Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
Eduardo Campos

Eduardo Campos

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.

Análise

Pode ir se acostumando com dólar mais caro

Fortalecimento do dólar é fenômeno global amplificado por questões locais e crise na Argentina. Disney vai demandar maior planejamento

Eduardo Campos
Eduardo Campos
20 de agosto de 2019
5:06 - atualizado às 8:45
dólar caro forte alto
Imagem: Shutterstock

Falar sobre taxa de câmbio é sempre difícil, pois é um dos mercados mais complexos que temos e com maior histórico de humilhação de especialistas. Mas, às vezes, alguns contornos tomam forma. O desenho global sugere um dólar forte com juros mais baixos no mundo. Além disso, temos nossas questões internas e os problemas com os vizinhos argentinos que também nos assombram. Em português claro, ir para a Disney vai demandar maior planejamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Começando pela Argentina, o real e outras moedas emergentes sofrem pelo chamado “efeito contágio”. Temos um país do grupo que volta a flertar com um calote. No fim de semana, o ministro da Fazenda pediu para sair e o candidato que venceu as primárias, Alberto Fernández, falou que as condições do empréstimo tomado junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) são impossíveis de cumprir. Argentina e calote andam juntos faz tempo.

O mercado argentino não funcionou na segunda, então podemos esperar algum ajuste mais acentuado nesta terça, com potencial de novos respingos por aqui. Veja aqui como foi o comportamento dos mercados ontem.

Além disso, na segunda-feira, circularam umas conversas interessantes nas mesas de operação daqui. Empresas multinacionais com operações na Argentina estariam comprando dólar no Brasil para mandar para lá. O que seria mais um vetor de pressão sobre a cotação do dólar por aqui. Essa é uma conversa que ainda carece de confirmação, mas essas conversas das mesas são o famoso “onde há fumaça, há fogo”. Até onde consegui descobrir, não teria ocorrido compra maciça no pregão de segunda-feira e o sistema de liquidação em moeda local (SML) funciona normalmente.

Outro assunto nas mesas foi algo mais tradicional. Fundos de investimentos locais liquidando posições em dólar e o famoso “o mercado vai testar a disposição do BC em vender dólares”. Ouviremos isso novamente ao longo dos próximos dias.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Antes de seguir adiante, repito aqui o conselho prático, já dado pelo Vinícius Pinheiro, ontem: "Seja qual for o comportamento futuro do câmbio, é prudente você sempre manter uma exposição em dólar na sua carteira. Nós inclusive já escrevemos uma reportagem para ajudar você nessa tarefa."

Leia Também

A cor local e o BC

Por aqui, temos debatido questões estruturais que dão suporte a um dólar “mais caro”. De forma resumida, temos troca de dívidas tomadas no mercado externo por operações no mercado local. Algo bastante salutar, mas com impacto na demanda por dólar neste momento.

Outro vetor, que também já discutimos, é a queda no diferencial de juro interno e externo, que tira atratividade das operações de “carry trade”. Com Selic a 14% e juro americano em zero, era atrativo se endividar lá fora, trazer o dinheiro e ganhar o diferencial de juro.

Além da queda no diferencial de juros, mudanças regulatórias tornaram esse tipo de operação mais custosa para os bancos, que já carregam cerca de US$ 30 bilhões em posições vendidas. Para quem quiser se aprofundar, discutimos detidamente esses fenômenos neste texto aqui.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em suma, a demanda por dólar é crescente e o diferencial de juro, que poderia atrair dólares, deixou de existir. Sinal da demanda muito superior à oferta pode ser obtido dos dados de fluxo cambial, que mostram uma saída de US$ 32 bilhões em 12 meses até julho. A conta financeira, que capta justamente ingressos para portfólio e investimentos, tem saída de US$ 58 bilhões em 12 meses.

Não por acaso, o Banco Central (BC) anunciou leilões no mercado à vista, algo que não acontecia desde 2009. Há um ruído em torno da operação, pois envolve datas históricas e reservas internacionais, mas a atuação do BC é pontual e de pequena monta.

O BC quer rolar ou trocar cerca de US$ 3,8445 bilhões em swaps que vencem em outubro. Mas como a demanda por dólar à vista está muito superior à demanda por “hedge” (proteção), o BC resolveu atuar no mercado à vista. De fato, o BC vai dar a opção para os agentes de mercado que quiserem, trocar o “dólar sintético”, representado pelo swap, pelo dólar de verdade.

A dúvida é como fica a atuação depois dessas operações “teste”, que serão realizadas entre 21 e 29 agosto, no ritmo de até US$ 550 milhões por dia. Outro questionamento comum é porque o BC anunciou que faria isso e simplesmente não o fez... Em câmbio, o manual do bom banqueiro central recomenda: “atue primeiro e explique depois”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ainda no capítulo local da discussão, por princípio, o BC não atua para mudar a direção da taxa de câmbio, ou para “segurar” a cotação do dólar, mas sim para suavizar eventuais movimentos de estresse do mercado. Tal estratégia é conhecida como “leaning against the wind” ou “inclinar-se contra o vento” em tradução literal.

Outro fator a ser considerado é que nosso mercado de câmbio à vista é muito restrito. Nossa legislação tem uns 60 anos de atraso e, enquanto uma pretendida reforma cambial não acontecer, o BC terá de manter a funcionalidade do mercado atendendo à demanda por dólar onde ela aparecer (à vista ou futuro) com os instrumentos que tem (swaps, linhas e reservas).

A coisa só muda de figura se passarmos a ver fortes entradas de capital, coisa que não está no radar ou deve acontecer só em 2020, ou se se confirmar uma tese de retomada do crescimento com agenda de reformas, fazendo do Brasil um emergente "diferente" dos demais pares. Semana passada, o Goldman Sachs colocou o Brasil como um emergente defensivo.

As próximas discussões que vamos ver serão em torno da relação do dólar com a taxa Selic e sobre qual seria o grau de repasse cambial para os preços e expectativas de inflação em uma economia deprimida (geralmente é baixo). Será que cabe Selic de 5% com dólar a R$ 4,20?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A cena global

Para ajudar a montar essa avaliação, conversei com algumas pessoas e um chefe de mesa de câmbio de corretora gringa resumiu bem a questão: "A tendência é clara e não temos como escapar dela: mundo de juro baixo e dólar forte."

Vamos a um exemplo prático disso com os eventos de ontem: O dólar já ganhava de outras moedas e ficou um tanto mais forte depois que o diretor do Federal Reserve (Fed) de Boston, Eric Rosengren, falou que o cenário para a economia americana é positivo e que não necessariamente veremos novos cortes de juros. Rosengren foi voto vencido na última reunião do Fed, votando por estabilidade do juro americano.

Quanto menos o Fed cortar o juro em um mundo com outros BCs caminhando para taxa zero ou mesmo negativas, maior a atração relativa dos EUA em comparação com as demais economias.

Aliás, essa observação também consta do relatório do Bank of America Merrill Lynch. Por mais que haja preocupação com uma possível recessão nos EUA, a performance relativa dos EUA diante de seus pares desenvolvidos é melhor, com o país crescendo na casa de 2%, contra zero dos pares.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo os analistas do banco, uma queda relativa nas taxas de retorno dos ativos americanos pode não ser suficiente para tirar força do dólar, pois os fluxos de capital em moeda americana tendem a ficar fortes por duas razões: força relativa da economia americana ou pela crescente aversão a risco, que favorece o dólar e os títulos americanos.

O banco analisou o que aconteceu em outros episódios semelhantes e notou que uma valorização do dólar pode persistir por um ou dois anos até perder força de forma consistente.

Tentamos avaliar algumas questões fundamentais, mas podemos usar outra ótica de mercado. No momento, a liquidez do mundo está mais propensa ao dólar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
VALORES SALGADOS

Aluguel dispara em São Paulo e sobe 63% em um bairro no último ano — veja quanto custa morar na capital agora

30 de abril de 2026 - 19:01

Pesquisa com 178 mil anúncios de imóveis residenciais mostra que morar de aluguel em São Paulo está mais caro do que um ano atrás

TOUROS E URSOS

Muito risco para pouco retorno: por que o crédito privado não está compensando hoje — e quais são as exceções

30 de abril de 2026 - 17:30

Em participação no podcast Touros e Ursos, Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, afirma que spreads no crédito provado estão “apertados demais”, não compensam o risco de calote. Ele defende foco em juros reais, com críticas até ao Tesouro IPCA+ e aos prefixados

TOME CUIDADO

Google solta alerta grave de segurança no navegador Chrome; mas é relativamente fácil resolver o problema

30 de abril de 2026 - 16:11

Mesmo com atualizações automáticas, usuários do Chrome podem permanecer vulneráveis se não atualizarem o navegador

DAS RUAS PARA O HOME-OFFICE

Só não faz o cafezinho: Toyota lança cadeira gamer inspirada em assentos de seus próprios carros de luxo

30 de abril de 2026 - 15:26

Com ajustes elétricos, bateria interna e USB‑C integrado, a cadeira da Toyota leva tecnologia automotiva ao home office

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

Em estabelecimento totalmente administrado por IA, robô manda em humanos, pede dinheiro para funcionários e compra ingredientes para pratos que não estão no cardápio

30 de abril de 2026 - 14:34

A chefe é “Mona”, IA do Google que fundou e gerencia a cafeteria — e que é responsável por avaliar funcionários humanos

UMA COCA-COLA TODO DIA?

