Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-05-23T06:31:26-03:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Mercado monitora riscos com cautela

Sentimento positivo com a cena política local é testado, enquanto perspectiva de acordo comercial entre EUA e China diminui a cada dia

23 de maio de 2019
5:38 - atualizado às 6:31
mercado monitora riscos
Incertezas devem manter dólar ao redor de R$ 4,00 e Ibovespa afastado dos 100 mil pontos

O sentimento mais positivo com a cena política interna, em meio à disposição dos deputados em avançar com a agenda do governo, é colocado à prova hoje no mercado financeiro, após a derrota imposta pela Câmara. Os deputados aprovaram a redução do número de ministérios, como queria o Palácio do Planalto, mas devolveram o Coaf à Economia, tirando o órgão que atua no combate à lavagem de dinheiro das mãos do ministro Sergio Moro (Justiça).

Até então, os investidores estavam mais otimistas com o ambiente em Brasília, em meio à votação de medidas provisórias (MP) que corriam o risco de caducar nos próximos dias e algumas outras propostas, como a reforma tributária. A percepção é de que a pauta do governo no Congresso começou a caminhar, apesar das rusgas entre Executivo e Legislativo, diante do receio dos parlamentares de repercussões negativas nas manifestações de domingo.

Deputados e senadores não querem ficar com a pecha de que estão jogando contra o país. E cada pequeno avanço em Brasília renova a confiança do investidor na aprovação de uma reforma da Previdência potente. A economia de R$ 1 trilhão em dez anos aos cofres públicos continua sendo o objetivo central do ministro Paulo Guedes, que ainda não desistiu do regime de capitalização.

Mas a cautela ainda persiste. Passado o tsunami político e apesar da melhora do clima no Planalto Central nos últimos dias, o cenário segue sujeito a trovoadas. Ontem, foi o panorama externo que voltou a azedar e hoje o mercado internacional segue sem contribuir para uma melhora adicional dos ativos locais, o que tende a deixar o dólar rondando acima de R$ 4,00 e o Ibovespa orbitando ao redor dos 95 mil pontos.

Guerra sem fim

A guerra comercial entre Estados Unidos e China entrou no segundo estágio, adentrando no setor de tecnologia, e os investidores se preparam para um conflito mais duradouro entre as duas maiores economias do mundo. Esse impasse mais prolongado inibe o apetite por risco e a amplia a busca por proteção, ajustando os preços dos ativos.

Segundo especialistas ligados ao governo chinês, Washington e Pequim parecem estar presos a um ciclo de “conversas e brigas” que pode durar anos, com cada um dos lados testando as intenções estratégicas, o que dificulta um consenso. Para eles, a relação entre os dois países deve primeiro piorar mais, antes de começar a melhorar.

Assim o período mais difícil ainda estaria por vir e pode ter início na próxima década, logo após o resultado das eleições presidenciais norte-americanas - ainda mais se Donald Trump for reeleito. Tal perspectiva tende a frear ainda mais o ímpeto da economia global, que já está em ritmo de desaceleração, ao mesmo tempo em que pode elevar os custos de produtos aos consumidores, gerando inflação. Por isso, o Federal Reserve reiterou a paciência na condução da taxa de juros nos EUA.

Aos poucos, o mercado financeiro vai entendendo, então, que as imposições de Washington não vão terminar, elevando os riscos de retaliação por parte de Pequim e minando as chances de um acordo entre os dois países no curto prazo. A perspectiva de uma rápida conclusão das atuais tensões diminuíram e a cautela cresce. Afinal, como dito aqui várias vezes, a disputa está longe de ser apenas uma questão de comércio bilateral....

Com isso, o sinal negativo prevaleceu nos mercados asiáticos, com queda de mais de 1% em Xangai e em Hong Kong, e se espalha para os negócios no Ocidente. Os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram no vermelho, o que contamina a abertura do pregão europeu.

Já o dólar se fortalece, notadamente em relação à libra esterlina, diante das incertezas em torno do Brexit, neste dia de eleição para a formação do Parlamento Europeu - a qual o Reino Unido queria ter evitado participar. Nas commodities, o petróleo se enfraquece e ouro está de lado.

Agenda segue fraca

A agenda econômica desta quinta-feira segue fraca, apesar de estar repleta de indicadores econômicos. No Brasil, merece atenção o índice de confiança do consumidor em maio (8h), que pode indicar a avaliação do cidadão em relação às condições financeiras, à intenção de compras e ao cenário político-econômico do país.

No exterior, saem dados sobre a atividade nos setores industrial e de serviços nos EUA e na zona do euro, ao longo da manhã. Também na região da moeda única, será conhecido o índice de confiança do empresário alemão e o Banco Central Europeu (BCE) publica a ata da última reunião de política monetária.

Ainda no calendário norte-americano, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país (9h30) e dados sobre as vendas de imóveis novos no país em abril (11h).

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

US$ 1 = R$ 5,70

Dólar flerta com o maior patamar em seis meses, mas desacelera alta após relatório da PEC dos precatórios e moeda se afasta dos R$ 5,70

Em 2021, o dólar chegou a atingir o patamar de R$ 5,883, em março, um dos piores momentos da crise causada pela pandemia de covid-19

TAPANDO O SOL COM A PENEIRA

Bolsonaro recorre a suposta sensibilidade com mais pobres para negar que esteja furando teto

Comentários do presidente vêm à tona um dia depois de o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter admitido a necessidade de uma ‘licença para gastar’

bitcoin (BTC) hoje

Criptoressaca: Bitcoin (BTC) cai para a casa dos US$ 62 mil em ajuste após atingir máximas históricas

Depois de bater as máximas históricas, é comum que ocorra um movimento de realização de lucros, assim como acontece com a bolsa de valores

Em busca da credibilidade perdida

IRB (IRBR3) volta a dar lucro com vitória na Justiça; ação cai menos que o Ibovespa hoje

Na rodada mais recente de dados financeiros, o ressegurador tirou uma carta especial da manga e voltou a exibir resultados positivos

MagaLu gamer

Cade aprova compra do site Kabum!, a maior aquisição na história do Magazine Luiza (MGLU3)

O negócio entre a varejista e o site de games foi anunciado em julho por R$ 1 bilhão em recursos financeiros e 75 milhões de ações

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies