo (VVAR3) caíram 3,20%, a R$ 4,84.
Frasson, da Necton, pondera que os papéis da Via Varejo tendem a se aproximar dos R$ 4,75, mas que esse movimento não necessariamente irá ocorrer já no pregão de hoje. "O Klein tem um histórico muito grande no setor de varejo e teve grande sucesso no passado. Mas isso não garante sucesso no futuro", diz.
O analista ainda diz que o mercado, agora, espera a apresentação do plano estratégico dos novos controladores para a empresa, de modo a tirar a Via Varejo do atual cenário de dificuldade. "Até esse plano ser anunciado, ainda deve haver algum receio".
Outra história com enredo cada vez mais intrincado é a da venda da Netshoes. Nesta manhã, a Centauro elevou novamente sua proposta, oferecendo US$ 3,70 por ação da empresa — equivalente a US$ 114,9 milhões. Mas não foi só isso.
Os novos termos da Centauro também incluem um empréstimo de US$ 120 milhões para que a Netshoes possa reforçar seu capital de giro. Isso porque a situação financeira do site de artigos esportivos é delicada — e, nesse cenário, o conselho da empresa recomendou aos acionistas que aceitassem a proposta do Magazine Luiza.
A oferta do Magalu é bastante inferior, de US$ 3,00 por ação. Contudo, a operação de compra da Netshoes pelo Magazine Luiza já foi aprovada pelo Cade — uma transação com a Centauro precisaria ser analisada do zero pelo órgão. Assim, a urgência é um fator chave na disputa, e a assembleia de acionistas do Netshoes para bater o martelo está prevista para a próxima sexta-feira (14).
Com a nova oferta, as ações ON da Centauro (CNTO3) — que não fazem parte do Ibovespa — fecharam em alta de 0,79%, enquanto os papéis ON do Magzine Luiza (MGLU3) caíram 1,96%. Em Nova York, os ativos da Netshoes (NETS) subiram 13,16%, a US$ 3,44.
Com o petróleo em queda firme, as ações da Petrobras aparecem no campo negativo nesta quarta-feira: no mesmo horário, os papéis PN (PETR4) recuaram 1,14%, enquanto os ONs (PETR3) tiveram baixa de 1,47%.
Vale lembrar que os ativos da estatal ganharam força na reta final do pregão de ontem, impulsionados pela notícia de que a Petrobras assinou um acordo com o Cade para viabilizar a venda de oito refinarias da empresa. Assim, o mercado realiza parte dos lucros registrados ontem.
Banco é o único brasileiro na operação, que pode movimentar até US$ 10 bilhões e marca nova tentativa de Bill Ackman de abrir capital; estrutura combina fundo fechado e holding da gestora, em modelo inspirado na estratégia de longo prazo de Warren Buffett.
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