Após 2013, construção civil perdeu quase 3 milhões de empregos, revela Fiesp
Intensiva em mão de obra, a cadeia produtiva da Construção Civil viu seu estoque de empregos se reduzir em 21,6% a partir da crise financeira que assolou o Brasil

Intensiva em mão de obra, a cadeia produtiva da Construção Civil viu seu estoque de empregos se reduzir em 21,6% a partir da crise financeira que assolou o Brasil. Entre 2013 e o terceiro trimestre do ano passado, houve encerramento de quase 3 milhões de postos de trabalho no setor de Construção.
O movimento foi constatado em pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), obtida pelo Broadcast, sistema de notíciacs em tempo real do Grupo Estado, a partir da dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho.
"Esse resultado é explicado pelo corte de financiamentos habitacionais e de despesas públicas nas áreas de desenvolvimento urbano e de infraestrutura econômica", explica o diretor-titular do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp, Carlos Auricchio. O estudo cita como fatores relevantes o estrangulamento do crédito nas áreas de habitação, saneamento e mobilidade, assim como paralisia dos investimentos em transportes, energia e telecomunicações.
A retração acumulada de 21,6% entre 2013 e o ano passado reverteu, parcialmente, a expansão do emprego no setor registrada entre os anos de 2007 e 2013, quando acumulou 37,5% de crescimento e atingiu o pico de 12,855 milhões de profissionais. Este período correspondeu ao momento de maior expansão da economia brasileira no passado recente, com a maior variação tendo ocorrido em 2010, com um PIB de 7,5%.
Entre os segmentos da cadeia da Construção, o que mais sofreu retração no quadro de funcionários a partir de 2013 foi o industrial, com queda acumulada de quase 30%, relata a Fiesp. Já o de construção encerrou quase 23% dos postos de trabalho, enquanto o emprego em serviços associados à construção perdeu 18,7% e comércio de materiais de construção cedeu 9,1%.
Durante o período de expansão, por outro lado, as maiores altas foram registradas nos serviços, com 6,4%, e comércio, com 6,3%. Nas atividades industriais, houve alta de 5,5% e na construção, de 5,2%.
Leia Também
Já no resultado fechado do levantamento, considerando o período de 2007 ao terceiro trimestre de 2018 como um todo, foi verificada expansão de 7,79% do estoque de empregos, passando de 9,345 milhões para 10,073 milhões. Dentre os segmentos, a maior expansão ocorreu na área comercial, com alta de 30,82%, enquanto a ocupação no ramo industrial sofreu recuo de 3,34%. Em Serviços, foi constatada expansão de 18,0%, enquanto o emprego na Construção cresceu 4,23% no período.
Qualificação e Produtividade
Se a expansão do emprego ao longo de quase onze anos não ultrapassou a marca de um dígito em termos porcentuais, a Fiesp constatou, por outro lado, uma considerável melhora na qualificação dos profissionais no setor da Construção. Do total de profissionais no setor em 2007, apenas 30% tinham completado a formação no Ensino Médio. Já no terceiro trimestre de 2018, esta parcela correspondia a 43,2%.
"Em termos absolutos, foram encerrados quase 890 mil postos de trabalho nessas faixas de menor qualificação", destaca o levantamento. O maior salto entre os perfis de qualificação foi verificado entre os profissionais com ensino superior, completo ou incompleto, cuja fatia passou de 5,4% no início da pesquisa para 15,9% até o terceiro trimestre do ano passado.
O próprio diretor da Fiesp, Carlos Auricchio, entretanto, faz uma ressalva sobre a melhora da qualificação entre os profissionais da Construção. "O que ocorreu com a qualificação da mão de obra foi resultado de dois movimentos. O primeiro foi exatamente a demissão de profissionais menos qualificados, cujo custo do desligamento é menor, num momento de crise aguda, mas que não se imaginava que fosse tão extensa", explicou ao Broadcast.
Ao mesmo tempo, Auricchio atribuiu parte da melhora da qualificação a uma "tendência estrutural do Brasil". "Os jovens estão saindo para o mercado de trabalho mais maduros e com maior nível de escolaridade. Isso reflete a universalização das vagas para os ensinos fundamental e médio, os avanços da educação técnica e o aumento expressivo de vagas no ensino superior", destacou.
Sobre o avanço no porcentual de profissionais com ensino superior, o diretor da Fiesp apontou para um crescimento da oferta e da demanda por cursos superiores na área de engenharia, tanto nas universidades públicas quanto privadas. "A demanda por esses cursos cresceu muito no início dos anos 2010, porque os salários de engenheiros também cresceram de forma expressiva", disse. "Além da maior oferta de vagas, os jovens de famílias de menor renda encontraram nessa época programas públicos de financiamento (Fies e Prouni) que possibilitaram o avanço na educação", completou.
Já a produtividade dos trabalhadores não escapou dos efeitos da crise. De 2007 a 2014, destaca a Fiesp, a produtividade da mão de obra na cadeia cresceu 1,7% ao ano, em ritmo e nível condizente com os ganhos de escala e avanços tecnológicos no período. "De 2014 em diante, contudo, houve perdas médias de produtividade de 3% ao ano, fazendo com que a produtividade da mão de obra registrasse em 2016 o pior nível em onze anos de análise", destaca o Departamento da Indústria da Construção da Fiesp.
PROVENTOS
Mais de R$ 600 milhões aos acionistas: confira quem tem direito a receber o JCP da Localiza (RENT4)
22 de setembro de 2026 - 19:27TERMÔMETRO DAS ELEIÇÕES
O mercado já escolheu seu cavalo eleitoral? Banco do Brasil (BBAS3) dispara 26% na bolsa, mas a conta não fecha só com as urnas
22 de setembro de 2026 - 17:03UM BOM NEGÓCIO?
Santander quer comprar seu papel SANB11 — mas o que o minoritário ganha ao trocar as ações por BDRs?
22 de setembro de 2026 - 14:16EXPANSÃO
Vale (VALE3) compra 30% da Ligga por R$ 972,36 milhões e prevê expandir capacidade em quatro vezes; qual o plano da mineradora?
22 de setembro de 2026 - 14:01ABRE E FECHA
JBS (JBSS32) fecha capital e J&F quer ser aberta no Brasil: o que muda para o investidor em ações e debêntures na B3
22 de setembro de 2026 - 11:43DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO