Ibovespa fecha em leve baixa, mas sustenta os 103 mil pontos; dólar segue em R$ 4,09
Os mercados globais assumiram um tom de maior cautela nesta terça-feira (10), o que abriu espaço para um ligeiro movimento de realização de lucros no Ibovespa

O Ibovespa acompanhou de perto as movimentações dos mercados externos nesta terça-feira (10): conforme as praças acionárias americanas perdiam ou ganhavam força, a bolsa brasileira oscilava entre os campos negativo e positivo. E, ao fim do dia, os índices do Brasil e dos EUA ficaram praticamente no zero a zero.
Em linhas gerais, os agentes financeiros optaram por assumir um tom de maior cautela. Sem grandes novidades no front internacional, os mercados preferiram não se expor a riscos desnecessários, o que limitou o potencial de ganhos das bolsas mundiais. Mas, por outro lado, também não havia um fator que gerasse amplo pessimismo.
Nesse panorama, o Ibovespa fechou a sessão em leve baixa de 0,14%, aos 103.031,50 pontos, após ter oscilado entre os 102.230,73 pontos (-0,92%) e os 103.179,90 pontos (+0,31%) ao longo do dia. No exterior, o tom foi semelhante: o Dow Jones (+0,28%), o S&P 500 (+0,03%) e o Nasdaq (-0,04%) ficaram perto da estabilidade.
Em meio a esse cenário de relativa calmaria, o setor de varejo acabou aparecendo entre os destaques do Ibovespa. As ações do Magazine Luiza, B2W e Via Varejo lideraram as perdas do índice nesta terça-feira, reagindo ao avanço da Amazon no e-commerce do país.
O mau desempenho das varejistas foi fundamental para manter o Ibovespa no campo negativo pela maior parte do dia — outros setores, como o bancário, também operaram em baixa ao longo da sessão. E, com esses dois segmentos no vermelho e com o tom mais cauteloso visto lá fora, o índice interrompeu a sequência de quatro altas consecutivas.
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Lado a lado
O Ibovespa e as bolsas americanas caminharam juntos ao longo do dia. Logo após a abertura, o índice brasileiro chegou a cair 0,92%, aos 102.230,73 pontos, num desempenho parecido com o visto lá fora. Mas, no início da tarde, os mercados dos EUA melhoraram e se aproximaram do zero a zero — em resposta, o Ibovespa virou para alta.
Essa recuperação ocorreu pouco antes das 13h, em função de uma notícia publicada pela imprensa chinesa. Citando fontes, o South China Morning Post (SCMP) afirmou que o governo do gigante asiático estaria pronto para facilitar um acordo com os Estados Unidos e comprar bens americanos.
Embora a manchete fosse encorajadora, o texto ressaltava que, por mais que o governo chinês esteja aberto a fazer concessões, as negociações com os Estados Unidos seguiam bastante difíceis. Assim, o efeito manada que deu ânimo aos ativos globais logo perdeu força, e tanto o Ibovespa quanto as bolsas americanas voltaram ao campo negativo.
Mas, na reta final do pregão, os mercados voltaram a passar por uma onda de melhora, num movimento de ajuste pontual. Assim, os índices americanos voltaram a se aproximar da estabilidade — o Dow Jones e o S&P 500 até conseguiram fechar no campo positivo. O Ibovespa, por sua vez, reduziu as perdas, sustentando os 103 mil pontos.
É melhor ter cuidado
Os mercados mundiais passaram por uma despressurização nos últimos dias, apoiados por dados econômicos menos negativos na semana passada, pela ligeira redução nas tensões no front da guerra comercial e pela perspectiva de que os bancos centrais do mundo darão início a um movimento coordenado de cortes de juros.
No entanto, sem maiores novidades no noticiário global desde a noite de ontem, os agentes financeiros assumiram uma postura mais defensiva nesta terça-feira, pensando duas vezes antes de aumentar a exposição ao risco. Afinal, por mais que EUA e China tenham marcado uma nova rodada de negociações para outubro, o clima entre as duas potências ainda é nebuloso.
No front econômico, sinais desanimadores vindos do gigante asiático trouxeram preocupação aos mercados. No fim de semana, a China já havia reportado um resultado mais fraco que o esperado de exportações e importações em agosto; hoje, foi conhecida a inflação ao consumidor no mês passado, que ficou em 2,8% — acima dos 2,6% previstos pelos economistas.
Além disso, as incertezas em relação ao Brexit — o processo de saída do Reino Unido da União Europeia — também cooperaram para trazer prudência às negociações. E, no cenário doméstico, também contou com fatores de pressão para o Ibovespa e para o dólar à vista.
O principal deles diz respeito à tramitação da reforma da Previdência. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, desistiu de votar a proposta nesta semana e adiou o processo para a semana que vem. Por mais que a aprovação das novas regras da aposentadoria já estejam precificadas pelo mercado, o atraso no cronograma não foi bem recebido pelos agentes financeiros.
"O dólar ainda está pressionado, e esse movimento não é de hoje. Isso sempre incomoda o pessoal e gera algum estresse", diz um operador, ressaltando que o setor bancário foi um dos principais afetados por esse movimento de cautela, uma vez que, nas últimas sessões, as ações dos bancos registraram ganhos expressivos.
Nesse sentido, Itaú Unibanco PN (ITUB4) caiu 1,94%, Bradesco PN (BBDC4) recuou 1,77% e Banco do Brasil ON (BBAS3) tevebaixa de 1,68%. No entanto, no acumulado do mês, esses papéis ainda acumulam ganhos de 3% a 6%.
Dólar e juros
O mercado de câmbio também passou por uma onda de alívio no início de tarde, em meio à notícia publicada pela imprensa chinesa: o dólar à vista, que chegou a subir 0,75% mais cedo, a R$ 4,1296, zerou os ganhos e se aproximou da estabilidade — e a moeda americana não devolveu esse movimento.
Ao fim do dia, dólar à vista teve leve baixa de 0,07%, a R$ 4,0957. No exterior, a moeda americana perdeu terreno em relação a maior parte das divisas de países emergentes.
No mercado de juros, os agentes financeiros assumiram um viés mais defensivo. Entre os DIs, os com vencimento em janeiro de 2021 subiram de 5,33% para 5,35%; no vértice mais extenso, as curvas para janeiro de 2023 avançaram de 6,42% para 6,45%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,98% para 7,01%.
Varejistas sob pressão
O setor de varejo aparece novamente na ponta negativa do Ibovespa, dando continuidade ao movimento de ontem. Esse movimento se deve à chegada do serviço prime da Amazon ao Brasil: por R$ 9,90 mensais (ou R$ 89 anuais), a companhia americana promete frete grátis ilimitado no país, prazo máximo de entrega de 48 horas em mais de 90 municípios e acesso a filmes, músicas, livro e revistas digitais na plataforma Prime.
Os mercados, assim, optam por reduzir a exposição às varejistas eletrônicas brasileiras, antevendo uma competição forte da Amazon no setor. Magazine Luiza ON (MGLU3) caiu 4,97%, B2W ON (BTOW3) recuou 4,83%, Via Varejo ON (VVAR3) teve baixa de 3,28% e Lojas Americanas PN (LAME4) teve perda de 2,20%, entre os piores desempenhos do índice no momento.
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