Coca-Cola anuncia mudanças que vão impactar no tamanho dos refrigerantes e no bolso dos consumidores

30 de abril de 2026 - 11:35

Coca-Cola quer estar mais presente no consumo diário e espontâneo dos consumidores brasileiros

SEM RECLAMAÇÕES

Super Sete 841 aproveita bola dividida na Lotofácil 3673 e paga o único prêmio milionário da rodada nas loterias da Caixa; Mega-Sena 3002 pode pagar R$ 130 milhões hoje

30 de abril de 2026 - 9:02

Lotofácil manteve a fama de loteria “menos difícil” da Caixa na rodada de quarta-feira (29), mas foi superada pela Super Sete, que pagou o prêmio principal pela primeira vez em 2026

AGENDA DE FERIADOS

Dia do Trabalhador: Como fica o funcionamento da B3, dos bancos, do Pix, dos Correios e de outros serviços no feriado?

30 de abril de 2026 - 6:30

O Dia do Trabalhador, celebrado nesta sexta-feira (04), influenciará o funcionamento dos principais serviços do Brasil

AGENDA MENSAL DE BENEFÍCIOS

Bolsa Família, Gás do Povo e Pé-de-Meia e mais: confira o calendário completo dos programas sociais para maio de 2026

30 de abril de 2026 - 5:29

O guia detalha os dias em que os programas sociais são pagos pelo governo à população, feitos periodicamente e sujeitos à mudanças

AMEAÇA ÀS FINANÇAS?

Faturamento das bets dispara 44,4% em um ano, mas cifra bilionária camufla riscos para o bolso

29 de abril de 2026 - 19:20

Empresas de apostas online tiveram faturamento de R$ 2,2 bilhões em janeiro deste ano; pesquisa da FecomercioSP mostra o que está no radar desse mercado

AJUSTE ESPERADO

Copom corta a Selic para 14,50% e mantém cautela nas palavras; decisão inaugura fase mais incerta para o ciclo de juros

29 de abril de 2026 - 18:43

Colegiado evitou antecipar os próximos passos e disse que Selic alta por período prolongado surtiu efeito para a contração da atividade econômica

MAIOR E MAIS CARO

Completar o álbum da Copa do Mundo de 2026 vai pesar no bolso; veja como se preparar

29 de abril de 2026 - 16:10

Álbum da Copa de 2026 será a edição mais cara; economista dá dicas de como prepara o bolso para a coleção

DIAGNÓSTICO DO BANCO

Banco do Brasil (BBAS3) vê reação rápida do agro se Selic cair; inadimplência pesa em máquinas e insumos

29 de abril de 2026 - 11:18

O banco conta com uma carteira de R$ 406 bilhões no agronegócio e espera ver uma estabilidade em 2026

UM BAITA IMPULSO

‘Supertênis’ da Adidas foi responsável por primeira maratona em menos de 2 horas? Enquanto especialistas buscam resposta, calçado tecnológico chega ao Brasil em breve — e não vai ser barato

29 de abril de 2026 - 11:14

Adidas ganhou a corrida nas pistas e obteve um impulso nas ações no rescaldo da Maratona de Londres

EFEITOS DA GUERRA

Gás do Povo: governo reajusta valor do benefício em 22 estados; veja para quanto foram os vouchers

29 de abril de 2026 - 9:59

Com aumento do valor de referência do Gás do Povo, governo brasileiro tenta mitigar efeitos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã

O DIABO NÃO USA APENAS PRADA

Anna Wintour, a Miranda Priestly da vida real, não se lembrava de assistente e tem postura inesperada em relação a O Diabo Veste Prada 2

29 de abril de 2026 - 9:18

Sequência de filme que marcou a cultura pop nas última décadas, ‘O Diabo Veste Prada 2’ chega aos cinemas brasileiros nesta semana; confira quem é a Miranda Priestly na ‘vida real’

CAUTELA CONTINUA

Tudo indica que inflação é transitória, diz economista-chefe do Inter sobre impacto geopolítico; mas Selic já não vai mais cair tanto

29 de abril de 2026 - 7:15

Há espaço para aceleração dos cortes da Selic no segundo semestre, mas por ora Copom deve continuar com a mesma cautela, diz Rafaela Vitória

BOLA DIVIDIDA

Lotofácil 3672 tem 18 ganhadores, mas só 2 vão embolsar o prêmio inteiro; Mega-Sena 3001 acumula e +Milionária promete R$ 38 milhões hoje

29 de abril de 2026 - 6:53

Lotofácil foi a única loteria a ter ganhadores na rodada de terça-feira, 28 de abril. Além da Mega-Sena, a Quina, a Dia de Sorte e a Timemania também acumularam.

CONTRA O EFEITO DOMINÓ

Quanto custa evitar o pior? Para o FGC, R$ 57,4 bilhões após crise do Banco Master

28 de abril de 2026 - 18:39

Em relatório anual, fundo afirma que bancou garantias, fez empréstimos e ainda viu indicador de liquidez cair abaixo do nível recomendado

TÍTULO DE ELEITOR

Eleitores têm até a próxima semana para tirar, transferir ou regularizar o título de eleitor para as eleições de 2026

28 de abril de 2026 - 17:25

O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para brasileiros com mais de 18 anos, o; prazo vai até dia 6 de maio

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia